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Com R$ 24 bilhões eu…

Especialistas respondem como utilizariam a verba do PAC-2 para a mobilidade urbana [Parte II].

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A Perkons convidou especialistas para responderem como aplicariam R$ 24 bilhões em ações de trânsito e de transporte e por quê. Esta é  a quantidade que pode chegar os recursos do PAC-2 para mobilidade urbana.
Confira nesta matéria a opinião de Ailton Brasiliense Pires –  presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Cristina Baddini Lucas –  consultora do Diário do Grande ABC e Diretora da ONG Rua Viva, e José Mario de Andrade, engenheiro especialista em trânsito.

 


O Brasil precisa ter planos de desenvolvimento urbano, regionais e nacionais. Isto vale para regiões urbanizadas – como as regiões metropolitanas (RM)  onde as questões de trânsito e transportes públicos, relacionados aos planos diretores, precisam ser integrados para que os custos dos congestionamentos imponham menores custos aos mais pobres. Não só, pois a poluição resultante dos congestionamentos, hoje, matam só em São Paulo, capital, mais que o trânsito. Logo precisamos tratar as questões ambientais em destaque.
Trem de Alta Velocidade – Precisamos desenvolver planos que ultrapassam estas RM, como a macrometrópole de São Paulo, constituída por regiões compreendidas entre as cidades de São José dos Campos até a Baixada Santista, e entre Sorocaba e Campinas, entre outras. Neste sentido, o Trem de Alta Velocidade (TAV) cumpre este papel, ao ligar as regiões de Campinas, São Paulo e São José dos Campos. Aí, segundo estudos, é atendida 70% da demanda futura da ligação São Paulo-Rio.
Assim, o cronograma de implantação desta obra precisa considerar outras prioridades. Um plano que distribua estes recursos, dentro de um período razoável de implantação, pode dar respostas muito significativas para estas regiões, otimizando os recursos públicos. Isto tudo, no campo dos transportes.
Gestão e educação no trânsito – Há muito que fazer no trânsito. Projetos nacionais de educação de trânsito precisam ser implantados da melhor forma e o mais rápido possível. Investir na operação, fiscalização e policiamento é fundamental. Rever nossos processos de habilitação é igualmente urgente. Expandir a tecnologia para complementar as ações dos órgãos públicos trará, com certeza, a redução dos acidentes, que segundo estudos do DENATRAN/IPEA/ANTP, estimam em mais de R$ 30 bilhões/ano. Portanto, é muito importante investir nos projetos, cujo custo-benefício é altamente favorável à sociedade, assim como permitir a redução de custos, perfeitamente evitáveis, como os tais acidentes de trânsito.

Ailton Brasiliense Pires
Presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP)

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Os problemas enfrentados no trânsito e transporte nas cidades brasileiras hoje são inúmeros. Mas mesmo levando em consideração todos eles – desperdício de tempo e dinheiro por conta de congestionamentos e deficiência no transporte público, questões de poluição ambiental, entre outros – ainda assim acredito que o combate aos acidentes de trânsito deve ser a prioridade nº 1.
Prevenção de acidentes e inteligência de tráfego
O Denatran até já declarou que o país gasta em torno de R$ 28 bilhões/ano com estes acidentes, mas a perda de uma vida, as sequelas físicas de um acidentado e o dano psicológico sofrido pelos familiares e amigos das vítimas e dos causadores dos acidentes, não cabem na matemática financeira. Além do mais, o combate aos acidentes já atuaria indiretamente nos outros problemas citados, pois indiscutivelmente precisa atuar na segurança veicular (o que envolve inspeção e atua na questão ambiental), programas de engenharia (que precisarão englobar a questão da mobilidade e, consequentemente, o congestionamento, planejamento viário e o estímulo do transporte público por meio de sua ampla melhoria de qualidade e atendimento) e a educação.
Assim sendo, eu investiria:
– R$ 10 bilhões em sistemas inteligentes de engenharia de tráfego, com ações desde fiscalização eletrônica de veículos – como medida para segurança viária, segurança pública e restrição veicular com prioridade ao transporte coletivo – até monitoramento e gestão de tráfego.
– R$ 10 bilhões em transporte público de massa, com a construção de redes de metrô e vias rápidas exclusivas de ônibus
– R$ 4 bilhões em educação, com campanhas, mas, principalmente, com a instituição e cobrança da educação de trânsito nas escolas públicas e particulares, do ensino básico ao superior.

José Mario de Andrade
Engenheiro especialista em trânsito e diretor de negócios internacionais da Perkons
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R$ 24 bilhões. Ora parece ser bastante dinheiro, ora parece pouco para ações urbanas em todo o Brasil. Cheguei à conclusão que este dinheiro deveria ser aplicado em questões e obras simples, que sempre dissemos que as cidades deveriam ter e fazer e nunca havia dinheiro para tal. A qualidade de vida das cidades está degradada devido aos congestionamentos e a ocupação desordenada dos espaços. Portanto estes R$ 24bi devem ser aplicados em obras e ações que melhorem a qualidade de vida das pessoas que moram nas cidades. Para tal é preciso ter um transporte público de qualidade e, por conseguinte, um bom trânsito. Vejamos alguns pontos.
Estrutura adequada – eu iniciaria minhas ações com a estruturação dos órgãos de gerência de transporte e trânsito dos três níveis de governo, começando com o fortalecimento e democratização do Denatran e da Semob – para que possam cumprir seu papel e coordenar a mobilidade urbana no Brasil – e removeria os Detrans da alçada das Secretarias de Segurança Pública, para que possam cumprir seu papel no Sistema Nacional de Trânsito de forma integrada às demais políticas públicas relacionadas à circulação.
Transporte Público – proponho uma sincronia entre a política de transporte e mobilidade urbana e os recursos nas diferentes estruturas federativas. Não promoveria incentivos fiscais e obras de infraestrutura para privilegiar o transporte individual. Priorizaria a circulação, fluidez e a paz no trânsito por meios de transporte coletivo e do transporte não motorizado.
Trânsito Seguro – Todo acidente pode e deve ser evitado. É preciso combinar regras severas com educação rotineira, fiscalização permanente e punição célere e justa para os infratores. Eu seguiria o que a Organização Mundial da Saúde propôs como passos básicos para reduzir a mortalidade no trânsito.
Transporte não motorizado e bicicletas – proponho reconquistar o sistema viário – ruas, calçadas, as travessias e passeios – para uso e deslocamento seguro e confortável, implicando em dar-se atenção redobrada às obras e ações para as áreas de circulação a pé. Priorizar a implantação e manutenção de calçadas nas vias de grande movimentação e de estruturas de ciclovias, ciclofaixas, além de bicicletários. Assim teríamos uma importante contribuição para o caos motorizado em que se encontram nossas cidades.
Enfim, temos que erradicar a violência no trânsito e proporcionar uma mudança cultural e uma democratização do uso do espaço urbano. Espero que estes R$ 24bi possam ser o primeiro passo para uma política pública que atenda os interesses do coletivo preservando a qualidade de vida de todos que vivem e circulam no país. E proponho uma discussão transparente com a sociedade, a responsabilização pública pelas ações e o princípio da cidade para todos.

Cristina Baddini Lucas
Consultora do Diário do Grande ABC, Diretora da ONG Rua Viva, Assessora do MDT
Confira na íntegra a opinião desta especialista clicando aqui

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