
No dia 19 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional do Ciclista, data instituída pela Lei nº 13.508/2017 em homenagem ao biólogo Pedro Davison, morto enquanto pedalava em Brasília. Mais do que lembrar a importância da bicicleta como meio de transporte, lazer e atividade física, a data convida a refletir sobre um desafio que cresce nas cidades: transformar ruas e avenidas em espaços compartilhados de forma segura.
O aumento do número de pessoas utilizando a bicicleta nos deslocamentos diários trouxe benefícios para a mobilidade urbana, para a saúde e para o meio ambiente. Ao mesmo tempo, evidenciou um problema antigo: muitos conflitos no trânsito acontecem justamente pela dificuldade de convivência entre diferentes usuários da via.
Segundo o especialista em trânsito e diretor da Perkons, Luiz Gustavo Campos, ainda existe uma percepção equivocada de que cada modal disputa espaço com os demais. «O trânsito não pode ser encarado como uma competição por espaço. Quando um motorista entende que o ciclista também faz parte do sistema viário e quando o ciclista compreende que previsibilidade e respeito às regras são fundamentais, todos passam a circular com mais segurança. O grande desafio é construir uma cultura de convivência», destaca.
O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que os veículos de maior porte são responsáveis pela segurança dos menores, enquanto todos devem preservar a integridade dos pedestres, considerados os usuários mais vulneráveis da via. Na prática, isso significa que quem conduz automóveis, ônibus ou caminhões precisa redobrar a atenção na presença de bicicletas, especialmente durante ultrapassagens e conversões.
Entre as principais situações de risco estão a abertura inesperada da porta de veículos estacionados, mudanças de faixa sem sinalização, conversões à direita sem observar a aproximação do ciclista e ultrapassagens muito próximas. A legislação determina que essa manobra seja realizada mantendo distância lateral mínima de 1,5 metro. Para Campos, muitas dessas ocorrências poderiam ser evitadas com atitudes simples. «Grande parte dos conflitos não decorre da infraestrutura, mas da falta de atenção ao outro. Um retrovisor consultado antes de abrir a porta do carro, uma conversão feita com antecedência e velocidade compatível ou uma ultrapassagem realizada com paciência fazem enorme diferença para quem está completamente exposto sobre uma bicicleta».
A responsabilidade, entretanto, também é compartilhada pelos ciclistas. Respeitar a sinalização, indicar mudanças de direção com antecedência, utilizar iluminação em deslocamentos noturnos e buscar permanecer visível para os demais usuários aumentam significativamente a segurança durante o trajeto. Outro ponto destacado pelo especialista é que a bicicleta deixou de ser apenas uma alternativa de lazer e passou a integrar o cotidiano de milhares de brasileiros, seja para trabalhar, estudar ou realizar pequenos deslocamentos.
Agosto também é reconhecido como o mês de conscientização sobre a segurança de pedestres e ciclistas, ampliando o debate sobre a proteção dos usuários mais vulneráveis das vias. Mais do que reforçar cuidados durante o período, a mobilização chama atenção para uma responsabilidade que deve permanecer ao longo de todo o ano: construir um trânsito baseado em respeito, atenção e convivência segura entre todos.
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