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Carnaval: a estatística irreal dos acidentes e as palavras da Presidente

por Milton Corrêa da Costa*

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Ainda que tenha sido observado, nos seis dias do período do carnaval ( sexta à quarta-feira), a maior redução das estatísticas, nos últimos 14 anos, no número de acidentes e de mortos e feridos em estradas e rodovias federais, foi confirmada a nossa premonição, feita em 15/02, de que preciosas vidas seriam perdidas nas estradas durante os dias de realização da maior festa popular do mundo.
Em relação aos seis dias de operação carnaval no ano passado, houve uma queda de 22% nos números de acidentes (4.312 no ano passado contra 3.346 acidentes em 2012). O número de feridos foi 25% menor (2.690 em 2011 contra 2.001 em 2012), e as mortes caíram 18% (216 em 2011 contra 176 em 2012). Para a PRF, a redução é ainda mais significativa quando se leva em conta o aumento da frota nacional de veículos no país, que pulou de 65,6 milhões de carros no ano passado para 70,5 milhões em 2012, um aumento de 7,5%.
Neste carnaval 30.425 condutores foram submetidos ao teste do bafômetro. Dessas, 1.410 foram reprovados. Dos reprovados 494 dirigiam com níveis de teor alcoólico igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou 0,3 mg de álcool por litro de ar expelidos dos pulmões. Foram encaminhados à Delegacia Policial para se ver processados por crime. Outros 12.911 motoristas foram autuados por ultrapassagem em local proibido. A Polícia Rodoviária Federal atribui à maior fiscalização a queda da violência nas estradas e rodovias sob sua competência, além de uma maior campanha preventiva de conscientização veiculada nos diferentes meios de comunicação social. Obviamente que o bom tempo na maioria das regiões do país também contribuiu para os resultados na redução da violência.
Dois graves acidentes foram responsáveis por um quinto dos óbitos no carnaval deste ano em rodovias federais. No sábado, em Goiás, dois ônibus de turismo se chocaram na BR-153, causando a morte de 14 passageiros. Em São Félix, na Bahia, um carro bateu de frente com um ônibus na BR-349,na sexta-feira. Oito dos noves ocupantes do carro morreram no local.
Note-se que estamos falando apenas de acidentes que ocorreram em estradas e rodovias federais no período de carnaval e dos óbitos registrados nos locais dos sinistros. A estatística real do número de acidentes, mortos e feridos, em todas as vias públicas, nesse período, ou seja, em estradas, rodovias federais e estaduais e vias urbanas jamais saberemos. O país não tem um sistema integrado de registro de acidentes de trânsito. Portanto, a violência, a carnificina e a imprudência, num cenário impressionante de dor, tristeza, carros retorcidos e vítimas ensanguentadas são muito maiores em números reais.
Aqui vale ressaltar as recentes declarações da Presidente Dilma Rousseff, no programa “Café com a Presidente”, da última segunda-feira, 20 de fevereiro, a respeito das responsabilidades de motoristas durante o carnaval:
– No meio de tanta festa e tanta diversão, tem uma coisa que me preocupa muito nesta época: são os a acidentes de trânsito nas estradas e nas cidades. O que a gente percebe é que, na maioria das vezes, os acidentes poderiam ter sido evitados com um pouco mais de cuidado e responsabilidade dos motoristas. Tem gente que acha que pode beber e dirigir, e que nada vai acontecer. É preciso mudar esse comportamento; álcool e volante não combinam mesmo. Se beber é melhor pegar uma carona com um amigo, ir de táxi, de ônibus ou até adiar um pouco a viagem- disse a presidente.
Dilma Rousseff alertou também para o aumento do número de veículos em circulação no país. Segundo a presidente são 70,5 milhões registrados no país, sendo 18 milhões de motos, que respondem por um quarto das mortes no trânsito.
– Isso acaba gerando uma outra preocupação: o número expressivo de motociclistas envolvidos em acidentes fatais, principalmente pela falta de capacete. Isso é terrível, porque a maioria dessas vítimas é jovem, concluiu a presidente.
Não precisa dizer mais nada e nada há a comemorar, a não ser continuar afirmando, numa inevitável e real premonição, que preciosas vidas serão perdidas na Semana Santa. Já há uma macabra estatística de acidentes, mortes e feridos prevista para o próximo feriadão e pouco ou quase nada poderá se fazer para evitá-la. Triste realidade de um país onde a irresponsabilidade e a imprudência ao volante são predominantes. A falha humana e a ilusão de invulnerabilidade continuam sendo as grandes causas da grave epidemia social dos acidentes de trânsito. Até quando assim vamos conviver? O que de fato podemos fazer para combater os homicidas e suicidas em potencial do volante?

 

*Milton Corrêa da Costa
Coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro

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