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“Segui o conselho de minha mãe, mas o outro motorista estava bêbado”

por Milton Corrêa da Costa*

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“Mãe, fui a uma festa e me lembrei do que você me disse. Você pediu que eu não tomasse álcool, mãe… Então, ao invés disso, tomei um “sprite”. Senti orgulho de minha mesma, e do modo como você disse que não deveria beber e dirigir, ao contrário do que alguns amigos me disseram. Fiz uma escolha saudável e seu conselho foi correto. Quando a festa acabou o pessoal começou a dirigir sem condições. Fui para o meu carro na certeza de que iria para casa em paz. Eu nunca poderia imaginar o que estava me aguardando, mãe… Algo que eu não poderia esperar. Agora estou jogada na rua e ouvi o policial dizer: “O rapaz que causou este acidente estava bêbado…”, mãe; sua voz parecia tão distante… Meu sangue está escorrido por todos os lados e eu estou tentando, com todas as minhas forças, não chorar… Posso ouvir os paramédicos dizerem: “A garota vai morrer”… Tenho a certeza de que o garoto não tinha a menor ideia, enquanto estava a toda velocidade, afinal ele decidiu beber e dirigir, e agora tenho que morrer. Então por que as pessoas fazem isso, mãe, sabendo que isso vai arruinar vidas? E agora a dor está me cortando como uma centena de facas afiadas… Diga a minha irmã para não ficar assustada, mãe! Diga ao papai que ele seja forte. E quando eu for para o céu, escreva algo em minha lápide que possa servir de ensinamento a quem bebe ao volante, mata, morre e mutila e causa dor e tristeza às famílias. Alguém deveria ter dito aquele garoto que é errado beber e dirigir. Talvez, se seus pais tivessem dito, eu ainda teria a possibilidade de frequentar muitas festas e continuar ao lado de vocês. Minha respiração está ficando mais fraca mãe, e eu estou realmente ficando com medo… Estes são meus momentos finais e me sinto tão despreparada… Eu gostaria que você pudesse me abraçar mãe… Enquanto estou estirada aqui, morrendo, eu gostaria de dizer que te amo, mãe… (NESTE MOMENTO, AO REPRODUZIR O TEXTO, NÃO RESISTI E FUI TOMADO PELAS LÁGRIMAS E PELA TRISTEZA; TENHO TRÊS FILHAS; RECOBRO AS FORÇAS E SIGO EM FRENTE). Então: Te amo e adeus…”
Essas palavras foram escritas por um jornalista que presenciou o acidente enquanto a jovem agonizava. Muito chocado o jornalista, há tempos atrás, iniciou uma campanha para que você não perca a chance de também conscientizar mais e mais pessoas. Este pequeno gesto pode fazer a diferença. Não espere que um amigo ou um parente morra para que você mude a sua atitude no trânsito. Você pode, a partir de agora, estar fazendo algo para mudar isso.
Ao repassar esse texto você estará começando a mudança. Não deixe que sua mãe passe pela dor eterna da saudade de sua ausência, pela atitude imprudente ao volante ao conduzir um carro ou uma moto. Não lhe dê esse triste presente. Neste domingo, a ela especialmente dedicado, abrace-a com todas as forças do mundo. Não perca essa oportunidade. Outras não poderão sentir a mesma ternura. Abrace sua mãe por muitos e muitos anos. Se beber não dirija.

 

*Milton Corrêa da Costa
Coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro e articulista da ABETRAN

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