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Viva a baixa velocidade

por Cristina Baddini Lucas*

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Somos uma nação de ciclistas. Estima-se que nossa frota de bicicletas some 60 milhões de unidades atualmente. Mas, nem todos imaginam a importância da bicicleta como um meio de transporte capaz de interagir eficientemente com todas as outras formas de mobilidade urbana, além de proporcionar a melhoria do meio ambiente e ajudar a promover a inclusão social. A mudança dos modelos de deslocamento dos habitantes através do uso de meios de transportes não motorizados é crucial para a construção de cidades com padrões de qualidade de vida mais elevados. A bicicleta pode ser um importante elemento de reordenação e reconfiguração do espaço urbano e da lógica social, além de ser um vetor de melhoria ambiental.

 

Tragédia Inominável
O ciclista tem direito de trânsito como qualquer outro veículo. Porém, alguns motoristas parecem ignorar os ciclistas, atrapalhando a circulação das bicicletas ou mesmo colocando-as em situações de risco de acidente. Infelizmente, tragédias horríveis vêm acontecendo: morre um ciclista por semana na cidade de São Paulo. Lembram da ciclista Márcia Regina que morreu atropelada na Avenida Paulista em 14 de janeiro de 2009? Ciclista experiente, ela ocupava o lugar correto na via, o mais à direita possível, quase rente ao meio-fio, seguindo na direção do fluxo dos veículos. Não foi o bastante, porém, para escapar de um ônibus que trafegava justamente naquela faixa mais à direita. Ela foi derrubada e terminou esmagada pela roda traseira do coletivo. No dia 02 de março de 2012, três anos depois de Márcia Regina, outra ciclista, Juliana Dias, morreu praticamente no mesmo local da primeira, na mesma avenida, também massacrada por um ônibus.

 

Múltiplos usos da via
A segurança do ciclista pode ser garantida por meio da moderação de tráfego, sinalização adequada, educação, além da implantação de ciclofaixas e rotas cicláveis e, obviamente, pela construção de ciclovias. A divisão e delimitação física de espaços, em locais de grande fluxo de veículos motorizados, aumentam a segurança tanto para os veículos automotores como para pedestres e ciclistas. Após a implantação e o planejamento de ciclovias na Dinamarca, por exemplo, o número de acidentes foi reduzido em 80%. Então, constatamos que uma política de mobilidade adequada tende a reduzir de forma significativa o índice de acidentes fatais, e, consequentemente melhorar a qualidade de vida urbana.

 

Vamos poupar vidas
Você motorista, sabe diferenciar os comportamentos seguros dos comportamentos de risco no trânsito? Geralmente nós não conseguimos manter nossa atenção durante o tempo todo enquanto dirigimos. Constantemente somos levados a pensar em outras coisas, sejam elas importantes ou não. Force a sua concentração no ato de dirigir, acostumando-se a observar sempre tudo à sua volta alternadamente enquanto dirige.
Muito mais ousado seria revermos os limites de velocidade nos centros urbanos, como fizeram os europeus. Nas ruas francesas e inglesas, como exemplos de inclusão, ao invés da segregação – lá todos “convivem”, “partilham”. O que pouca gente sabe e ninguém quer revelar é a “mágica” que viabiliza essa convivência “civilizada” de ciclistas e motoristas: a regulação e fiscalização severas da velocidade nas ruas da cidade.

 

A velocidade muda tudo
A 30 km/h você restitui ao condutor do carro a possibilidade real de ver o ciclista, não tanto ao condutor do ônibus ou dos caminhões, cujos pontos cegos são imensos e insolúveis. De qualquer maneira, equalizam-se as disparidades mencionadas acima, a partir da escala mais humana da bicicleta e asseguram-se condições de segurança melhores para os mais frágeis. Em Londres, as velocidades variam entre 30 e 50 km/h. Queremos partilhar as vias por aqui? Lutemos, então, pela revisão dos limites de velocidade: na Avenida Paulista, 50 km/h, no máximo; E nas vias locais, 30 km/h ou menos, e assim por diante. Vamos encarar?

 

*Cristina Baddini Lucas
Assessora do MDT, colunista do Diario do Grande ABC (Coluna De Olho no Trânsito)

 

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