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Erro de projeto e falta de manutenção favorecem acidente

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    A cada estação chuvosa fantásticos prejuízos econômicos e patrimoniais, além de perdas estúpidas de vidas, têm sido provocados pela multiplicação de erosões e deslizamentos na malha rodoviária e ferroviária.
    Como sempre, as chuvas e a geologia servem de bodes expiatórios na cômoda e simplista explicação desses eventos. É preciso ressaltar que a engenharia geotécnica e a geologia de Engenharia brasileiras têm domínio tecnológico para evitar ou reduzir a ocorrência desses acidentes. Donde se conclui que os desastres vêm ocorrendo devido à não aplicação dos conhecimentos.
    Importante notar que não só as regiões de topografia acidentada como a serra do Mar vêm sendo castigadas pelas quedas de barreira. Muitas ocorrem em estradas que atravessam terrenos com predomínio de colinas e morros não muito altos.
    As causas, em ambos, estão associadas a dois fatores: erros de projeto e/ou abandono da conservação rotineira.
    Grande parte de nossos empreendimentos viários procuram economizar recursos com a total dispensa, ou com drásticas limitações nos estudos e diagnósticos geológico-geotécnicos indispensáveis à elaboração de um projeto seguro.
    Uma economia nada inteligente, pois que cortes, aterros, fundações de obras executados sem esses estudos via de regra mostram-se impróprios para as características geológicas dos terrenos afetados, sendo que mais cedo ou mais tarde vão apresentar problemas.
    De outra parte, por economia ou por descaso, o que se observa em todo o país é o completo abandono da manutenção rotineira. Os fenômenos de quedas de barreiras não ocorrem abruptamente, dão sinais de sua provável futura ocorrência.
    Esses sinais, trincas nos terrenos, árvores ou postes inclinados, rachaduras ou assoreamento nos sistemas de drenagem, surgimento de surgências de água, abatimentos ou elevações na pista etc., permitiriam uma atuação preventiva que, com medidas simples e econômicas, evitariam acidentes. Pontos de alta potencialidade a deslizamentos devem contar, além da manutenção rotineira, com monitoramento geotécnico instrumental, como piezômetros, inclinômetros etc.

Álvaro Rodrigues dos Santos
Geólogo, autor de “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática“ e ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)


Originalmente publicado na Folha de S. Paulo em 02/10/2010.

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