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Remédio que não funciona

por Cristina Baddini Lucas*

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Abrindo mais vias nas cidades mais se estimula o uso do automóvel. A frota de veículos da cidade de São Paulo tem mais de 7 milhões de unidades sendo que mais de 5 milhões são automóveis. Se todos esses carros, ônibus, motos e caminhões circularem ao mesmo tempo na capital paulista, não haverá espaço suficiente para que fiquem parados um atrás do outro nas vias de trânsito disponíveis. Concentrar esforços na construção ou ampliação de vias é um erro estratégico, um viés antissocial e antidemocrático. E o problema é que esse modelo adotado na capital e que prioriza o transporte individual, está se “replicando” em todas as cidades do país. Todas as cidades brasileiras vão entrar em colapso nos próximos dez anos se mantivermos esse mesmo modelo do automóvel.

Mudar o foco
Para resolver o problema de mobilidade urbana é preciso uma mudança do Poder Público nas três esferas de governo: deixar de investir em asfalto e no transporte individual e passar a concentrar esforços nos veículos de massa, principalmente nos corredores de ônibus, bondes, metrôs e trens. Experiências em outras cidades mostraram que o único jeito é abrir espaço para infraestrutura de transporte coletivo. Não dá mais para a gente ocupar espaço na cidade com sistema viário, com rua e estacionamento, não há mais espaço para expandir isso. A ocupação desses espaços por automóveis individuais otimiza pouco: um automóvel, transportando uma ou duas pessoas, ocupa muito espaço e polui bastante, sem contar o alto número de acidentes. Se aproveitar esse viário para instalar um sistema de transporte coletivo, num espaço menor, será transportada uma quantidade maior de gente, com menos poluição por pessoa transportada.

Soluções
Se houver alternativas, as pessoas deixam de utilizar o veículo porque o custo é muito grande: tem que investir capital naquele bem que vai se depreciar; gasta-se combustível que está muito caro; gasta-se com estacionamento; corre-se o risco de receber multa e perder tempo com deslocamentos sem poder atender o telefone ou fazer alguma coisa. Ao passo que, em havendo um transporte de massa digno, as pessoas poderiam aproveitar o tempo de deslocamento para ler um jornal, estudar, se atualizarem, ou até dormirem um pouquinho ou simplesmente conversarem com os demais passageiros.
Para que sejamos estimulados a deixar o carro em casa, optando pela utilização do transporte público, a primeira necessidade é ampliar a oferta, fazendo com que ele atinja todos os pontos da cidade. O transporte também precisa ser frequente, confiável, confortável e estar integrado com as demais redes e linhas.

Pedágio e Rodízio
A Lei da Mobilidade recém-aprovada e sancionada cria a possibilidade de cobrança pela utilização da infraestrutura urbana, para desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade. A receita deverá ser aplicada exclusivamente em infraestrutura urbana destinada ao transporte público coletivo e ao transporte não motorizado e no financiamento do subsídio público da tarifa de transporte público
As cidades devem investir também no transporte de bicicletas como uma alternativa de deslocamento. Trabalhar a correta utilização da bicicleta é um desafio que se impõe aos técnicos e dirigentes municipais, para que em um futuro não muito distante, a utilização da magrela não venha a acarretar tantos acidentes e insegurança como acontece hoje com as motocicletas.   Proteger o pedestre durante as suas caminhadas é também papel do Poder Público. Lute contra a política de estado de universalizar o uso e a propriedade dos automóveis com recursos públicos.

 

*Cristina Baddini Lucas
Assessora do MDT, colunista do Diario do Grande ABC (Coluna De Olho no Trânsito)

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