NOTÍCIAS

Trânsito: a tragédia reprisada, por Ildo Mario SzinvelskI*

NULL
Publicado em

    Lamentavelmente, nosso trânsito continua chacinando como uma verdadeira guerra civil. A consequência é muita tristeza, famílias abaladas, sonhos abortados, vidas dilaceradas. Por óbvio, o Código de Trânsito Brasileiro (a lei) não tem o dom milagroso de converter os atuais motoristas em exemplos de prudência, responsabilidade e educação de uma hora para outra. Sem a introspecção, a intenção verdadeira e a atitude positiva para a mudança comportamental, estamos fadados a assistir à carnificina e aos destroços deixados nas vias públicas, como acontece a cada feriado.
    Para começar a mudar essa realidade, é necessário romper, de uma vez por todas, com esse cinismo que qualifica a tragédia no trânsito como fatalidade. A inobservância das regras elementares do trânsito não pode ser caracterizada como acidente, pois não é obra do acaso. São eventos que podem ser evitados. Conceitualmente, portanto, não são acidentes, e sim desastres.
    A capacidade de matar e ferir no trânsito suscita reflexões sobre as condutas e comportamentos humanos. A onipotência do condutor, a petulância jovial, a ousadia, a sandice e o escárnio de alguns motoristas refletem um vazio existencial, uma tentativa vã de resgatar uma autoestima debilitada. O nosso “herói automobilístico“ deixa de perceber que o acelerador não é um mero dispositivo tecnológico, nem a mera extensão das suas emoções, fantasias e frustrações. E, ainda, que no trânsito não temos uma segunda chance, não há como voltar atrás do já acontecido, qual seja, a lesão, o dano, a morte.
    A responsabilidade pessoal do condutor é intransferível. E, por isso, o trabalho a fazer é amansar o elemento irascível do motorista que se transforma ao volante e incorpora como extensão corpórea a sua armadura metálica nas vias públicas. A morte no trânsito não se caracteriza como fatalidade, e sim insolência, futilidade e falta de amor à vida.
    A construção de um trânsito saudável e seguro exige a participação de todos os protagonistas. As decisões são pessoais, voluntárias, conscientes, intransferíveis e, portanto, individuais. Assim, a mudança dependerá de cada um de nós, e de todos nós. Mas precisamos ser radicais na defesa da vida. Precisamos de uma revolução de comportamentos, a começar pelo afastamento das subjetividades pérfidas, com ações de respeito, cidadania e corresponsabilidade social no trânsito.

Ildo Mario SzinvelskI – Diretor técnico do Detran/RS

Originalmente publicado pelo jornal Zero Hora

COMPARTILHAR

Veja

também

Pesquisa mostra que 43% dos usuários têm medo de usar transporte público no pós-pandemia

Perkons é uma das melhores empresas para trabalhar

Cidades apostam na Muralha Digital para gestão de trânsito e repressão a crimes

Perkons apresenta primeiro carro 100% elétrico da frota para manutenção dos equipamentos de Curitiba

Perkons e Prefeitura de Curitiba iniciam teste de equipamento que promete identificar condutores barulhentos no trânsito

Juntos salvamos vidas é o tema da Semana Nacional de Trânsito

Lombada eletrônica completa 30 anos e já ajudou a salvar mais de 80 mil vidas

Homens continuam a ser mais imprudentes no trânsito

Perkons, uma das empresas mais inovadoras do país, completa 31 anos

Chuva e neblina podem comprometer a segurança no trânsito

Nascemos do ideal por um transitar seguro e há três décadas nossos valores e pioneirismo nos permitem atuar no mercado de ITS atendendo demandas relativas à segurança viária, fiscalização eletrônica de trânsito, mobilidade urbana e gerenciamento de tráfego.

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.