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Geração Y, a ansiedade da versatilidade

por Ildo Szinvekski*

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Representantes de gerações anteriores têm dificuldade para entender a maneira de pensar e agir da gurizada de hoje. A chamada geração Y acha natural começar um assunto, seguir em outro, emendar com o próximo tema e encerrar sem qualquer conexão, com a mesma fluidez com, que responde um torpedo em quanto ouve musica, fala ao celular, faz o tema da escola, tuita as últimas novidades, conversa online, edita suas fotos nas redes sociais, escuta jogo de futebol.
Essa forma não-linear de pensar e de se comunicar está se transformando no espírito na nossa época, na medida em que tanto os mais novos quanto os mais antigos se espelham no estilo de vida jovem Y. A criança quer ser como ele, as pessoas maduras também. Podemos perguntar-nos, então, se todo esse poder de influência está sendo utilizado de maneira produtiva e adequada.
A resposta a essa questão pode ser:
Sim, pois ao quebrar a rigidez das hierarquias, abre-se espaço para o novo e socialmente as diferenças são reduzidas, passando a haver uma interação de idéias e conceitos com cenários prospectivos e maior amplitude interativa.
Não, porque em meio a este oceano de informações genéricas, sobrepostas e fragmentada, a essa teia de relações epidérmicas, efêmeras, é preciso situar-se, achar um norte – caso contrário, o jovem pode aforgar-se no excesso de opções e enredar-se nessa overdose de solicitações sociais e afetivas, perdendo-se no trivial: na ânsia de acompanhar tudo, desconecta o foco do essencial.
Entre as tantas cobranças sociais que se abatem sobre o angustiado jovem de hoje está seu papel no trânsito. Diferentemente de outras demandas, esta não costuma ser reconhecida pelo representante da geração Y como algo de excepcional responsabilidade. Para ele, transferir-se do ponto A  para o ponto B não tem a menor importância – o que tem relevância é a festa que se encontra no ponto B, o trabalho do ponto A, a balada localiza-se no ponto C. Em geral, não são levadas em consideração os contornos reais, as pessoas que se encontram no trajeto e sequer as circunstâncias desse caminho denominado de espaço público – que deveria ser convivência pacifica – e que é utilizado por crianças, carroceiros, pedestres, condutores, ônibus, ciclistas, enfim, por todos. Esses também são os motivos da reprovação com o percentual de 47% dos exames de prática de direção veicular dos jovens na primeira habilitação: a falta de concentração que faz com que sejam mal concluídas todas as atividades e ações. No trânsito, isso é fatal, não há caminho de volta diante do erro. Suas conseqüências são a dor, a perda, a saudade, o remorso, a tragédia com danos incanceláveis.
Dentro do espírito da Década Mundial de Ações para a Segurança no Trânsito promovida pela ONU e, no Rio Grande do Sul, coordenada pelo Detran/RS e o Ministério Público, todos os segmentos da sociedade estão sendo chamados a colaborar para estancar as mortes, os ferimentos e as seqüelas incapacitantes que ocorrem diariamente no trânsito. Temos certeza  que esta triste realidade começará a mudar quando milhões de jovens utilizarem seu poder de convencimento para, através de toda a gama de recursos de comunicação que dominam, distribuir dicas de segurança, mensagens de solidariedade às famílias das vítimas, trocar idéias sobre como conviver no trânsito com respeito e educação, sensibilizar para o bem com atitudes positivas, cultivando valores como solidariedade, respeito, fraternidade, benevolência, indulgência com os demais protagonistas no dia-a-dia. Essa, sim, será então uma geração que fará diferença – e ficará na História.

*Ildo Szinvekski
Diretor Técnico – Detran/RS

Originalmente publicado no Jornal JS em 23/12/2010.

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