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Dia Mundial da Saúde – riscos para quem enfrenta o trânsito

Perkons alerta para os danos causados à saúde dos motoristas

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Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Saúde (07 de abril), o caos no trânsito dos grandes centros urbanos revela uma preocupação que vem se agravando nos últimos anos: o declínio da qualidade de vida e das relações humanas. Os males causados à saúde de quem mora em grandes metrópoles já não se resumem apenas às consequências da poluição. A crescente frota de veículos provoca mais acidentes (e, por consequência, mais traumas e mortes), mais estresse e alterações no comportamento.
As mortes no trânsito totalizam quase um milhão e trezentas mil, agregam-se 50 milhões de feridos e incapacitados em decorrência da imprudência no volante a cada ano. Segundo o Ministério da Saúde, 37 mil brasileiros morreram no trânsito em 2008 – outros 100 mil foram internados desde setembro de 2009, conquistando o primeiro lugar no ranking de procedimentos mais custosos ao SUS: são 113,4 milhões por ano. Estima-se que 20% dessas vítimas carregam sequelas para o resto de suas vidas e 4% simplesmente não sobrevivem.
A redução dos acidentes e, consequentemente, das mortes no trânsito, são prerrogativas incluídas na Década de Ação pela Segurança no Trânsito – campanha global criada pela Organização Mundial da Saúde, que inicia este ano. Para José Mario de Andrade, especialista em trânsito e diretor da Perkons – primeira entidade privada a assumir compromisso com esta ação – é importante que instituições na esfera pública e privada se comprometam formalmente e definam políticas públicas e ações efetivas em defesa da segurança no trânsito e da prevenção das mortes e dos traumas.
“Esse quadro revela um país doente. A gestão do trânsito tornou-se uma questão de saúde pública. É preciso deixar de pensar o acidente de trânsito como um fato pontual, uma ocorrência de algo banal. Não caem aviões todo dia, não se travam guerras todo dia – mas as pessoas temem quando acontece. Já o trânsito mata muito mais e os acidentes viários acontecem todo dia”, diz Andrade.
O médico Dirceu Rodrigues Alves Jr, diretor do Departamento de Medicina do Tráfego Ocupacional da Abramet também alerta para os prejuízos mais comuns à saúde de quem encara o trânsito. Os riscos a que estão submetidos os motoristas no trânsito podem ser classificados em, pelo menos, quatro: riscos físicos, químicos, ergonômicos e biológicos.
Risco físico – Os ruídos, tanto do veículo quanto da movimentação em volta, são perigosos.  “Ao longo do tempo, esses ruídos desencadeiam problemas que podem causar danos irreversíveis. O zumbido é um processo degenerativo que pode evoluir para a perda auditiva e, em casos mais graves, para a surdez. É uma perda, além de crônica, incapacitante”, aponta Alves Jr.
Risco químico – O crescimento das cidades e o consequente aumento no número de veículos nas ruas fizeram com que as fontes móveis de poluição (veículos leves e pesados) se tornassem um problema ainda maior para o agravamento da poluição atmosférica. “Os gases, a fuligem, a poeira, enfim, todos esses agentes são altamente agressivos. Provocam doenças respiratórias, em casos mais simples, que podem levar a formação de tumores – exatamente como acontece com fumantes”, explica o médico da Abramet.
Risco ergonômico – Muitos motoristas enfrentam diariamente o trânsito não apenas para ir de casa para o trabalho, mas como profissão. Motoristas de caminhão, ônibus ou vans passam horas sentados, o que compromete a postura, como explica Alves Jr. “O esforço faz com que ele sobrecarregue a musculatura de braços, pernas, ombros e, principalmente, da coluna vertebral. O esforço repetitivo da troca de marchas e das manobras ao volante levam a um processo degenerativo, agravado ainda mais pela vibração do veículo”, aponta.
Risco biológico – Ainda no que diz respeito a motoristas profissionais, há que se ressaltar que muitos transportam produtos perigosos ou mesmo passageiros. “A exposição a microorganismos é constante, seja no transporte de pessoas, animais, combustíveis ou materiais radioativos. É um trabalho extremamente penoso e que coloca em risco a saúde do motorista”, alerta Alves Jr.

Acidentes
Os acidentes de trânsito têm impacto direto na saúde pública, seja pelos danos físicos ou psicológicos sofridos pelas vítimas e seus familiares, que podem gerar seqüelas permanentes. De forma inversa, a má condição de saúde física e mental (sono, influência de entorpecentes e álcool, stress, medo, redução dos reflexos, visão etc.) pode levar à incidência de acidentes viários.

Estresse
O barulho das buzinas, os congestionamentos, além do tempo que motoristas perdem no trânsito desencadeiam reações fisiológicas que, se levadas ao extremo, podem comprometer o equilíbrio do organismo. De acordo com Alves Jr, esse quadro pode contribuir para a ocorrência de acidentes de trânsito. “O estresse (tanto físico, psicológico ou social) afeta o indivíduo e é mais um fator de preocupação. O medo de ser assaltado ou agredido, o fato de estar distante da família ou mesmo de não poder dar a atenção necessária à própria saúde, tornam ainda mais cansativa essa rotina”, conclui.

Sono e direção
A privação do sono e a exaustão são fatores que diminuem a atenção do motorista e aumentam, potencialmente, o número de acidentes. Para cumprir as longas jornadas de trabalho, motoristas profissionais lançam mão do consumo de estimulantes para se manter acordados, porém comprometem a saúde e a segurança.

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