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Década de Ação pela Segurança no Trânsito: mais do que comemorar, é momento de refletir.

Campanha completa um ano. Avanços apontam o caminho certo, mas ainda há muito a ser feito até 2020

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São mais de 1,3 milhão de pessoas que perdem suas vidas todos os anos no trânsito no mundo, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas. Das vítimas de acidentes, 50 milhões sobrevivem, mas com ferimentos graves e possíveis sequelas. Ainda segundo estimativas da ONU, as despesas com isso somam estratosféricos US$ 518 bilhões por ano. Além disso, batidas ou atropelamentos são a terceira causa mortis em pessoas de 30 a 44 anos, a segunda em pessoas de 5 a 14, e a primeira em jovens de 15 a 29. Porém o mais assustador é que, se não fosse realizado nenhum esforço em contrário, em 2020 chegaríamos a quase 2 milhões de vítimas fatais por ano no planeta.


Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, iluminado em amarelo no lançamento da Década
em maio de 2011 (Crédito: Divulgação)

Foi por isso que, através da Organização Mundial da Saúde, a ONU lançou em 11 de maio de 2011 a Década de Ação pela Segurança no Trânsito. No Brasil, por exemplo, o símbolo do movimento (iluminação amarelo-alaranjada) foi projetado no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e na sede do Ministério da Saúde, em Brasília. A Década abrange cinco pilares sobre os quais estão sendo desenvolvidas as ações: gestão da segurança do trânsito; infraestrutura mais segura e mobilidade; veículos mais seguros; usuários mais seguros e atendimento às vítimas. A meta não é nada pequena: reduzir em 50 % os acidentes de trânsito.
No Brasil, o quinto lugar entre os países onde o trânsito mais mata (atrás de Índia, China, EUA e Rússia, de acordo com estimativas da OMS), o desafio é o de – como nos outros países dos BRICs – seguir firme em seu desenvolvimento sem que o trânsito fique ainda mais violento, segundo explica o sociólogo Victor Pavarino, consultor da OMS e da Organização Panamericana da Saúde (Opas) para o projeto Vida no Trânsito, que busca desenvolver ações para prevenir acidentes, especialmente os causados por excesso de velocidade e alcoolemia.

Vida no Trânsito
O projeto Vida no Trânsito recebe investimentos do Bloomberg para o desenvolvimento das ações propostas em cinco cidades brasileiras (Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Palmas e Teresina) e é uma das principais contrapartidas do Brasil para participar da Década. A metodologia é baseada na Estratégia de Proatividade e Parceria (EPP), da ONG Global Road Safety Partnership (GRSP), que tem três focos: integração das informações sobre vítimas graves e fatais, identificação dos fatores de risco e a intervenção de forma integrada com base na análise de dados. E alguns resultados já puderam ser colhidos.
Em Teresina, por exemplo, uma equipe interdisciplinar (da saúde, transporte/trânsito e educação) está encarregada do projeto. “Já está havendo um aprimoramento do sistema de informações, e uma série de intervenções foi feita, especialmente para impacto comportamental: educação e fiscalização”, explica a coordenadora da Comissão Executiva do Projeto Vida no Trânsito na cidade, Maria Audea de Lima.
Baseados nos três fatores de risco identificados (excesso de velocidade, alcoolemia e vulnerabilidade dos motociclistas), a capital do Piauí implantou os programas Motociclista, Viva!, Velocidade Legal e Álcool Zero, isso sem contar outros programas que a cidade está promovendo, principalmente na área da educação. Teresina pode se orgulhar: da meta de 7% de redução de mortos e feridos no trânsito para 2011 restou uma risonha recordação. O trabalho realizado conseguiu fazer reduzir 30% o número absoluto de mortos (de 228 em 2010 para 159 em 2011), e em 37,2% o número a cada 10 mil veículos (de 8,14 para 5,12). “Todos os resultados são um conjunto de ações em educação, engenharia e fiscalização; o mais importante são a integração e as parcerias”, conta Maria Audea.
Outro exemplo é Campo Grande, que tem uma meta de reduzir o número de mortos e feridos, dos 1.103 de 2010, para 782 em 2020, o que resulta em uma redução de 6% ao ano. Para alcançar esta meta, foi criado o Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito (GGIT) na administração municipal, para haver um cuidado intersetorial com o trânsito. Outra ação interessante foi o lançamento do Placar da Vida em 11 de maio de 2011. A ideia é contar quantos dias a cidade consegue ficar sem mortes no trânsito, com o registro do recorde máximo.
Na capital sulmatogrossense, os resultados também são notórios: o número de mortos e feridos gravemente a cada 10 mil veículos caiu de 17 em 2010 para 13 em 2011 (redução de cerca de 23%). Esse dado pode ser registrado mesmo com o aumento da população de 787.204 em 2010 para 819.219 em 2011, e da frota – que pulou de 387.999 (sendo 91.008 motocicletas) para 419.322 (sendo 122.309 motocicletas) no mesmo período.
O Vida no Trânsito, assim como a Década de Ação pela Segurança no Trânsito, segundo ressaltam os envolvidos nos projetos, não precisam de uma adesão formal. Para Victor Pavarino, da OMS, não se trata de quem recebe ou não investimento externo, mas sim do estabelecimento de prioridades. “Cada país, cada estado e cada cidade é que vai decidir o quanto está disposta a continuar vendo a carnificina que acontece no trânsito.”



Campanhas de Teresina baseadas nos três principais fatores de risco: excesso de
velocidade, alcoolemia e motocicletas.(Crédito: Divulgação)


Placar da Vida: acompanhamento do recorde de dias que Campo Grande consegue
ficar sem mortes no trânsito. (Crédito: Divulgação)

Links:
Vida no Trânsito em Teresina: http://projetovidanotransitoteresina.blogspot.com.br
Placar da Vida em Campo Grande: www.placardavida.blogspot.com.br

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