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Especialistas apontam como trazer à tona a educação para os itens de segurança de um veículo

O consumidor brasileiro, em geral, prefere opcionais supérfluos aos que podem proteger sua vida

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Especialistas apontam como trazer à tona a educação para os itens de segurança de um veículo

“Todo recurso de segurança, para ser realmente efetivo, depende do comportamento dos usuários nas vias.” Esta foi uma das conclusões de um estudo da Cesvi Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária), que avaliou o conhecimento, o desempenho e as opiniões do público em relação ao uso do freio ABS. De fato, quando se fala neste recurso ou em outros tantos, como o cinto de segurança e a cadeirinha (de uso obrigatório), como o air bag (por enquanto de uso opcional), o objetivo não é apenas chamar a atenção para a importância dos mesmos, mas sim – e principalmente – para como o público os recebe.
Para o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzoto, as montadoras no Brasil erraram ao não fazer boas ações de marketing em relação aos diferenciais de segurança de seus carros. “Se for analisar, os veículos têm cada vez mais e melhores tecnologias de trânsito, e esse diferencial acaba não sendo valorizado pelo consumidor brasileiro porque as empresas, em geral, não souberam fazer uma boa publicidade disto”, explica, dando como exemplo o fato de que – ao escolher um opcional – muitos consumidores preferem itens supérfluos a itens de segurança. “Tecnologias como o ABS podem evitar acidentes, então deveria haver um trabalho para que o público priorizasse acima de tudo itens como este”, acrescenta.
Ele acredita que o País deva investir em formar consumidores mais conscientes em tudo, por meio de ações como debates nas escolas, publicidade melhor dirigida, entre outros aspectos. “As empresas têm um certo pudor aqui, mesmo que as pessoas já estejam começando a se preocupar mais com itens de segurança”, observa Rizzoto. “Os próprios fornecedores da indústria de autopeças não fazem nenhum tipo de campanha para conscientizar o consumidor, tanto que a demanda é pequena para itens do tipo”, salienta.


Muitos consumidores brasileiros preferem um bom som ao freio ABS, por exemplo, que pode evitar acidentes.

Obrigatoriedade x Incentivos

Apesar do panorama até certo ponto preocupante (preferência geral por itens supérfluos), a solução indicada – a educação – não parece tão longe assim. Mas há que se pensar bem como essa meta poderá ser alcançada. Para Rodolfo Rizzoto, essa cultura de segurança deve ser incorporada pela sociedade, inclusive pelos pais que vão dar um carro ao filho que passou no vestibular, que podem escolher a opção mais segura. “Algo que retrata bem essa falta de cultura de segurança é que queremos que o motoboy entregue a pizza ou o documento o mais rápido possível, mas não nos preocupamos se ele vai dirigir respeitando as normas de trânsito, se estará exposto a riscos ou não”, afirma.
Já se pensou em obrigar as empresas a fazer campanhas publicitárias ou outras ações educativas, mas o projeto fere o princípio constitucional da liberdade. É o que conta Fernando Pedrosa, membro da Câmara Temática de Educação para o Trânsito do Contran. Para ele, o ideal é – em vez de as empresas envolvidas com o mundo automotivo serem obrigadas a investir em determinados projetos – que elas mudem por conta própria o seu argumento de venda do arrojo e velocidade para a segurança e a prudência. “Isto também vende”, opina ele, que também é publicitário.
Pedrosa explica que a violência no trânsito pode ser prevista e evitada, mas a solução não parte da sociedade, mas sim do Estado. Para ele, deve haver ações para que haja educação desde a mais tenra idade para estes aspectos, depois na família e, por fim, para que as empresas desenvolvam uma cultura de prevenção – afinal, os acidentes tiram muitos funcionários da economia ativa. Mas uma ressalva: para que as empresas “comprem” a ideia, o Estado precisa cumprir o seu papel, pois isto estimula outros a fazerem o mesmo. “Uma sugestão interessante é a do incentivo fiscal, nos moldes da Lei Rouanet, para empresas que investirem na educação e prevenção na área do trânsito”, comenta.
Rodolfo Rizzoto ainda não tem uma posição a favor ou contra a ideia dos incentivos fiscais, mas vê que é possível que o Denatran utilize os recursos que tem, oriundos do DPVAT e valores das multas. “Os órgãos de trânsito devem fazer essas campanhas para que o consumidor se preocupe mais em segurança na compra de seus veículos do que com itens supérfluos”, finaliza.

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