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“O preço de uma vida vale a pena”, afirma especialista

Ricardo Simões defende a fabricação de carros mais seguros com incentivos

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“O preço de uma vida vale a pena”, afirma especialista

A Década de Ação pela Segurança no Trânsito da OMS tem como um dos seus pilares a segurança veicular para diminuir o impacto dos acidentes. Nos últimos anos, a fabricação de automóveis tem ganhado inovações que visam deixar os veículos mais seguros e confortáveis. Porém, ao contrário do que propõe a década, algumas tecnologias não são obrigatórias e ainda são acessíveis apenas para aqueles que têm condições de pagar.

Para Ricardo Simões é preciso uma resolução que exija e regulamente a obrigatoriedade de dispositivos de segurança, como foi o caso da exigência de ABS e airbag.
Crédito:Schutterstock

Podem ser citados como importantes itens para a condução segura: freios ABS, sensor de estacionamento, airbag, controle de estabilidade e tração e alertas para troca de marcha para tornar o uso do carro mais eficiente e gastar menos combustível.

Para o gerente de produtos da Perkons Ricardo Simões, considerando que segurança é vital, tais dispositivos deveriam ser incorporados a todos os veículos. “Seria difícil, levando em conta os custos envolvidos, mas, ainda assim, o preço de uma vida vale a pena. A inclusão dos itens já ocorre naturalmente no mercado de automóveis, mas é um privilégio para quem pode pagar pelo alto preço da inovação”, afirma.

O uso de determinados itens de segurança auxilia e preenche lacunas, seja na atenção humana ou nas forças exercidas sobre o veículo em uma manobra. Portanto, a adoção de dispositivos de segurança poderia salvar vidas, mas nada substitui a direção responsável, na avaliação de Simões.  Outro apontamento do gerente de produtos é a necessidade de voltar a atenção para itens de segurança para motociclistas. “O ABS, por exemplo, é obrigatório apenas para carros de passeio e caminhonetes”, destaca.

Simões conclui que é preciso resolução que exija e regulamente a obrigatoriedade de dispositivos de segurança, como foi o caso da exigência de ABS e airbag. “Se não fosse exigência, as fabricantes não estenderiam às linhas de veículos populares e tampouco a maioria dos consumidores optaria por pagar a mais pelo item. Creio que seria muito positivo se isso viesse a ocorrer também com os demais itens, pois são importantes para garantir a direção segura”, comenta. Um ponto sensível, de acordo com Simões, é que as tecnologias precisam ser testadas até que estejam maduras e tenham sua eficácia comprovada para a utilização em escala.

Ações que promovem a segurança veicular

Celso Arruda explica que é preciso separar segurança ativa de
segurança passiva.
Crédito:Schutterstock

O engenheiro mecânico e professor da Unicamp, Celso Arruda, assegura que acidentes são reduzidos com educação e engenharia – pontos que envolvem a interação do veículo com a pista, sinalização, qualidade do piso, inclinação da curva, além da tecnologia do veículo e da fiscalização eficiente.

Ele explica que é preciso separar segurança ativa, que evita acidentes, de segurança passiva, após o acidente. “Acidentes de trânsito dependem apenas dos itens de segurança ativa, tal como o freio ABS, que permite maior manobrabilidade do carro em situações emergenciais. Já os cintos são de segurança passiva e reduzem os danos aos passageiros”, esclarece.

Sobe o preço e caem as vendas

O aumento da segurança do carro gera aumento no preço e diminuição das vendas. Para Arruda, a indústria automobilística usa o atributo de segurança como um dos apelos para impulsionar a venda de veículos. Porém, ainda são mais fortes os argumentos de status e liberdade e não há compensação financeira para os carros seguros tanto para a indústria quanto para o consumidor. “A cada 1% de aumento no preço do veículo existe uma redução na venda de veículos de até 10%. Além disso, os seguros deveriam ser menores para os carros mais seguros, como ocorre no exterior”, frisa.

“As regulamentações precisam prever esse impacto que não está apenas na aquisição da tecnologia, mas também na manutenção, seguros e impostos. Uma forma de minimizar este impacto seria a promoção de formas de incentivo pelo governo para a fabricação de carros mais seguros”, complementa Ricardo Simões.

 


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