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Até onde vai o papel da vigilância à distância?

Visando os jogos da Copa de 2014, Belo Horizonte anunciou a implantação de mais câmeras de monitoramento do trânsito e a construção de um centro de operações. Tecnologia oferece agilidade, mas requer intervenção humana na solução de problemas.

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Até onde vai o papel da vigilância à distância?

A ideia não é nova, mas começa a ganhar corpo no Brasil: lançar mão de câmeras para monitorar o trânsito e envolver os motoristas na medida em que informa a situação das vias em painéis. No entanto, a aplicação dessa tecnologia, sob a ótica de especialistas em trânsito não caminhará sozinha, pois ela é aplicada como um suporte, em que se pode observar, por exemplo, um acidente na pista e a causa do acidente, mas, para que o problema seja solucionado, é preciso que uma equipe se desloque ao local.
“As câmeras podem ser utilizadas na prevenção. No sentido de treinar as equipes de atendimento e orientação do trânsito sobre o que fazer em casos críticos de congestionamentos e acidentes, mas não podem evitar que essas situações aconteçam”, diz Paulo Rogério da Silva Monteiro, consultor mineiro em Engenharia de Trânsito e Transporte, e completa: “Não basta ver o problema. A câmera identifica o problema e, muitas vezes, consegue entender a situação, mas isso não resolve nada. Eis a questão da necessidade de ter uma equipe de trânsito para o local. É importante identificar o acidente e saber o que fazer”, afirma.
Segundo o engenheiro, a questão central é que as câmeras de monitoramento precisam ser um componente de uma estrutura maior. “O nosso sistema viário é muito escasso. Qualquer perda gera problema no sistema inteiro. Além disso, a população tem à disposição no portal da prefeitura o sistema completo, mas falta o hábito de consultar a melhor via a ser utilizada. Quando o motorista já está na via, não há muito o que possa ser feito para desviar do congestionamento”, explica.


“Se não tivéssemos câmeras estaríamos em uma situação muito mais complicada, porque a cada ano contamos com o aumento da frota estrondoso”, diz Gabriela Pereira Lopes, Supervisora do Centro de Controle de Tráfego da BHTrans. (Crédito: Arquivo BHTrans)

Visando os jogos da Copa de 2014, Belo Horizonte anunciou recentemente o aumento do número de câmeras, que além da região central da capital mineira contemplam outras vias importantes. Serão mais 62 equipamentos e outras tecnologias de suporte para auxiliar no monitoramento em BH, que virão na carona da construção de um novo centro de Operações.
O projeto de melhoria do tráfego na cidade começou em 2005. Foram trocados os equipamentos de controle semafórico, implantados painéis de mensagem variável e instaladas câmeras de monitoramento. Todas essas alterações foram feitas no centro da capital e, em 2010, começou-se a expandir essas melhorias para os corredores que dão acesso às regionais. Atualmente são 74 câmeras em operação e mais de 10 painéis de mensagem variável.
Para Gabriela Pereira Lopes – Supervisora do Centro de Controle de Tráfego da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), “as câmeras servem de fonte de informação. Verificamos as condições do tráfego e podemos atuar em pelo menos duas frentes: no controle semafórico, aumentando ou diminuindo o tempo de acordo com a situação e priorizando o fluxo quando há ou não retenção, por exemplo. E colocando mensagens nos painéis de como está o trânsito naquele momento e, assim, o usuário pode tomar a decisão de que caminho seguir com base nisso”, exemplifica.
Gabriela confere ao trabalho de monitoramento agilidade na operação do trânsito. “Quando não se tem câmera, dependemos de outro tipo de retorno. Se a gente consegue atuar no controle semafórico e na divulgação de mensagens pelos painéis no momento de maior retenção do fluxo, temos como priorizar o desvio das áreas mais saturadas e resolver o problema mais facilmente”, explana.  “Se não tivéssemos câmeras estaríamos em uma situação muito mais complicada, porque a cada ano contamos com o aumento da frota estrondoso, não só em Belo Horizonte como em todo o país. Fico me perguntando como a gente vivia antes da implantação dessas tecnologias”, conclui.

Integração
Além da ampliação dos sistemas de supervisão do tráfego nas capitais brasileiras, a tendência é a integração das pastas da administração, como trânsito, obras, socorro médico, segurança e energia elétrica. Referência na América do Sul, o Centro de Operações do Rio de Janeiro, criado em 2010, reúne mais de 30 órgãos municipais, estaduais e concessionárias, por exemplo.
Para Luiz Gustavo Campos, Diretor da Perkons, empresa que trabalha com tecnologia de fiscalização e gestão de trânsito, a integração entre pastas da administração seria a melhor opção, pois otimiza o uso da tecnologias para diferentes ocorrências.”Subutilizar uma câmera de monitoramento só para o trânsito não é o ideal. Cada vez mais é preciso integrar as informações e disponibilizá-las a todos os órgãos que atuam na gestão pública.”, diz. Segundo Campos, “o projeto de supervisão precisa de suporte, principalmente após identificar a ocorrência e suas consequências. Uma tempestade pode gerar zonas de alagamentos, deixar semáforos desligados, ocasionar desmoronamento na pista e potencializar acidentes. Esta situação, por exemplo, requer que o processo seja integrado para melhor atender a população”, explica.

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