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Homem, via e veículo: o tripé do trânsito [Parte 1]

A segmentação dos componentes do trânsito foi uma forma que os especialistas encontraram para compreender melhor o comportamento e apontar soluções.
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A depuração resultou nos três pilares do trânsito. A Perkons entrevistou especialistas em cada uma das áreas para compreender melhor cada uma dessas partes.


    Três pilares balizam o trânsito: o homem, a via e o veículo. A compreensão dessas três áreas demanda, além de muito estudo e pesquisa, um aprofundamento em outros fatores que devem ser inseridos dentro do tema educação e discussão sobre mobilidade urbana.
    Plenamente integrados e dependentes, homem, via e veículo foram analisados respectivamente pelos especialistas Andréa Nascimento – psicóloga do trânsito e presidente do Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo, Lúcia Maria Brandão – Engenheira de Tráfego – e Francisco Christovam, engenheiro especialista em trânsito, que responde pelo cargo de secretário adjunto da Secretaria do Estado dos Negócios dos Transportes de São Paulo:

Homem, o eterno mutante
    Andréa Nascimento é psicóloga de trânsito e presidente do Conselho de Psicologia do Espírito Santo, estado com educação e campanhas bastante avançadas no setor. Para Andréa, o motorista não pode ser definido de forma maniqueísta; apenas uma característica é comum: a da adaptação à situação. Acompanhe.

    Podemos dividir os motoristas em categorias?  Não, em cada momento o motorista pode se comportar de uma maneira diferente. Se dividíssemos os motoristas em bons e maus, perceberíamos que em determinadas situações ele respeita as leis e em outras não; e aí a classificação estaria furada. Um exemplo: o mesmo motorista que nunca atende ao celular quando dirige porque respeita as leis pode, em algum momento, atravessar a via e fechar o cruzamento sem querer. Então, ele seria bom ou mau motorista? Todo motorista transita por essas características de acordo com a situação que lhes é imposta.
 

    Motoristas mais experientes são mais imprudentes? Existe essa relação? O excesso de confiança pode ajudar? Essa relação não é direta, mas pode acontecer. A gente percebe, por meio de entrevistas e estudos com motoristas, que quanto mais experiência eles têm mais aparece em seu discurso essa questão: “sou motorista há 20, 30 anos e nunca bati o carro, nunca cometi uma infração de trânsito”. Ou seja, eles não acreditam que acidentes possam acontecer com eles simplesmente porque têm carteira há bastante tempo e sabem dirigir bem. Em contrapartida, também podemos fazer essa relação com a juventude: os jovens por si só já têm essa ideia de que nada pode acontecer com eles e não medem as consequências de um acidente de trânsito. Por isso, não podemos generalizar. 

    Como o motorista se comporta dentro do carro? Ele pensa na segurança de todos ou apenas em si próprio? O comportamento muda dependendo de onde se está. Dentro do carro ele é uma pessoa, mas quando ele “está” pedestre é diferente. Andando a pé ele tem uma vivência com maior profundidade da realidade do trânsito. E tem outro ponto: existe uma contradição que confunde a sociedade. No carro, o motorista é obrigado por lei a usar o cinto de segurança, enquanto no transporte coletivo não há essa exigência. A tendência é que os veículos tenham cada vez mais itens de segurança, que dão a falsa impressão de proteção ao motorista, o que pode levá-lo a ser mais imprudente. 

    Ter um carro maior e mais novo estimula o mau comportamento? O que se vê hoje em dia é a publicidade de veículos feita de maneira equivocada. A imagem que se vende é de carros velozes, potentes. E dentro deles estão motoristas cujas qualidades não são as que queremos ver. Você não vê um comercial de carro em que o motorista para o carro e dá carona a uma senhora de idade que está esperando o ônibus no ponto. 

    Saber que está sendo observado inibe o mau comportamento? Por quê? Sim, quando os motoristas vêem um radar pela frente, a tendência é diminuir a velocidade e obedecer a lei. E mesmo quando o equipamento é retirado do local, as pessoas continuam (por um tempo) freando e diminuindo a velocidade ao se aproximarem do radar. É o medo da multa que faz com que eles se comportem assim. No entanto, se existe a certeza de que o equipamento está danificado ninguém mais reduz a velocidade.


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