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Uma nova cultura de mobilidade

por Cristina Baddini Lucas*

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Para a criação de uma nova cultura de mobilidade urbana e para a avaliação dos recursos financeiros necessários, precisamos avaliar as boas práticas existentes; precisamos de muita  pesquisa e investigação; de desenvolvimento tecnológico; de um quadro normativo que regulamente a atividade urbana; e de incentivos econômicos e financiamento para a mobilidade sustentável. Enfim, precisamos que os novos governos municipais tenham um Plano de Ação baseado na Lei 12.587/12. É preciso também  garantir a segurança no trânsito e eficiência na circulação, para que possamos cumprir a meta da  Organização Mundial de Saúde (OMS) de redução em 50% do número de mortos em acidentes de trânsito.

Mortos e feridos sobre duas rodas

Em contraste com o que se verifica nos acidentes envolvendo automóveis, mais de 70% dos acidentes com motocicletas geram vítimas que requerem atendimento médico-hospitalar e serviços de resgate. Movendo uma frota 10 vezes menor, os motociclistas têm 20 vezes mais chances de morrer no trânsito do que os ocupantes de automóvel. O fenômeno é complexo e vai além da mera alienação consumista da população abandonando o transporte público e trocando pelo conforto perigoso das motocicletas.  Os motociclistas estão na liderança das vítimas do trânsito em São Paulo, assim como em todo o país. O Poder Público vem sendo  omisso neste quesito.

Feridos nas calçadas

Uma em cada cinco vítimas de quedas atendidas no Hospital das Clínicas, em agosto, se acidentou nas calçadas de São Paulo. De 197 pacientes que deram entrada no pronto-socorro de ortopedia, 35 relataram ter caído nas ruas. Desse total, 40% dos acidentes foram causados por buracos.

Um amigo meu comentou que se a Maria Antonieta fosse brasileira e primeira dama paulistana, diria: “Se as calçadas são tão inseguras e o povo tem tanto carro na garagem, porque sair a pé?”

Mobilidade Sustentável

A mobilidade sustentável é uma bandeira que já está sendo levantada, há tempos, por algumas marcas. Desde o ano passado, o Itaú instalou, no Rio de Janeiro um sistema de locação de bicicletas. O projeto também chegou a São Paulo. Com a mesma intenção de estimular o transporte sobre duas rodas, o Bradesco é o principal patrocinador da ciclofaixa de lazer na capital paulista,  em ruas e avenidas da cidade que, aos finais de semana, são reservadas somente aos ciclistas.

Bicicletas Públicas em Barcelona

As bicicletas fazem parte da paisagem da cidade de Barcelona. Há seis anos, no entanto, as ruas do local não eram tão amigáveis ao meio de transporte — era 80 quilômetros de ciclovias, algo que limitava a circulação das bicicletas para algumas áreas da cidade. Hoje, Barcelona já ampliou suas ciclovias para 230 quilômetros, fazendo das bikes uma opção comum de transporte para os moradores locais e turistas.

No início, Barcelona não tinha essa cultura de uso de bicicletas, assim como o Brasil ainda não tem. Esperamos que, aos poucos, as pessoas percebam as vantagens do meio de transporte e do nosso modelo de negócio e que, com isso, as prefeituras passem a se preocupar com a elaboração de uma infraestrutura adequada aos ciclistas.

O principal motor do projeto da empresa espanhola quando decidiu vir ao Brasil  é a publicidade. Os pacotes de patrocínio envolvem desde a exposição da marca dos anunciantes em todas as bicicletas e estações e alguns outros pontos específicos. Os projetos no Brasil ainda estão em fase experimental em Campinas/SP e São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

E o transporte público?

Fundamental ainda são medidas de restrição a automóveis e motos e a integração dos veículos particulares aos sistemas estruturantes de transporte público, a implementação de corredores exclusivos de transporte publico de superfície, operados com ônibus (BRTs) ou trilhos (VLTs) e um nível mais apurado de informações sobre os serviços aos usuários.

 

*Cristina Baddini Lucas
Assessora do MDT, colunista do Diario do Grande ABC (Coluna De Olho no Trânsito)

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