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Acidente com caminhão, carreta e ônibus. Porque acontecem e quais as consequências?

por Dirceu Rodrigues Alves Jr*

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Um país com uma vasta rede fluvial, uma orla marítima favorável ao transporte, desprovido de rede ferroviária para escoar matéria prima e toda sua produção envereda para um “sistema rodoviarista” que gera alto custo, propicia o acidente e a criminalidade através de roubos, assaltos, sequestros e mortes.

A frota brasileira de caminhões e carretas deve estar em torno de três milhões. Dos motoristas, 83% são autônomos, 16% tem vínculo empregatício e 1% são cooperativados. Entendemos que os autônomos vivem no desamparo, desassistidos para o lado da saúde, da qualidade de vida e de todo o suporte para o real desempenho da função. Os caminhões e carretas têm em média 21,5 anos de fabricação, estão bastante rodados e a manutenção é precária.
Em 2008, 60.558 caminhões envolveram-se em acidentes nas rodovias federais. Já em 2009 tais acidentes correspondem a 25% dos acidentes em rodovias federais. Agigantam-se os prejuízos material e humano. Perdas de vidas, sequelados, incapacitados, crescem os problemas sociais e não se encontra por parte das autoridades solução para tão grave problema.
Por incrível que possa parecer 93% desses acidentes ocorrem por falha humana. Os principais fatores que conduzem a falha são:
– Jornadas longas
– Lapsos de atenção
– Déficit de atenção
– Falta de concentração
– Fadiga
– Sono
– Desobediência à sinalização
– Velocidade acima do permitido
– Álcool/Drogas

No acidente envolvendo carreta ou caminhão a possibilidade de ocorrência de óbito é sete vezes maior que em outro acidente.
Com ônibus essa possibilidade é doze vezes maior.
Costumamos dizer que hoje, em todo acidente rodoviário existe um profissional do volante envolvido.
Fadiga e sono correspondem a 60% desses acidentes. E por incrível que possa parecer 66% desses trabalhadores tem jornadas acima de 8 horas.

Quanto custa um acidente rodoviário?
Não computamos aqui custo material, mas o custo com vidas, vítimas, sequelados, danos no âmbito da família, os problemas sociais gerados, as consequências de um momento tão curto que é o instante do acidente e que produzirá consequências a longuíssimo prazo.

O ato de dirigir parece tão simples, inócuo, inofensivo, prazeroso, mas visto com o perfil profissiográfico vemos que não é tão simples como todos imaginam.

É um ato complexo que depende de múltiplas funções entre elas funções cognitivas, motora e sensório perceptiva.
A cognitiva são estruturas básicas que servem como suporte para todas as operações mentais. Compõe a base da atividade intelectual. Permite perceber, elaborar e expressar informações.
A origem está nas conexões cerebrais. Esta função cognitiva constitui a estrutura do pensamento que vai se adaptando e acomodando nos diferentes modos de interação com o ambiente.
Identificados tais agentes causais temos que ter ações de órgãos diretores do transporte para sanarmos os danos físicos e materiais que a todo o momento são estampados nos nossos periódicos.

 

*Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET
www.abramet.com.br
dirceu.rodrigues5@terra.com.br

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