NOTÍCIAS

Uma reflexão sobre escolhas no trânsito

Por Alex João Costa Gomes*

Publicado em

“Quando um motorista, deliberadamente, comete uma infração que causa dano a outras pessoas, não pode ser considerado acidente. Ou seja, homicídio doloso. As leis precisam mudar.” (Valeria Rosa)

Quando alguém age deliberadamente, está decidido a fazer o que pretende, o que tem em mente. Isso casa muito bem com a questão daquele que sai com o objetivo de beber e depois dirige, pois, feito isso, com certeza não podemos falar em acidente. Um acidente é algo inesperado e qualquer indivíduo sapiente e no uso de sua racionalidade sabe que a mistura de álcool e direção não combina e pode gerar sim um acidente, visto que a percepção da realidade muda totalmente. Além do que, essa mistura é uma pratica criminosa se constatada, e pode gerar danos irreversíveis e irreparáveis em caso de vítimas.

A vida é feita de escolhas, assim, o condutor pode escolher dirigir sob o efeito do álcool ou não. Nada o impede de ingerir bebidas alcoólicas, desde que não tome a direção de um veículo. O condutor embriagado pode optar em pegar um outro meio de transporte que não o próprio, ou pedir a alguém que sóbrio dirija para ele; pode ser um parente, um amigo ou o tão falado “amigo da vez’, aquele que na saída do dia não fará uso de álcool ou qualquer tipo de droga que possa afetar suas condições psíquicas.

O dolo está no agir consciente, na livre vontade em fazer algo ou induzir o outro para que faça. Podemos inferir que é sim uma questão de escolha. Partindo dessa premissa, sem entrar nos pormenores do Direito Penal, podemos considerar que não há o que se falar em culpa quando o sujeito bebe e dirigi, pois sabe está pondo em risco a vida de terceiros e a própria vida.

Desde de 2008 essa prática vem sendo combatida com mais firmeza pelos órgãos fiscalizadores de trânsito do Brasil. Assim como a maioria das infrações de trânsito cometidas no país, que são oriundas da má conduta humana nas vias, dirigir sob o efeito do álcool também o é. Vejamos… Já que o condutor pode contribuir negativamente com esse caos que vivemos no trânsito, ele também pode mudar sua conduta e contribuir de forma positiva, valorando a vida e humanizando as relações existentes no trânsito.

Fazer a escolha de sair de casa, do trabalho ou de qualquer outro lugar, e levar sofrimento à vida de terceiros, causando danos irreversíveis e irreparáveis quando provocamos acidentes nas vias, sem dúvida que não é a melhor e nem a única opção que temos. Devemos refletir sobre nossa postura no trânsito, quer seja como transeuntes ou condutores, pois algo deve ficar bem claro em nossas mentes: o trânsito que temos e queremos somos nós que construímos! É preciso haver mais tolerância e respeito nas relações sociais que hoje temos nas vias do Brasil, pois só assim avançaremos na construção de um trânsito mais seguro e humanizado. Pelo exposto, podemos e devemos sim escolher mudar o trânsito para melhor.

Alex João Costa Gomes é ex-diretor presidente do Detran/AP e policial militar da PMAP

COMPARTILHAR

Veja

também

Inovação e Gestão Urbana: temas centrais do Perkons Connect

Segurança no trânsito em foco no Perkons Connect

Primeira edição do Perkons Connect será em São José do Rio Preto

Relatório de Transparência Salarial

Visão Zero é capaz de transformar a mobilidade urbana no Brasil

Maio Amarelo 2024: Paz no trânsito começa por você

Perkons destacará suas soluções inovadoras e impacto na segurança viária na Smart City Expo Curitiba 2024

Lei da Cadeirinha completa 16 anos

Celebrando o aniversário do Código de Trânsito Brasileiro: 26 anos de avanços e transformações

Um alerta para o risco das ultrapassagens indevidas

Nascemos do ideal por um transitar seguro e há três décadas nossos valores e pioneirismo nos permitem atuar no mercado de ITS atendendo demandas relativas à segurança viária, fiscalização eletrônica de trânsito, mobilidade urbana e gerenciamento de tráfego.