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Carro, à imagem e semelhança do motorista

por Ildo Mário Szinvelski*

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O saudoso professor Ático J. Dotta, em suas obras de psicologia, refere que “o automóvel pode ser considerado uma caixa de ferro parafusada em cima de quatro rodas. Mas, no momento em que está sendo dirigido, passa a ter a inteligência e a personalidade do seu condutor”. Será verdade que o veículo e a forma de condução expressam o caráter das pessoas? Aquela “pecinha” que segura o volante está mesmo se revelando quando acelera, invade sinais, gesticula, xinga, cospe e baba furioso com uma simples manobra mal feita de outro condutor? Está usando a potência da máquina como instrumento para camuflar motivações pessoais e sociais?
Na verdade, o que ocorre no trânsito não são acidentes. Conceitualmente, acidentes são inesperados, involuntários e inevitáveis. Ora, excesso de velocidade, alcoolemia, uso do celular enquanto dirige, não utilizar cinto de segurança, avançar contra pessoas são erros, imprudências, negligências, enfim, falhas humanas – perfeitamente previsíveis e evitáveis. Se um veículo precisa de espaço e tempo para ser imobilizado, a percepção dos riscos, a tomada de decisões e o agir responsável dependem do condutor.
Constata-se que as pessoas dirigem como vivem. Isso é: muitos têm senso de responsabilidade; outros perturbam o trânsito, como se essa conduta mortífera decorresse de um vazio existencial e sem sentido… enfim, como se a conduta agressiva e de autodestruição fosse algo normal. Mas esse estilo de vida não é natural. Aliás, na evolução do conformismo para uma vida mais ativa, lembramos o alerta de Bertolt Brecht – “não digam nunca isso é natural, para que nada passe a ser imutável”.

 

*Ildo Mário Szinvelski
Diretor Técnico do Detran/RS

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