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David Santos de Souza

por Cristina Baddini*

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Este jovem ia para o trabalho em sua bicicleta passando pela Avenida Paulista nas primeiras horas de domingo quando foi atingido violentamente por um carro. O motorista, um estudante de 22 anos, fugiu do local do acidente levando consigo o braço amputado de David Santos de Souza e jogando depois o membro em um córrego.

Horas depois, o motorista se entregou à polícia. Muita gente questionou: ‘O que fazia um homem as 05h30 de bicicleta na Paulista? Ia trabalhar. Pela facilidade em adquirir uma bicicleta, pela agilidade promovida pelo ato de pedalar muitas pessoas estão se deslocando de suas casas às estações de trem e de Metrô de bicicleta, uma modalidade de integração natural entre os modais de transporte ou mesmo fazendo a viagem toda de bicicleta. Como o clima em São Paulo é propício e as distâncias médias de viagem para integração são relativamente curtas, o potencial da bicicleta como meio de transporte na capital é enorme.

Segurança

Há um ano, a bióloga Juliana Dias, de 33 anos, morreu atropelada por um ônibus na Avenida Paulista, depois de ter perdido o equilíbrio ao discutir com o motorista de um outro ônibus que fechou a sua passagem. Sua morte provocou indignação.

Grupos que incentivam o uso de bicicletas, como o “Bike Anjo”, onde um ciclista experiente acompanha os novatos em seus primeiros dias; são sinais de que este meio de transporte está ganhando espaço nas ruas paulistanas.

Além das ciclovias, separadas dos outros veículos, existem 120 km de ‘ciclofaixas’ que funcionam aos domingos e feriados. Também há 58 km de ‘ciclorrotas’ localizadas geralmente em ruas laterais, sinalizadas com pintura especial e placas.

Mesmo assim, em São Paulo, 52 ciclistas morreram em acidentes de trânsito em 2012. Em 2010 foram 49.

E fora do Brasil

Em Bogotá, cidade com a maior extensão de ciclovias da América Latina, são 376 km destinados às bicicletas.

Na capital alemã, o uso da bike é muito incentivado. A cidade possui uma estrutura com cerca de 700 metros de vias exclusivas por quilômetro quadrado, já em São Paulo a média é de 30 metros por quilômetro quadrado.

Em Londres, além de haver mais ciclovias e sinalização para os ciclistas, na maior parte da cidade carros e bicicletas dividem o mesmo espaço. A diferença fundamental está na maneira como os veículos, de maneira geral, tratam a bicicleta como parte do trânsito – e não como corpos estranhos, como no Brasil. Basta notar que na capital inglesa os ciclistas podem utilizar a faixa exclusiva dos ônibus, como opção mais segura, enquanto nas cidades brasileiras não seria algo aconselhável. O sistema público de aluguel de bicicletas, lançado em 2010, tem se mostrado um verdadeiro sucesso.

Mobilidade Sustentável

Apesar de a bicicleta ter sido tradicionalmente um veículo para uso associado ao lazer e esporte, seu uso vem sofrendo enormes mudanças; tornou-se uma ferramenta de mobilidade cada vez mais usada para fazer todos os tipos de viagens, particularmente aqueles associados com o deslocamento: ir trabalhar ou estudar. A bicicleta começa a fazer parte da agenda política e institucional oferecendo novos sistemas de serviços de mobilidade, entre outras características, porque é um meio de transporte simples, prático e ecológico e promove uma cidade sustentável, sem fumaça e ruído.

É preciso educar motoristas e ciclistas

O motorista deve entender que a bicicleta não é um brinquedo ou forma de lazer, e sim um meio de transporte, que deve ser respeitado como tal. E o ciclista precisa saber que também deve cumprir as leis do trânsito, respeitar a sinalização e dar prioridade aos pedestres.

A existência de bicicletários seguros e bem localizados é essencial para incentivar as pessoas a usarem a bicicleta como meio de transporte integrado ao transporte público. Mostrando ao público que os ciclistas são bem-vindos, instalações para estacionar bicicletas funcionam também como uma mensagem para motoristas considerarem usar a bicicleta no futuro.

Uma cidade que quer se tornar mais amigável para os ciclistas precisa criar um ciclo virtuoso: é preciso segurança para que mais gente aceite trocar o carro pela bicicleta, mas também é preciso mais ciclistas para que a cidade se torne mais segura para eles.

*Cristina Baddini
Consultora do Diário do Grande ABC e Assessora do MDT
cristinabaddini@dgabc.com.br; blog: http://olhonotransito.blogspot.com

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