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Quem matou os 11 motociclistas?

por Sydnei Ulisses de Melo*

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O IML – Instituto Médico Legal de Sergipe registrou durante o carnaval de 2012, a ocorrência de 17 óbitos decorrentes de acidentes de trânsito no Estado, sendo 11 de motociclistas. Número impressionante já que no mesmo período no ano passado foram apenas 6 óbitos no total.
Para a maioria das famílias nada mudou, morreram alguns e “é assim mesmo”, o trânsito é violento e todo mundo sabe, tem que ter muito cuidado e pronto. Os motociclistas são “imprudentes” e por isso acabam se envolvendo em acidentes. Assim pensa a maioria dos cidadãos.
Mas a realidade pode ser alterada se a sociedade entender a parcela de responsabilidade de cada um. Quando o número de mortos é  apresentado nos noticiários faltam-nos algumas informações que poderiam elucidar os reais motivos que levaram estes motociclistas a morte. Por exemplo: Não sabemos quantos condutores mortos eram habilitados, tão pouco quantos utilizavam capacetes presos de forma adequada e quantos eram de maior de idade, informações que podem mostrar com clareza o quanto somos irresponsáveis.
Se não formos traídos pela probabilidade, pelo menos seis entre os onze mortos não eram habilitados, com grande possibilidade de alguns serem menores e estarem sem capacete ou com o equipamento solto para enganar sabe-se lá a quem. É assim que acontece quando a sociedade não assume o seu papel estabelecendo limites.
Por mais absurdo que pareça muitos pais ainda acreditam que o filho deve aprender a dirigir cedo, sem maturidade, sem habilitação, mas perpetuando a virilidade dos homens da família. E quando estes jovens de pais irresponsáveis matam ou lesam alguém, a família corre para protege-lo do alcance da justiça como se todos coitadinhos fossem.
E o poder público, por sua vez, está longe de fazer a sua parte, seja pela incapacidade de fazer valer as regras estabelecidas pelo CTB – Código de Trânsito Brasileiro como acontece em Aracaju onde ciclomotores circulam barbarizando a cidade e levando muitos jovens a morte precoce, seja pela falta de fiscalização eficiente dos excessos de velocidade, da falta de educação para o trânsito pouco propagada nas escolas e sobretudo da presença dos condutores sem habilitação (60% dos motociclistas e 30% dos motoristas conforme pesquisa Ibope) que apostam em não serem incomodados, como fazemos com as loterias.
Enfim os 11 motociclistas não morreram por acaso, são conseqüência e reflexo do que está acontecendo com as nossas famílias e com o Pode Público. Ambos tentam transferir para o outro a responsabilidade e enquanto isso vamos acumulando mortos e colocando o nosso Estado nas manchetes regionais como sendo a capital que mais mata no trânsito do nordeste.

 

*Sydnei Ulisses de Melo
Instrutor de trânsito
sydneiulisses@gmail.com

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