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A tragédia da (in)segurança viária brasileira

por Archimedes A. Raia Jr.*

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No Brasil, a acidentalidade no trânsito constitui uma verdadeira hecatombe. Em 2010, dados do Ministério da Saúde contabilizam que em mais de 1 milhão de acidentes morreram cerca de 41 mil pessoas, 500 mil feridos, dos quais milhares ficam com sequelas graves permanentes.

O índice de mortes por bilhão de quilômetros percorridos pela frota de veículos (IMBQ) – parâmetro mais adequado para medir a segurança no trânsito – do Brasil, é muito alto comparado com os de países desenvolvidos. Segundo a obra “Segurança Viária”, de Ferraz, Raia Jr., Bezerra, Bastos e Rodrigues (Ed. Suprema, 2012), o IMBQ brasileiro é de 6 a 12 vezes maior, em relação aos países mais desenvolvidos, tomados como referência.

No período de 2006 a 2010, tem-se, de forma decrescente, a gravidade das taxas de (in)segurança no trânsito: Brasil (54,5 mortes/bilhão km rodados), França (7,8), Japão (7,7), Canadá (7,3), EUA (7,1), Austrália (6,7), Israel (6,4), Alemanha (6,0), Suíça (5,7), Holanda (5,6), Reino Unido (4,6) e Suécia (4,4).

Considerando-se a evolução das taxas de fatalidades de alguns países, de 2000 a 2011, o Brasil está em extrema desvantagem. Segundo dados do International Road Traffic and Accident Database, tem-se: Espanha (64%), Islândia (63), Dinamarca (56), Portugal e Luxemburgo (57), Irlanda (55), França (52), Eslovênia (55), Lituânia (54), Noruega (51). O Brasil, de 2000 a 2010, conforme o Ministério da Saúde, registrou aumento no número de mortos em 41%.

Se o Brasil é o sexto país mais rico do mundo, atrás de EUA, China, Japão, Alemanha e França, e na frente de Reino Unido, Itália, Rússia e Índia, o que pode justificar um desempenho tão pífio com relação à sua segurança viária? O que fazem estes países exitosos? Investimentos na qualidade das infraestruturas viárias; renovação da frota, pois os veículos novos têm incorporado grandes avanços em equipamentos e dispositivos de segurança viária; forte atuação de fiscalização; e desenvolvimento de filosofias e ações eficientes e eficazes voltadas para a segurança viária.

Alguns países adotaram a premissa de que é inaceitável qualquer morte ou ferimentos graves como resultado de colisões automobilísticas. Na Visão Zero da Suécia, p. ex., “ninguém deve morrer ou ser gravemente ferido em consequência de acidentes de trânsito e que a concepção e funcionamento dos sistemas rodoviários devem ser adaptados às necessidades decorrentes desta decisão”. Para a Dinamarca “cada acidente é um impacto demasiado para muitos – a segurança rodoviária começa com você”, e vai na mesma linha da Visão Zero. Já, a visão da Holanda é baseada em Segurança Sustentável, que se concentra na prevenção de colisões e em tornar as vias mais tolerantes em função do erro humano por parte dos seus usuários. Significa que os sistemas devem ser projetados de tal forma que, mesmo com o erro humano, os resultados não podem se transformar em mortes e pessoas gravemente feridas. Estas visões são abrangentes e ambiciosas e se traduzem de maneira crítica em objetivos traçados para a segurança viária.

No Brasil, como é feito seu planejamento estratégico e como é desdobrado em ações efetivas? São estabelecidas metas ambiciosas? Seus resultados são monitorados? É feita uma análise com benchmarking para comparar os resultados? Os planos supostamente traçados para a Década da Segurança conduzirá o país a melhores patamares de acidentalidade viária?

Infelizmente, a maioria dessas respostas será negativa. Nesta Década, se nada diferente for feito, não só não será atingida a meta de redução de 50% nas mortes no trânsito, como continuar-se-á a conviver com taxas que se elevam anualmente, matando mais brasileiros no trânsito do que pessoas nas guerras modernas.

*Archimedes A. Raia Jr.
Engenheiro, doutor em Engenharia de Transportes, especialista em Engenharia e Segurança Viária, professor da UFSCar, coautor dos livros Segurança no Trânsito, Segurança Viária e Polos Geradores de Viagens Orientados a Qualidade de Vida e Ambiental. Diretor de Engenharia da ASSENAG.

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