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Diferente do Contran, livro propõe trabalhar prevenção

Especialistas mostram diferença e defendem o método proposto na obra `Medidores eletrônicos de velocidade - uma visão da engenharia para implantação`, que teve sua segunda edição publicada pela Perkons este mês

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A primeira edição do obra ’Medidores eletrônicos de velocidade – Uma visão de engenharia para implantação‘ foi lançada em 2006, mesmo ano em que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou a resolução 214, em que alterou e complementou a resolução 146/2003, que tornou obrigatório o estudo técnico para implantação dos medidores com no mínimo alguns critérios – entre eles, o levantamento do número de acidentes do local – e sem um método claro.
Já neste livro a autora, engenheira mestre em transportes pela USP, Lúcia Maria Brandão propõe outros critérios. “O objetivo principal do livro é oferecer um método de redução e prevenção em acidentes de trânsito, em especial, os graves e fatais, com outra proposta de estruturação. Toda a base está em cenários de risco, ou seja, pode-se prevenir ao invés de somente reduzir onde já há acidentes”, explica a autora, mestre e doutora em engenharia pela USP.
O professor Dr. Paulo Cesar Marques da Silva, do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade de Brasília (UnB) afirma que o Brasil precisa avançar na questão da prevenção. “Quem trabalha com auditoria de segurança viária, especialmente na fase do projeto, deve verificar as condições potenciais de risco para que as medidas adotadas sejam de maneira preventiva. A resolução do Contran estabelece um modelo de estudo técnico para justificar a implantação de controladores de velocidade com base no registro histórico de acidentes. Não que não precise fazer correção de onde precisa, mas é uma forma atrasada, é preciso ser preventivo”, diz.
Segundo ele, a publicação vai ao encontro de pesquisas mais avançadas e do que já se discute no meio acadêmico. “Não podemos ficar limitados aos registros históricos. Precisa sim ser coibido onde ocorrem os abusos, mas também onde pode vir a ocorrer. Os abusos não acontecendo, há a expectativa que o acidente também não ocorra. E aí que o livro tem um grande mérito e é um bom ponto de partida para convencer o meio técnico para dar um passo adiante na prática”, afirma da Silva.

A cultura por um trânsito mais seguro cresceu no país

Nesses cinco anos, o livro foi distribuído para os órgãos gestores de trânsito em várias localidades. “A cultura por um trânsito mais seguro cresceu no país. Seja pela municipalização do trânsito ou pela importância que a mídia tem dado ao tema, ou também pelos grandes eventos esportivos que vamos receber, o fato é que essa cultura se consolidou e a busca por conhecimentos técnicos é natural”, analisa Lúcia.
A autora, que é docente em cursos de pós-graduação em gestão de trânsito e transportes e engenharia de rodovias, comenta que a disciplina de Engenharia de Tráfego é bastante incomum nos cursos de Engenharia Civil, assim como as obras no setor. “Então, se essa obra for amplamente utilizada, porque ela não tem somente o método, mas trata da segurança viária de forma simples e abrangente, acredito que teremos pessoas mais capacitadas para trabalhar no trânsito com conhecimento de causa. Esse sim é o grande avanço”, conclui.
O engenheiro especialista em trânsito José Mario de Andrade, diretor da Perkons, explica que a empresa apoia esta obra para estimular a discussão sobre a melhor forma de implantar a fiscalização eletrônica e contribuir com soluções que apresentem um resultado eficiente na redução de acidentes fatais, com baixo custo e boa aceitação da população. “Esse livro apresenta um método que reúne essas características. Nosso objetivo é evitar acidentes graves e fatais, não apenas desenvolvendo e fornecendo equipamentos de monitoramento de tráfego, mas oferecendo ferramentas que contribuam para a qualificação das pessoas que trabalham na área”, afirma.

Download

A obra está disponível para download. Acesse aqui.

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