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As lições de mobilidade que a África do Sul tirou ao sediar a Copa

No primeiro dia do 18º Congresso da ANTP, os participantes ouviram a diretora sul-africana de mobilidade

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As lições de mobilidade que a África do Sul tirou ao sediar a Copa

Nos próximos anos, o Brasil deve encarar dois grandes desafios que vão testar definitivamente a capacidade de gestores da mobilidade: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas Rio 2016. O tema, que já gera discussão por conta dos gargalos das vias e dos sistemas de transporte no país, foi alvo das primeiras apresentações do 18° Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, realizado pela Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), entre os dias 19 e 21 de outubro no Rio de Janeiro.
Com foco nas possíveis soluções para o transporte em massa, a ANTP convidou a diretora de Mobilidade da Copa da África do Sul em 2010, Luzanda Madikizela, e a responsável pelo setor de transporte do Comitê Olímpico Rio 2016, Regina Amélia Oliveira.
Tendo vivido recentemente a experiência de abrigar o maior evento esportivo do mundo, Luzanda trouxe ao conhecimento dos participantes do congresso as lições aprendidas pelos sul-africanos: “É importante alinhar todas as cidades-sede num plano conceito o quanto antes. Se os projetos não são acompanhados de perto, os gestores municipais começam a caminhar com planos de mobilidade e investimentos sozinhos, o que desordena todo o plano diretor, gerando atraso e até paralisação em obras”, alerta.
Com dimensão muito menor do que o território brasileiro, a África do Sul, segundo Luzanda, priorizou, ao contrário do que se previa, estrutura para transporte a longo prazo: ‘Pensamos no pós evento na hora de desenvolver as soluções para fluxo e estratégias de movimentação. Assim, conseguimos contribuir efetivamente para o desenvolvimento do país, no sentido de melhorar a qualidade de vida da população”, disse. Em sua conclusão, Luzanda deixou um conselho aos brasileiros: ‘Estabeleçam um controle do que está e o que não está sendo feito. Só assim, a equipe responsável poderá focar na solução das questões. E foquem na comunicação centralizada. Quanto mais pessoas envolvidas no processo, mais confusa fica a organização”, complementou Luzanda, que vivenciou essas barreiras.

RIO 2016
“O Rio está em obras”, sinalizou o diretor da regional Rio da ANTP, Wilian Alberto Pereira, em seu discurso de boas-vindas aos congressistas. Um estímulo às empresas que atuam no setor de trânsito, que veem nos eventos esportivos uma grande oportunidade de evolução na mobilidade. Para José Mario de Andrade, diretor da Perkons, empresa especializada em tecnologias para gestão do trânsito, o cenário favorece os investimentos no setor: “Temos que aproveitar a união de forças com foco em investimentos em transporte, fluidez e segurança no trânsito. Não é de hoje que sabemos que um trânsito seguro é sinônimo de evolução na cultura do país”, afirma.
Mais tarde, a impressão foi confirmada pela Diretora de Transporte do Comitê Olímpico Brasileiro, Regina Amélia Oliveira. Segundo ela, o grande desafio é adaptar a rotina de uma cidade nas proporções do Rio de Janeiro para receber o evento: “Apostamos na implementação do que chamamos de faixas olímpicas, que são corredores exclusivos para que os veículos oficiais do evento possam trafegar mais tranquilamente. Estimamos que seis mil veículos, entre carros, ônibus e coletivos, circulem nos 60 dias de evento mais de 65 mil quilômetros“, conclui.


Ailton Brasiliense Pires inaugura as atividades do congresso, que vai até sexta-feira

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