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A revolução das bicicletas

Londres inaugurou, na última semana, duas Cycles Superhighways. Embora eficaz, o projeto ainda precisa evoluir, o que só pode ser feito com a conscientização e mobilização da sociedade. Será que o projeto é viável no Brasil?
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CURITIBA, 27/7/2010 – A mobilidade no trânsito é, cada vez mais, pauta para discussão, não somente entre órgãos responsáveis pelo seu funcionamento, mas também na sociedade. Acompanhando os conceitos de sustentabilidade e fluxo eficaz, Londres inaugurou na última semana mais algumas Cycles Superhighways – vias exclusivas para o trânsito de bicicletas.
    O projeto, considerado inovador, é uma otimização das vias para ciclistas já existentes há bastante tempo na Europa, especialmente por oferecer rotas contínuas que comutam regiões da periferia da cidade ao centro. O objetivo é agilizar o deslocamento, oferecendo a bicicleta como meio efetivo de transporte: seja para trabalhar, lazer ou qualquer outro intuito.
    O projeto ainda é novo em Londres e os usuários estão experimentando a novidade e avaliando seus benefícios. As “vias azuis” contam com grande apoio dos seus usuários, que formaram grupos de discussão e representação perante a prefeitura. Além disso, entidades da sociedade civil organizada trabalham insistentemente em campanhas de educação dos condutores, ciclistas e pedestres. Exemplo dessas organizações é a London Cycling Campaign (LCC), que atua angariando membros e reivindicando melhorias.
    As superhighways de bicicletas estão invadindo Londres. São previstas mais dez rotas até 2015. E, ao contrário do que pode parecer, a medida veio por necessidade extrema, já que a cidade enfrentava congestionamentos absurdos. Além disso, o advento do congestion charging (conhecido como pedágio urbano) tornou a circulação na parte central da cidade custosa e, diante isso, os londrinos precisaram buscar alternativas para o transporte.
    Esse conceito de mobilidade sustentável ganha espaço e inicia sua discussão também no Brasil. A questão intrínseca aqui é: seria este modelo viável em terras nacionais? Para Hartmut Günther, especialista em psicologia do trânsito e professor da Universidade de Brasília, ainda não.
    O professor pondera que há muitos passos a serem dados antes da implantação da cultura da bicicleta como meio de transporte oficial no Brasil. “Precisamos analisar vários aspectos: o clima no país não favorece. Por exemplo, é difícil alguém se locomover até o trabalho de bicicleta sem chegar suado. Outra questão é a falta de estrutura, de vias específicas para os ciclistas: a maioria delas começa do nada e leva a lugar algum. É preciso que, acima de tudo, isso seja eficiente, o que ainda não acontece”, avalia.
    O psicólogo com formação internacional afirma que o modelo, para ser consolidado, precisa também de um trabalho muito forte em cima de campanhas de educação e conscientização: “No trânsito, sempre quem tem mais proteção, é maior e mais potente, acaba vencendo. O comportamento intolerante do motorista sobre o ciclista e do ciclista sobre o pedestre é evidente e precisa ser trabalhado por meio de exemplos. Em Munique, na Alemanha, o próprio prefeito se locomove de bicicleta”, exemplifica.
    Günther conclui falando sobre o status da bicicleta hoje, no Brasil: “A bicicleta ainda é vista como brinquedo de criança com poder aquisitivo alto e transporte para pobres. Paralelo a isso, há falta de segurança – não existe uma via dedicada ao veículo. Para completar o debate, há a violência: uma falta de respeito para com o outro e isso não se estende apenas ao motorista”, encerra.

Fonte: Transport for London (www.tfl.gov.uk)

Bicycles Highways: Londres avança na proposta de transporte sustentável

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