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TUK TUK é alternativa para o nosso trânsito?

por Dirceu Rodrigues Alves Jr.*

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A produção cresce a todo vapor em empresas automotivas já instaladas em nosso país. Espaços não são criados, derivados fósseis continuam a ser utilizados, fragilidade do veículo não é percebida, a importância de óbitos e sequelados no trânsito parece ter deixado de ser doença epidêmica negligenciada pelo governo. Libera-se produção de veículos que trarão mais dor de cabeça ao estado e a toda sociedade. A preocupação maior não é com a qualidade de vida e tão pouco com a vida. O crescimento econômico parece prevalecer em relação à vida.

Quando falamos em mobilidade temos que pensar na segurança. A fragilidade dos veículos populares é hoje elemento importantíssimo na propagação da energia de uma frenagem brusca ou de uma colisão. Com impacto, 90% dessa energia deve ser absorvida pela estrutura do veículo, permitindo reduzida propagação para aqueles que se encontram no seu interior. Costumamos dizer que após o impacto frontal, essa desaceleração brusca conduz motorista e passageiros a continuarem na velocidade em que estava o veículo, sendo projetados para cima e para frente, indo colidir com estruturas do veículo e entre si. Aparecem então, dependendo da intensidade desse impacto, lesões em três níveis:

1ª colisão – pele, tecido celular subcutâneo.

2ª colisão – músculos, nervos, vasos, artérias e vísceras.

3ª colisão – articulações, ossos.

A propagação da energia gerada e sua intensidade produzirão os danos citados. Quanto maior a velocidade maior será essa energia. Tudo está dentro da cinemática do trauma.

O veículo que entra no mercado brasileiro conhecido como “MOTOCAR” ou “TUK TUK” é originário do Japão e difundiu-se para Tailândia, Índia, China e outros países asiáticos. É um veículo leve, frágil e que ocupa o espaço de um automóvel na via.

Veja, a Índia é a primeira no rank mundial de óbitos no trânsito, seguida pela China. Hoje, são países que difundirão o veículo e que têm a maior frota do “TUK TUK”, daí maior número de sinistros. A fragilidade desse tipo de transporte seguida de falta de regras para o trânsito me faz ficar convicto que será gerador de acidentes.

Veículos leves e pesados não podem circular no mesmo espaço.

Este novo meio de transporte está sendo implantado no Brasil, já com fábricas testando o seu produto.

A estrutura do veículo como dissemos é muito frágil e conduz motorista e dois passageiros.

Observe que estamos evoluindo para o terceiro ano da “Década de Segurança Viária” como propôs a Organização das Nações Unidas (ONU). Ao invés de reduzirmos nossos acidentes estamos aumentando-o de maneira geométrica.  A perspectiva é de termos cada vez mais acentuação dos acidentes e evoluirmos em curto prazo para liderarmos o rank mundial de óbitos no trânsito.

Quais seriam os benefícios desse novo veículo:
– leve
– velocidade máxima 70 km/h
– baixo consumo
– custo baixo
– menos poluente
– mais seguro que a motocicleta
– pode ser usado em áreas de turismo, em cidades com pouco trânsito e no campo

E os prejuízos:
– resoluções surgirão anos após implantação
– grande procura como táxi
– aumento do número de acidentes
– aumento de óbitos e sequelados
– aumento progressivo da frota
– falta de espaço para circular
– CFC não adaptado para treinamento
– não pode transitar em rodovias
– concorrerão para aumento do atendimento hospitalar
– alto custo de tratamento
– mais incapacitados para o trabalho

Será útil nas áreas rurais ou nas áreas de lazer e turismo onde a frota de veículos médios e pesados é pequena.

Para introduzirmos esse “TUK TUK” nos grandes centros teremos que ter uma pista de rolamento específica. Reafirmamos que não podemos reduzir nossos acidentes enquanto circularem na mesma via, veículos de massas diferentes.

O TUK TUK será um problema para todos nós.

 


*Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET
www.abramet.org.br
dirceurodrigues@abramet.org.br
dirceu.rodrigues5@terra.com.br

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