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Onde estão os bafômetros?

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    Ainda no final de 2008, a queixa das autoridades estaduais de trânsito era de que não havia etilômetros suficientes para a fiscalização. O Ministério da Justiça, então, fez um grande processo de pregão eletrônico para a compra dos equipamentos que medem o grau de álcool no sangue dos motoristas que apresentam sinais de embriaguez, os populares bafômetros. O pregão previa a compra de 10 mil aparelhos até novembro deste ano. Até outubro, foram entregues 4.960 bafômetros. Menos da metade contratada pelo Ministério da Justiça, que alega não ter mais verbas para receber as novas encomendas.
    O governo federal negligencia ao deixar de lado um amplo programa de aparelhamento das polícias, tanto a Rodoviária Federal quanto as Polícias Rodoviárias Estaduais.
    Cobrar por mais bafômetros na mão dos policiais que cuidam das estradas não é muito simpático para um político. No entanto, a responsabilidade do parlamentar está em fazer a fiscalização dos Executivos para que a vida seja preservada. Até agora, não houve nenhuma invenção capaz de constranger o motorista que bebe e se arrisca a pegar o volante. O bafômetro intimida e a certeza de que os policiais o têm na mão faz com que amigos e parentes sejam os principais fiscalizadores. E que o motorista pense duas vezes antes de tomar a bebida do final de semana.
    A cada final de semana, fica a apreensão de quantas mortes serão verificadas nas estradas, ruas e avenidas. As festas, o calor, o verão, as férias e o Carnaval incentivam o consumo de bebida alcoólica. Todos sabem.
    Para piorar a situação, Zero Hora trouxe de manchete nesta semana a informação de que haverá menos policiais rodoviários federais nas estradas. Serão mais automóveis com menos fiscalização. Junte-se à diminuição de efetivo a falta de bafômetros, teremos um cenário muito arriscado para todos que se aventuram pelas estradas.
    A compra dos equipamentos chegou a pouco mais de R$ 72 milhões. Cada um dos 10 mil aparelhos tem uma vida útil de três a quatro anos. Para se fazer uma comparação, a redução do número de mortes em acidentes de carro somente nos primeiros três meses da Lei Seca gerou uma economia de R$ 30 milhões. O valor é o que poupou o Sistema Único de Saúde com UTIs, ambulâncias, medicamentos, internações e mão de obra da saúde. O que não podemos é ficar esperando e depois lamentar mais um final de ano com tragédias que destroem famílias.
    Afinal, onde estão os bafômetros?

Luiz Fernando Záchia
Deputado estadual (PMDB)

Originalmente publicado no jornal Zero Hora em 24/12/2009.

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