NOTÍCIAS

Profissão regulamentada, mas sem capacitação

Mototaxistas e motofretistas têm permissão para trabalhar em vários municípios brasileiros, mas falta instrução

Publicado em
Profissão regulamentada, mas sem capacitação

Pedestres sempre foram as maiores vítimas do trânsito, mas, pela primeira vez, a mortalidade de motociclistas em acidentes superou a de pedestres. Os dados são de um levantamento do Ministério da Saúde, divulgado este ano, que mostra o aumento de 113% no número de atendimentos a motociclistas, entre 2008 e 2011, pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O aumento mais impressionante foi registrado em Pernambuco – o custo de internações por acidentes com motociclistas cresceu 1.286% em quatro anos.

Nesta sexta reportagem da série sobre motociclistas da Perkons, destaca-se a situação dos profissionais que utilizam a motocicleta como instrumento de trabalho: os mototaxistas e motofretistas.

Entre os milhões de condutores em todo o país, grande parte deles utiliza a motocicleta como instrumento de trabalho, como é o caso de motofretistas e mototaxistas. Por estarem ainda mais sujeitos a riscos, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) instituiu curso especializado obrigatório por meio das Resoluções 350 (revogada em 03 de agosto pela 410/2012) e 356/2010 (alterada pela 378/2011) e estabeleceu os equipamentos de segurança necessários para o exercício da função. Quando a resolução 350 entrou em vigor em agosto de 2011 todos os estados tinham um ano para se adequar às exigências, mas este mês o governo decidiu prorrogar até fevereiro de 2013 essa capacitação.

O adiamento aconteceu, entre outros motivos, porque a grande maioria dos condutores ainda não conseguiu se adequar às novas regras. A insuficiência de locais credenciados que oferecem os cursos era um dos impeditivos – tanto é que o Contran ampliou a oferta também para os Centros de Formação de Condutores (CFC) e permitiu que fossem realizados cursos semipresenciais (ensino a distância). Em muitos casos, porém, é a falta de recursos do motociclista que dificulta a realização da capacitação. ”O Estado deveria bancar, para quem não pode pagar, o complemento necessário que excedesse as 30 horas obrigatórias”, expõe o o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) Ailton Brasiliense.      Mas o curso é suficiente? ”Na teoria, a capacitação é razoável”, pontua Brasiliense. No entanto, ele ressalta que a deficiência vem desde os cursos de formação. ”Em boa parte dos exames de habilitação de motocicleta, o candidato não chega a engatar a segunda marcha. Esses cursos de capacitação nada mais são que o complemento de uma coisa muito fraca que ele recebeu anteriormente. Deveríamos rever toda a questão de habilitação”, defende.

Esse é um dos motivos pelos quais a ANTP se coloca contrária ao uso da motocicleta para transporte de passageiros – o conhecido mototáxi. ”O equilíbrio da motocicleta depende não só de quem a conduz, mas também de quem está junto, isto é, do passageiro. Teria que existir uma maneira de capacitar, também, o passageiro”, sustenta Brasiliense. De acordo com ele, ”já foram realizados estudos que mostram que a causa principal de acidentes envolvendo motos com passageiros é o comportamento do carona”.

”De todos os veículos existentes no Brasil, cerca de 25% são motocicletas. No entanto, mais de 40% dos acidentes de trânsito envolvem motociclistas. Não há lógica nisso”, analisa o presidente da ANTP, que aponta também a falta de informação no trânsito como um dos responsáveis pelo grande número de acidentes. ”O problema no Brasil é que muitos acidentes acontecem com pessoas que jamais tiveram qualquer informação de trânsito na vida. E não adianta chamá-las de estúpidas; é dever do Estado capacitar essas pessoas dando a elas o mínimo de informação”, argumenta.

No interior do Brasil

Com apenas 24 anos de existência e pouco mais de 250 mil habitantes (dados Departamento de Vigilância Ambiental do município mais atuais), Parauapebas, no Pará, representa uma das mais de 3,5 mil cidades brasileiras onde é permitido o transporte de passageiros em motos. Lá, de acordo com o Departamento Municipal de Trânsito e Transporte (DMTT), a categoria conta com cerca de 700 profissionais cadastrados.

O Pará é um dos estados que aparecem no levantamento do Ministério da Saúde e está acima da média brasileira, com 155% de aumento nos gastos com atendimentos a motociclistas envolvidos em acidentes. O número de mortes por este tipo de acidente também aumentou no estado, passando de 247 – em 2008 – para 401 óbitos em 2010.

crédito: BlogdoWaldyr

PARAUAPEBAS, NO PARÁ: 700 mototaxistas registrados sem curso de capacitação do Contran

Assim como no restante do país, os mototaxistas parauapebenses também não realizaram o curso de capacitação determinado pelo Contran. Segundo o DMTT, uma lista contendo os nomes de todos os mototaxistas da cidade foi feita, enviada ao Departamento Estadual de Trânsito do Pará (Detran) e aguarda retorno do órgão. Atualmente, a exigência do município para os profissionais é o curso de direção defensiva. Entretanto, em 2008, cerca de 560 mototaxistas participaram do curso de capacitação Pará Duas Rodas (programa que teve coordenação do Núcleo de Relacionamento com a Sociedade Civil, órgão da Governadoria do Estado). O curso oferecia noções de direção defensiva, legislação de trânsito e de primeiros socorros.

COMPARTILHAR

Veja

também

Perkons, uma das empresas mais inovadoras do país, completa 31 anos

Chuva e neblina podem comprometer a segurança no trânsito

Aumento nos combustíveis pode diminuir número de veículos circulando

Crianças e adolescentes por um trânsito mais seguro

Maio Amarelo mostra como cada pessoa pode salvar vidas

Cresce o número de mulheres motoristas profissionais

Tecnologia facilitando a vida dos condutores

Sinalizar corretamente um acidente evita mais vítimas e infrações

Volta às aulas exige cuidados redobrados com o transporte escolar

Cruzamentos ainda são locais com grandes números de acidentes

Nascemos do ideal por um transitar seguro e há três décadas nossos valores e pioneirismo nos permitem atuar no mercado de ITS atendendo demandas relativas à segurança viária, fiscalização eletrônica de trânsito, mobilidade urbana e gerenciamento de tráfego.

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.