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Homem, via e veículo: o tripé do trânsito [Parte 3]

Para Francisco Christovam, engenheiro especialista em trânsito, é preciso considerar não somente os automóveis, mas os outros veículos que integram o trânsito.
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Veículo – o superestimado
    No contexto do tripé do trânsito, o veículo é o problema, mas também a solução para a mobilidade. Causa dos grandes engarrafamentos e mortes no trânsito, que conta com uma poderosa indústria por trás de propagandas estimulando o consumo e benefícios oferecidos pelo governo, com o objetivo de aquecer a economia.
 & nbsp;  Dentro disso, há uma série de questões de segurança que não podem ser esquecidas. Essas questões permeiam responsabilidade dos fabricantes no desenvolvimento de dispositivos de segurança e também do motorista, no caso das manutenções. O crescimento da frota e das ocorrências de problemas de fabricação e conseqüente negligência quanto aos Recalls, também não podem ser esquecidos. A maioria dos especialistas aponta uma solução: o estímulo do uso de transporte coletivo. Mas hoje, nosso especialista aprofunda o tema de forma diferente: como seu uso individual, por si só, representa um problema para o trânsito

    Panorama geral do papel do carro no trânsito? A mobilidade sempre vai envolver uma via e um veiculo, desde uma motocicleta, até um ônibus, um trem – qualquer modalidade. A questão hoje é que muita tecnologia vem sendo embarcada nos veículos, e as vias não estão acompanhando isso. Há um descompasso do quanto se investe em veículos e nas vias.& nbsp;Teríamos que ter muitos recursos – à semelhança do que é feito com a indústria automobilística, onde a concorrência é muito grande, estimulando o mercado. A automação é muito grande, não precisamos sequer estacionar um carro. Em comparação, nas vias o material aplicado é praticamente o mesmo. A parte de sinalização deveria ser muito mais avançada, detectando veículos, contando-os.

    Quais as atualizações em planejamento para circulação de veículos? Hoje, quando fazemos o projeto de uma via, precisamos considerar o veículo de duas rodas. Nas grades cidades, precisamos considerar, inclusive, os veículos de carga, porque isso significa desgaste da via. Em São Paulo, por exemplo, já não se permite VUC (veículo urbano de carga).

    Hoje, muitos municípios estão eliminando vagas nas ruas centrais para melhorar o fluxo, essa é uma tendência? As frotas de qualquer cidade crescem numa velocidade muito maior do que o espaço destinado à circulação. A rua não foi feita para estacionar, é local de circulação. Em Curitiba, onde temos uma circulação moderna, a área central oferece faixas livres, mas fazemos isso e depois permitimos que automóveis particulares parem. Uma tendência e solução efetiva, na minha opinião, são as garagens elevadas e subterrâneas. Cada vez mais precisaremos dificultar a circulação de carros particulares em favorecimento de transporte coletivo e de outras alternativas, como pedágio urbano e sistemas de restrição de rodízio. Enfim, vamos assistir a medidas cada mais no sentido de dificultar o transporte individual.

    Além do mais, acredito que o grande vilão não seja o veículo! O que houve com as motos? Elas abaixaram de preço e hoje, qualquer cidadão consegue virar motoboy, ganhando dinheiro com o transporte e aumentando os engarrafamentos.

    O automóvel é supervalorizado? Sim, para os brasileiros representa muito mais do que um meio de deslocamento; é status, meio de ir e vir para o que bem entender. O condutor apóia o investimento em transporte coletivo, mas não é para ele utilizar, é para que as ruas fiquem transitáveis e ele poder andar de carro.

    Dentro dos três pilares, qual é o mais importante? Sem dúvida, o homem, mas é ele quem tem que se deslocar. Muito se falava que atingiríamos um nível em que seria a informação que circularia e não as pessoas. Isso é mito! As pessoas vão se deslocar sempre; e como as distâncias não são possíveis de ser ultrapassadas, o veículo não vai deixar de existir. A solução para os gargalos precisa atrelar engenharia, economia e recursos pra podermos resolver a mobilidade. Precisamos compreender que a mobilidade não é um problema, mas uma realidade, que precisa ser encarada.


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