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Investindo na mobilidade urbana e na qualidade de vida

por Yuri Costa*

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O número de vítimas no trânsito no Brasil é o maior do mundo. Em um levantamento realizado pelo ONSV (Observatório Nacional de Segurança Viária), o país tem 31,3 vítimas fatais por 100 mil habitantes. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), aproximadamente 1,24 milhão de pessoas morrem por ano, vítimas de acidentes de trânsito. Isto significa que no Brasil, o trânsito já é a 3ª causa de morte, e que se não tomarmos atitudes rapidamente, o cenário pode piorar. As atitudes precisam vir de todos os lados; precisam vir dos nossos governantes e dirigentes dos órgãos de trânsito, vir de nós, condutores, ciclistas e pedestres.Lidar com números tão alarmantes pode ser considerada uma luta contra a imprudência, contra a isenção de culpa. Pode ser considerado, assim como o combate as drogas, uma causa social.

Hoje, coisas estão sendo feitas para melhorar este deprimente cenário. O Ministério Público de vários Estados do País passou a cobrar e impor prazos para o envio do plano de mobilidade urbana de diversas cidades, que correm o risco de não receber verbas federais para o setor, caso não cumpram com as datas estabelecidas previamente. Na cidade de São Paulo, além dos mais de 320 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus, está em andamento o plano de ciclovias, que prevê uma rede de 400km até o final de 2015. São hoje, diversos investimentos diretos ou indiretos que afetam diretamente no trânsito e na qualidade de vida nas grandes cidades. Para reforçar a importância desses investimentos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) realizou em 2014, um estudo que justifica o argumento de que dobrar o valor de dinheiro que é injetado para este setor é uma necessidade real, com benefícios a curto, médio e longo prazo.

Sabe-se que o crescimento desenfreado das grandes cidades – além de diversos outros fatores, como o acesso ao crédito e políticas expansivas que incentivam e facilitam a compra de novos veículos por quem antes não podia – é um dos maiores motivos que contribuem para o aumento da frota de carros e de malhas de transporte público, que acabam não conseguindo acompanhar devidamente a demanda do rápido aumento da população. Quanto maior a cidade mais vias são feitas e mais carros vendidos. Quanto mais carros, mais difícil fica para que se consiga controlar e combater pequenas imprudências no dia a dia, que não se limitam apenas ao momento em que o motorista conduz o carro, mas também antes disso, quando se isenta da responsabilidade de realizar revisões e manutenções preventivas.

Em levantamento solicitado pela empresa Minuto Seguros, que com base nos números gerais de acidentes de trânsito no país, separou as causas da seguinte maneira: 75% dos acidentes foram por falha humana, 12% por problemas nos veículos, 6% por deficiências nas vias e 7% por causas diversas. Com base nesses dados, é preciso que repensemos nossa participação nesses números. Não podemos mais permitir números tão alarmantes assim como não podemos mais aceitar que sejamos os responsáveis diretos pelo aumento destes gráficos.

Mudar o nosso comportamento no trânsito, seja como condutor ou seja como pedestre, deve ser um objetivo, uma causa. Levar esta causa com mais seriedade é investir não apenas na redução do trânsito e em soluções inteligentes para a mobilidade urbana, mas também em qualidade de vida. São pequenas atitudes, coisas simples, como uma atenção maior à manutenção preventiva e revisões periódicas, estudar se o transporte público não é a melhor opção. Ações como essas podem não acabar com os acidentes, mas com certeza vão diminuir muito a possibilidade de que aconteçam. E quando se trata de salvar vidas, todo esforço é válido.

Yuri Costa*
Estudante de Jornalismo pela ECA-USP

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