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Respeite o trânsito, respeite a vida

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    Baseado na matéria “Especialistas apontam medidas para diminuir mortes no trânsito“, publicada na página do Programa Global, Fantástico. É assustador o número de pessoas que morrem no trânsito em nosso país a cada ano. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), cerca de 100 pessoas morrem por dia nas ruas e rodovias do Brasil. Os motivos que mais contribuem para esses altos índices são: excesso de álcool, cansaço, desrespeito a sinalização, excesso de velocidade, imprudência, impunidade e falta de sinalização.
    No trânsito um erro pode ser fatal, por isso algumas dicas para prevenir acidentes podem nos auxiliar. Se beber e estiver cansado não dirija. Respeite a sinalização, a velocidade e a vida. Por que abusar da velocidade? Como diz uma frase popular, a pressa é inimiga da perfeição. Antes de colocar seu veículo nas ruas procure saber se ele está em condições de trafegar nas mesmas. Dê a preferência. Mantenha visão ampliada, isto é, não ande muito próximo ao veículo da frente. Desta forma, se houver algum imprevisto haverá tempo de frear.
    Infelizmente, no Brasil as leis de trânsito são muito brandas, raríssimos são os casos em que alguém envolvido em acidente de trânsito que provocou a morte de outros são presos. Em contraponto, em países como o Japão, as leis são rígidas. Quase ninguém ousa beber e dirigir, pois pode ficar cinco anos, ou mais preso. Deste modo, quando bebem vão para casa de táxi.
    A famosa e polêmica Lei Federal 11.705/2008, mais conhecida como Lei Seca, instituída em 19 de junho de 2008 é um exemplo do quanto às leis brasileiras são acríticas e brandas. Segundo a mesma o condutor que dirigir com sob influência do álcool poderá vir a ter sua Carteira de Habilitação cassada e pagar uma multa de R$ 955.
    Um exemplo que comprova o quanto está lei é suave é o caso do deputado estadual, Fernando Ribas Carli Filho (PSB) que, dirigindo sob influência do álcool, a 190 Km/h matou na hora dois jovens e, ainda, não foi julgado. Se faz pertinente lembrar, que o acidente, ou melhor, o crime ocorreu no dia 12 de maio de 2009. O renomado parlamentar dirigia com a carteira cassada e tinha mais de 30 multas em seu prontuário.
    Segundo dados do Datasus, Ministério da Saúde, cerca de 28 bilhões de reais são gastos por ano, na área da saúde no Brasil, com os envolvidos em acidentes de trânsito. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) calcula que um acidente sem vítimas custa R$ 19 mil, já um acidente com vítimas fatais, gera um gasto de 467 mil e, por fim, um acidente com feridos custa R$ 96 mil aos cofres públicos. Esses alarmantes gastos podem mudar se todos fizerem sua parte, se conscientizarem e se as leis de trânsito forem mais severas. Por esse motivo defendo a tese de que punir, ou melhor, prender, pode ser uma forma de educar. Já se provou que não basta punir no bolso, é preciso punir de forma mais rigorosa. O caso do jovem deputado exposto acima é uma prova de que, apenas multar não é suficiente.
    Termino essas breves considerações com dois questionamentos. Quantos inocentes já morreram em nossas estradas? Quantos imprudentes estão presos? E o caso do renomado parlamentar será que acabará em pizza. As respostas, com certeza, mostram o descaso de nossas autoridades, com a realidade.

Gleissy Kelly dos Santos Bueno
Assistente de Atividades de Trânsito (Detran/MS); Mestranda em Literatura e Práticas Culturais pela UFGD.


Originalmente publicado no Jornal O Progresso (MS), em 14/01/2010.

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