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Cuidado com as bicicletas

por Sydnei Ulisses*

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Temos visto o numero crescente de bicicletas nas ruas das grandes cidades, fato positivo se considerarmos a redução da emissão de gases dos motores e os benefícios que a prática do ciclismo proporciona a saúde das pessoas.
Mas nem tudo são flores, sabemos, por exemplo, que o fenômeno está mais associado ao preço e a qualidade do transporte coletivo do que a conscientização das pessoas quanto ao meio ambiente ou a saúde.
Vemos também que o comportamento dos ciclistas é temerário e que muitos se expõem aos riscos de serem atropelados por não terem noção dos cuidados que precisam ter para estarem defensivamente nas vias. Vejamos o que diz o Código de Trânsito Brasileiro sobre comportamento dos ciclistas:
Diz a Lei que os ciclistas, se não estiverem em faixas próprias (ciclovias), devem transitar próximo ao bordo da via, transitando no mesmo sentido que os outros veículos e terão preferencia sobre os veículos automotores.
Diz mais, que são obrigatórios os equipamentos de segurança – a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.
Para proteger minimamente o ciclista, o legislador previu como infração deixar de manter distancia lateral de segurança ao passar ou ultrapassar um ciclista, sendo 1,5m a distância mínima.
O que vemos nas ruas nada tem a ver com as regras de segurança, é absolutamente normal perceber ciclistas transitando na faixa de esquerda (faixa que deve estar desobstruída para ultrapassagem), na contra mão de direção, indo de encontro aos veículos, e na maioria das vezes sem qualquer tipo de equipamento de segurança.
A falta de equipamento é comum inclusive entre os ciclistas mais organizados, que saem em grupos e costumam respeitar o sentido do trânsito, mas estão sempre sem espelho retrovisor e luzes de sinalização.
Em Aracaju, propaganda recente do Detran mostra um ciclista transitando pela esquerda em uma ciclovia, sugerindo ainda que o veiculo automotor deva estar a 1,5m do ciclista, distância determinada para quando o ciclista estiver transitando no bordo de uma via sem ciclovia ou acostamento.
Os equívocos da propaganda deixam claro que os publicitários envolvidos na criação não foram orientados e estão confundindo os ciclistas que pouco sabem sobre as regras elementares de comportamento.
Uma campanha séria voltada a evitar acidentes e contribuir de forma efetiva para a conscientização dos ciclistas passa necessariamente por atividades em escolas dos bairros mais periféricos e por empresas que oferecem bicicletários como estímulos aos trabalhadores. A maior concentração de ciclistas está exatamente nestes lugares.

 

*Sydnei Ulisses
Instrutor de trânsito
sydneiulisses@gmail.com
www.sydnei-ulisses.blogspot.com

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