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Longa caminhada, por Fernando Calmon

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Marcas premium investem em eletromobilidade

    O conceito da eletromobilidade começa a se ampliar e mesmo as marcas premium estão investindo muito dinheiro em pesquisas de novos materiais, baterias mais leves e de maior autonomia, além de motores elétricos mais eficientes. Porém, não há ilusões: carros elétricos serão para uso urbano. Essa especialização vem ao encontro da tendência mundial de migração do campo para as cidades. Estudos da ONU indicam que 60% da população mundial viverá em cidades em 2030 e 70% em 2050.
    Essa realidade levou a BMW a uma estratégia por etapas. Como maior fabricante mundial de automóveis premium (mais de 1 milhão de unidades/ano) acautela-se em previsões. Carros elétricos a bateria e todos os tipos de híbridos plenos (plugáveis em tomadas ou não) ocupariam de 5% a 15% do mercado mundial em 2020.
    A etapa inicial começou em 2009 com 600 Mini E (a bateria) nos EUA, Inglaterra e Alemanha. São alugados por cerca de U$$ 800/mês para pesquisa de hábitos. Na avaliação do veículo em Munique, Alemanha, impressionaram as acelerações de seu motor de 204 cv, apesar de quase 400 kg extras na massa do veículo. A bateria de íons de lítio ocupa o espaço de todo o banco traseiro. Inova no conceito de regeneração de energia: ao se levantar o pé do acelerador há forte desaceleração e melhora da autonomia em até 20% no uso urbano. Logo se consegue dosar o pedal e raramente acionam-se os freios de serviço.
    No próximo ano começam os testes com o BMW Active E, um Série 1 cupê com baterias mais leves. Terá motor e tração traseiros, espaço para quatro passageiros e porta-malas de 200 litros, 50% maior que o Mini E.
    A fábrica alemã anunciou na semana passada, em sua sede, o projeto-alvo MCV (Veículo para Megacidades, da sigla em inglês). Previsto para ser vendido em 2013, estreará nova submarca do grupo ainda não revelada. A BMW cultiva simbolismos fortes, entre eles tração traseira e perfeita distribuição de massa de 50% para cada eixo. No MCV o motor está colocado sobre o eixo traseiro, terá porta-malas na frente e atrás e peso total equivalente a um carro convencional de 150 cv. Além de manter a distribuição ideal de massas, apresenta área frontal de melhor deformação para segurança dos passageiros e de pedestres em atropelamentos.
    A fim de alcançar baixo peso relativo inovou em um chassi bipartido: forte estrutura de alumínio suporta a bancada de células elétricas no assoalho, suspensões e motor, unindo-se ao habitáculo de passageiros construído em plástico reforçado por fibra de carbono. Este material pesa metade do aço, sendo até cinco vezes mais resistente. Mas a matéria- prima depende do petróleo.
    Além de construir seu próprio motor elétrico – tradição da Fábrica de Motores da Bavária, sigla em alemão BMW –, a empresa descarta a ideia de baterias intercambiáveis em postos de troca que abreviaria para 15 minutos o tempo de recarga. “Sistema caro e inadequado a uma marca premium””, resumiram em resposta ao colunista. A aposta é recarga agendável fora dos horários de pico noturnos.
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