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‘Temos gente capacitada e bons conteúdos. Falta dar capilaridade’

Especialistas em trânsito falam sobre as conquistas e os desafios da educação viária no Brasil

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Quando o assunto é educação lidamos o tempo todo com conceitos e ética. Dessa forma, no trabalho com o jovem e com a criança, é preciso mostrar o valor do respeito em geral. Do ponto de vista da própria ética e do papel da escola, que muitas vezes sequer dá condição para que a criança transborde essa educação além dos muros da escola.
A transversalidade, na questão da saúde, da educação, transporte e meio ambiente com o trânsito é muito importante. Analisado do ponto de vista da política pública se faz essencial. Luiz Carlos Néspoli, da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET), um dos estudiosos de educação de trânsito mais respeitados no país, esteve no 18º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, da ANTP, e falou sobre o tema.
Segundo ele, “levantamos que existem, hoje, no Brasil, mais de 300 mil pessoas, entre professores, especialistas e profissionais que falam de trânsito no país. Mas o que será que eles estão falando?”.
O responsável pelo setor de educação da CET/SP conta que há muitas experiências de educação no trânsito e que é preciso tirar o melhor do que cada um está fazendo. “A nossa política de educação no trânsito se baseia em educar alunos, condutores habilitados, profissionais do setor, além de criar campanhas educativas e ações comunitárias. No entanto, os programas são espasmódicos”, constata. “Hoje, há mais gente capacitada, bons e fartos conteúdos educativos. Mas precisamos dar capilaridade a esse material, envolvendo mídia, autoridades e sociedade. Assim, dá certo”, completa.

A preferência do pedestre
Recentemente, a CET/SP colocou nas ruas uma campanha pedindo aos participantes do trânsito que priorizem o pedestre. Batizada de “Dê preferência à vida, respeite o pedestre”, o projeto comprova a eficácia de uma fórmula desenvolvida pelo departamento de educação em poucos meses.
“Em São Paulo, esse tipo de ocorrência representa mais de 50% das estatísticas de acidentes de trânsito. A questão é colocar o assunto em discussão porque dela surge conhecimento. Antes da campanha, apenas 10% dos motoristas respeitavam pedestres na faixa, em 60 dias depois da campanha discutida e repercutida, esse número subiu para 25%, em outubro, já estamos em 32%”, apresenta.
O Código de Trânsito Brasileiro, quando passou a viger em 1998, foi anunciado à época como o código da vida por prever que os pedestres tinham prioridade. Para Maria Amélia Franco, especialista em trânsito e gerente de comunicação corporativa da Perkons, empresa que trabalha com gestão de tecnologias para o trânsito, “o sucesso em uma campanha como esta, passa necessariamente pela integração de ações de engenharia, educação e fiscalização, assim como a atuação por meio da mobilização da sociedade e imprensa”, diz. 
Ela acredita que as intervenções nas vias, como sinalização, melhoria de calçadas, além de mudanças no ambiente são algumas medidas de engenharia que contribuem para a percepção de que a preferência é do pedestre. A responsável pela criação do site www.educacaoetransito.com.br afirma que medidas como essa são percebidas rapidamente pois fazem parte do cenário. “Já a fiscalização, ampliada por meio das tecnologias de monitoramento disponíveis, cumpre o papel de fazer valer a sinalização, a lei e prevalecer o respeito”, conclui.

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