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Ciclovias não estão integradas ao trânsito

Para o urbanista Caio Vassão, não há política pública para os ciclistas, apenas promoções e incentivos.

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Ciclovias não estão integradas ao trânsito

Um meio de transporte que não polui, de custo e manutenção baixos e que traz benefícios para saúde, a bicicleta tem poucos adeptos no Brasil. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que aqui 7% da população usa bicicleta como transporte, enquanto na Holanda 84%. As cidades brasileiras têm estrutura para os ciclistas?

Para o arquiteto e urbanista Caio Vassão as soluções existentes são ineficientes. “Não há ação de planejamento e implantação de um sistema cicloviário integrado em escala metropolitana. Ao mesmo tempo há campanhas independentes de promoção do uso das bikes em uma cidade despreparada para esse fim. O que observamos é o sacrifício de ciclistas em um meio urbano agressivo e dominado por automóveis, incompatível com a escala do pedestre e do ciclista”, expõe.

Levantamento realizado em 2011 pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo comprova essa incompatibilidade. A cada dia, nove ciclistas foram hospitalizados vítimas de acidentes. Ao todo foram internados 3,4 mil pessoas, o que correspondeu a um gasto de R$ 3,25 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Para especialista em trânsito pela Perkons, os planos de mobilidade urbana devem oferecer alternativas de transporte viáveis e seguras aos cidadãos, de acordo com suas necessidades.
Crédito: Julia Chequer/R7

A especialista em trânsito da Perkons, Maria Amélia Marques Franco, diz que o controle da velocidade pode auxiliar imediatamente neste cenário. “A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda velocidades de até 50 Km/h em vias urbanas, com limites ainda menores em vias de circulação de pedestres e ciclistas, que são mais vulneráveis. Quanto menor a velocidade, menor é a gravidade do acidente, explica”.

Vassão defende a mudança no modelo de cidade baseada nos automóveis para a cidade distribuída e a integração como condições indispensáveis para que a bicicleta seja um meio de transporte cotidiano. “A integração deve permitir a convivência efetiva, e não apenas um convívio perigoso”, esclarece.

O que pensa o ciclista

Sergio Affonso, presidente do Clube dos Amigos da Bike (CAB), usa a bicicleta para atividades do trabalho, reconhece que muitas ciclovias não têm guias rebaixadas e não interligam trechos, e sugere que o ciclista utilize rotas alternativas fora de ruas de grande fluxo.

Apesar da precariedade da estrutura para o ciclista, Affonso acredita que o número de usuários no país irá crescer. “As ciclovias no Brasil são muito escassas e algumas são adaptadas e se tornam uma verdadeira aventura. Porém, na medida do possível, o poder público vem implantando ciclovias e ajudando muito a vida dos ciclistas e aficionados por bicicleta”, diz.

A Lei 12.587, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana tornou obrigatória a elaboração, até 2015, de Planos de Mobilidade Urbana (PMU) para todos os municípios com mais de 20 mil habitantes. O Ministério das Cidades criou o Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta para incentivar o uso da bike com outros modais a longo prazo.

O urbanista acredita que enquanto os gestores públicos não considerarem os transportes leves como prioridade não haverá implantação maciça de sistemas cicloviários de qualidade e integrados. “Não há um política sobre isso, apenas promoções e incentivos. O poder público não assumiu a necessidade de uma política de transportes leves e ainda considera que automóveis são ou devem ser o meio de transporte predominante no tecido urbano”, observa.

Segundo Maria Amélia, os planos de mobilidade urbana devem oferecer alternativas de transporte viáveis e seguras aos cidadãos, de acordo com suas necessidades. “É preciso também boas calçadas, ciclovias e ciclofaixas para estimular a caminhada e o uso de bicicletas em distâncias curtas e médias. É insustentável congestionar as ruas e lotar ônibus e metrôs porque as pessoas optam pelo carro ou transporte coletivo nessas situações”, afirma.

Bons exemplos

Na Europa, o uso da bicicleta é comum em cidades com condições de relevo e climática desfavoráveis. Na Noruega, a cidade montanhosa de Trondheim encontrou uma solução: criar uma espécie de elevador para as bicicletas. Em Ferrara, no Itália, houve investimento em estacionamentos gratuitos com vigilância e nas estações ferroviárias. A administração local também substituiu, no centro histórico, as antigas pedras por calçadas planas.

 

 


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