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Atitudes dos pais estão ligadas ao comportamento dos filhos, inclusive no trânsito

Para especialistas, quanto menor a criança, maior é a exigência de atenção e cuidados por parte do  responsável

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Atitudes dos pais estão ligadas ao comportamento dos filhos, inclusive no trânsito

Bernardo, sete anos, adora super-heróis como toda criança dessa idade. Vez ou outra, a mãe o pega brincando de simular tragédias, sejam colisões entre seus carrinhos ou catástrofes envolvendo aviõezinhos e bonecos. “Acredito que seja um comportamento comum na idade dele, mas não sei de onde surge a vontade de fantasiar essas situações”, conta Lara Lima, professora e mãe do menino.

Aquilo que é representado na brincadeira de Bernardo revela uma triste realidade brasileira. A principal causa de morte entre crianças de um a 14 anos são os acidentes de trânsito, segundo estatísticas do DATASUS/Ministério da Saúde (2010). Na condição de passageiras, ciclistas ou ainda vítimas de atropelamentos, os pequenos sofrem porque são incapazes de, sozinhos, compreender a dinâmica do trânsito.

De acordo com Marina Beatriz de Paula, psicoterapeuta e mestre em análise de comportamento, os pais podem perceber comportamentos diferentes nas crianças por meio da observação. “Não podemos generalizar, mas se brincadeiras envolvendo tragédias forem recorrentes, acredito ser suficiente observarmos o tipo de desenhos e filmes que essa criança tem assistido ou, ainda, que tipo de jogos tem jogado, principalmente no videogame ou internet”, explica. Para ela, é menos comum ver meninas brincando dessa forma, “o que evidencia muito mais uma influência cultural, do que uma característica da fase de desenvolvimento”, analisa a profissional.

O papel dos pais na formação da criança

Reproduzir o comportamento do adulto é o que acontece com as crianças quando elas começam a falar, andar e, consequentemente, conhecer a si mesmas. Segundo Marina, “as crianças aprendem imitando os adultos, os quais elas têm como referência e acabam reproduzindo o que veem e experienciam”. A psicoterapeuta explica que, “conforme a idade e o entendimento, é importante que essa aprendizagem também se dê por instruções, principalmente em relação ao trânsito, visto que, se aprendêssemos por tentativa e erro, por exemplo, estaríamos colocando nossas vidas em risco”, pondera.


“É importante que as regras de trânsito sejam deixadas claras, assim como as consequências de segui-las ou não”, afirma psicopedagoga.
Crédito: Perkons

 

“Os pais devem estar preparados para sanar as dúvidas que surgirem, quando surgirem. O mais importante é que haja correspondência entre o que dizem ser o certo e o que fazem na prática”, avalia Marina. A psicoterapeuta acredita que o mais importante é ser coerente. “De nada adianta dizer para os filhos que o correto é atravessar na faixa, se no dia a dia não o fazem. A mesma coisa com o uso de cadeirinha, do cinto de segurança e, mais tarde, do consumo de álcool e direção”, declara.

Dessa forma, o exemplo vale tanto quanto os ensinamentos. “Pais que zelam pelo filho compram e instalam a cadeirinha no carro e, ao longo de seu crescimento, conversam com a criança sobre sua segurança no veículo. Usam o cinto e não permitem que ela ocupe o banco da frente. São atitudes simples, que desde cedo contribuem para a formação da criança e sua compreensão sobre os riscos vivenciados no dia a dia no trânsito”, reforça Maria Amélia Franco, especialista em trânsito e gerente de comunicação corporativa da Perkons, empresa que trabalha com gestão de tecnologias para o trânsito.

Maria Amélia acrescenta que é preciso cuidado para não superestimar as habilidades e a maturidade que a criança tem como pedestre para realizar uma travessia. “Ela não tem ainda discernimento sobre a distância e o tempo a percorrer de um lado a outro da rua, assim como a velocidade dos veículos que se aproximam. Criança precisa estar acompanhada de um adulto no trânsito e estar segura pelo punho, para que não haja o risco de se soltar e correr atraída por qualquer estímulo no ambiente”, alerta.

Brinquedos e brincadeiras

A dona de casa Valquíria Alves Valentim ficou apreensiva quando a filha de cinco anos, Isabela, repetia insistentemente no banco de trás do carro: “vai, mãe, passa ele. Vamos chegar primeiro”. O instinto competitivo da menina era, na verdade, um estímulo presenciado em outra situação, quando ela estava no carro com o pai e o irmão mais velho.  Para a psicoterapeuta Marina de Paula, “pode ser que, para as crianças, tudo isso seja uma grande brincadeira. Faz parte querer chegar antes e estar em primeiro lugar. Mas a pergunta que o adulto deve se fazer é: ‘o que quero ensinar para essa criança?’. É preciso instruir as crianças de que nem sempre seremos os primeiros, os vencedores”, esclarece.

Nesse sentido, é importante explicar aos pequenos que ultrapassagens são proibidas e perigosas, o avanço de sinal não é permitido enquanto a luz permanece vermelha e se, por ventura, outro veículo arrancar antes da hora, fazê-los compreender que o motorista não obedeceu à sinalização e isso pode acabar em acidente. “Quando pensamos em conceitos como respeito, temos que sair do nível abstrato e transformá-lo em ações. O que é respeito? É um conjunto de comportamentos e atitudes práticas e concretas que foram aprendidas e, consequentemente, podem ser ensinadas”, orienta Marina.

E quando as brincadeiras deixam o campo da imaginação para ganhar a esfera concreta, outras precauções devem ser levadas em conta. Brinquedos tidos como inofensivos podem se tornar verdadeiras armas se usadas de forma errada. “Bicicletas, patins e skates são considerados brinquedos na fase infantil e, dessa forma, devem ser usados em locais de recreação – parques, ciclovias e praças – e não nas ruas. E o mais importante: o presente deve vir acompanhado de equipamentos de segurança como cotoveleiras, joelheiras e capacete”, recomenda Maria Amélia.

Tanto Bernardo quanto Isabela ainda misturam fantasia e realidade, como qualquer criança. “Sendo assim, é importante que as regras de trânsito sejam deixadas claras, assim como as consequências de segui-las ou não”, finaliza Marina.

Serviço:

Dicas de segurança no trânsito para pequenos pedestres podem ser conferidas no site Trânsito Ideal. Já para os pequenos passageiros, as recomendações estão no  link.


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