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Queda no uso do automóvel

por Archimedes Azevedo Raia Jr.*

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Por quase 40 anos, o uso do automóvel evoluía conforme a variação do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos. Seu uso diminuiu depois da crise americana de 2008, tal como aconteceu em períodos de crises anteriores. No entanto, a mudança verificada, ao contrário do que ocorreu após as recessões anteriores, é que o uso dos carros não voltou aos patamares precedentes.

Pesquisas realizadas pelo Centro Nacional de Sistemas de Transportes dos Estados Unidos apontam para um declínio no uso do automóvel, que tem se concentrado, principalmente, entre os jovens e adultos jovens. O declínio no uso por parte de jovens não é novidade, mas a redução por parte dos adultos jovens é. A queda no uso de carros tem sido muito mais comum entre os homens do que as mulheres.

Ao longo da última década, o uso de automóveis pelos homens diminuiu em todas as faixas etárias, exceto entre aqueles acima de 65 anos. A diminuição entre as mulheres ocorre na faixa de 20 a 30 anos de idade, porém, as mulheres entre 30 e 60 anos estão dirigindo mais. Interessante constatar que pessoas idosas de ambos os sexos também estão dirigindo mais. Uma das explicações para essa tendência é que os idosos estão trabalhando mais hoje do que no passado.

As maiores quedas no uso do veículo particular, desde o início da década de 2000, têm-se concentrado, preponderantemente, entre as famílias de baixa renda, cujos hábitos de dirigir são mais sensíveis às mudanças da renda familiar.

Porque as pessoas estão dirigindo menos? Algumas causas não são novas. A compra de automóvel esbarra na saturação no trânsito, além do fato de estar mais caro comprar e manter um carro. Também, novas leis têm restringido o acesso de jovens à carteira de motorista.

Algumas novas e prováveis causas para a redução do uso de automóveis são identificadas. Os preços da gasolina vêm subindo acentuadamente, desde 2005. Além disso, os jovens estão pagando mais caro pela educação, hoje, sobrando menos dinheiro para adquirir um carro. Esta situação é agravada pela dificuldade que o jovem americano vem se deparando para conseguir emprego.
O teletrabalho promoveu redução de apenas 1% no trânsito. O comércio eletrônico reduziu o uso de automóveis, porém requer mais viagens de caminhões para entregar as compras. Um fato inesperado e lamentável é que a queda no uso do automóvel não tem se refletido na migração significativa para outros modos: transporte coletivo, bicicleta ou a pé.

O impacto da queda no uso de veículos pode trazer preocupações? Não, pois se espera que isto ocorra, em médio e longo prazos, em favor de um transporte sustentável. Menos tráfego resulta em menos poluição do ar, aumento da segurança viária, e menos congestionamento. Mas, ações efetivas deveriam ser empreendidas para favorecer o transporte sustentável.

O que será que isto tem a ver com o Brasil? Seria bom que aprendêssemos com as experiências dos demais países, sejam elas positivas ou negativas. Este estado caótico do trânsito brasileiro teria sido evitado se tivéssemos aprendido com a experiência negativa vivenciada pelos americanos, desde a década de 1970.

Nos primórdios dos automóveis, ele foi tratado quase como se fosse um brinquedo destinado a adultos. Em seguida entendeu-se que aquele brinquedo se tornava acessível e muito perigoso, além de outros impactos negativos proeminentes: poluição do ar, sonora, acidentes, congestionamento, etc. Mais que tudo isso, este brinquedinho viria a se tornar uma arma letal, quando manuseada por condutores sem capacidade técnica e psicológica.

O automóvel tem sido o vilão das cidades médias, grandes e aglomerados metropolitanos, que se mostraram despreparados para recebê-lo. Eles se transformaram de locais de convivência, inter-relações, troca de experiências, em palcos violentos, mortais e desumanos.

O fundamento da Gestão da Qualidade denominado de “melhoria contínua” implica em aperfeiçoar o desempenho e aprendizagem, que devem ser objetivos permanentes por parte de políticos e gestores do trânsito. Aprender com o sucesso e o fracasso do outros é etapa importante neste aspecto. Parece que o Brasil desconhece este conceito.

*Prof. Dr. Archimedes Azevedo Raia Jr.
Engenheiro, Mestre e Doutor em Engenharia de Transportes pela USP, professor e coordenador do Núcleo de Estudos em Engenharia e Segurança de Tráfego Sustentável da UFSCar e co-autor do livro “Segurança no Trânsito”, Ed. São Francisco. E-mail: raiajr@ufscar.br

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