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Pedestre tem prioridade?

Departamento de trânsito busca maneiras de evitar mortes por atropelamento nas faixas de pedestres.

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Pedestre tem prioridade?

Quem é prioridade no trânsito? Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, o pedestre, é a parte mais frágil. No entanto, quando se trata de compartilhar o espaço e há uma clara disputa de quem pode mais, como corre nas vias, nem sempre essa lei é respeitada. Para dar ênfase ao conceito de respeito ao mais vulnerável, por meio da educação no trânsito, ferramentas mais sofisticadas, como a travessia elevada, sinalização diferenciada e tecnologia que identifica motoristas que não respeitam o espaço do pedestre foram criadas.

A faixa de pedestre é uma maneira de deixar a travessia mais segura. Fonte: Agência Brasil.

“Em determinado momento do dia, todos nós somos pedestres. Faz parte da consciência coletiva respeitar o espaço reservado à travessia dos que andam a pé”, explica Andréa Costa, diretora Substituta de Educação do Detran do Distrito Federal. Lá, a campanha de respeito à faixa de pedestre acontece ininterruptamente há 15 anos. “Começamos o trabalho aqui em Brasília com 300 faixas; hoje, são quase cinco mil. Em 1997, quando surgiu o trabalho de conscientização do motorista e do pedestre, encontramos muita dificuldade de modificar a cultura. Eram carros em alta velocidade em regiões de pouca movimentação, onde o perigo de atropelamento é maior e pedestres descuidados realizando a travessia em locais pouco iluminados e de grande movimento”, contextualiza.

Mesmo no DF, referência na campanha, os números de mortes na faixa de pedestres têm aumentado. Um relatório do Departamento de Trânsito da localidade dá conta que 136 pedestres morreram em 2011, sendo quatro deles atropelados na faixa. Já em setembro de 2012, foram sete, segundo reportagem do Jornal Nacional. O documento destaca que, apesar da faixa de pedestre ser um equipamento de segurança para a travessia, muitos atropelamentos ocorrem exatamente nestes locais. A situação de risco mais comum ocorre quando um condutor para seu veículo a fim de o pedestre atravessar e, outro motorista não. Desta forma, o pedestre vê o primeiro condutor parar e, confiante, atravessa sem se preocupar com os demais veículos. De 2006 a 2010 esta situação de risco foi responsável por 71% dos acidentes fatais em faixas de pedestre.

Enquanto Brasília lança mão de todos os recursos de maior visibilidade de sinalização para assegurar vidas no trânsito, Londres, no Reino Unido, busca na sofisticação a evolução da educação no trânsito. Naquela cidade, o departamento de trânsito desenvolveu uma alternativa mais sutil para a tradicional zebra, tão conhecida por nós brasileiros: uma linha pontilhada que permeia o espaço de travessia do pedestre. Contando ainda com o suporte dos semáforos, que informam de quem é a vez de atravessar, o pontilhado nas vias parece estar funcionando. A prefeitura de Londres registrou queda no índice de atropelamentos e mortes: de uma média anual de 136, registrada na década de 1990, para 77 em 2011.

Londres registrou queda no índice de atropelamentos e mortes: de uma média anual de 136, registrada na década de 1990, para 77 em 2011. Fonte: Reuters.

A melhoria da sinalização é apontada como uma das principais causas da mudança, ao lado de campanhas educativas e da aplicação correta da tecnologia de trânsito é, na opinião de Vanderlei Santos da Silva Jr, gerente comercial da Perkons, o caminho para a melhoria da segurança na mobilidade. “Em um cenário ideal, fatores como educação, senso de cidadania e tecnologia de gestão do trânsito são bem aplicadas em um trânsito que trabalha pelo bem estar de todos. Hoje, os órgãos de trânsito usam sensores e câmeras para verificar se os automóveis estão respeitando o sinal vermelho e, assim, a travessia dos pedestres, punindo aqueles que não cumprem a lei. É esta a segurança que conseguimos garantir à parte mais frágil do trânsito”, diz.

Em Curitiba, a Prefeitura reforçou a preferência dos pedestres com a travessia elevada. O modelo também surgiu na Europa e a capital paranaense foi uma das primeiras a utilizar a ferramenta. Mesmo assim, a falta de hábito dos cidadãos acaba deixando de lado a prioridade dos que andam a pé. Bruno Molteni, empresário que gerencia um escritório num dos bairros centrais da cidade, costuma fazer muitos dos seus trajetos diários a pé e é testemunha do desrespeito dos motoristas. “Sempre preciso passar pela Rua Senador Xavier da Silva, onde existe uma travessia elevada. De fato, o pedestre não tem a preferência. Os carros fazem a curva em alta velocidade e a maioria não consegue frear para permitir a passagem do pedestre. Muitos deles, inclusive, buzinam reclamando”, expõe.

Travessia elevada. Fonte: URBS.

Apesar de cada vez mais comuns, as travessias ainda não foram regulamentadas pelo Código de Trânsito Brasileiro e ainda estão em fase de teste. “A ideia de estender a calçada pela rua é para que o motorista reduza a velocidade, pare o automóvel e permita a passagem do pedestre com segurança. O desrespeito ao pedestre é infração gravíssima, implicando em multa de R$191,54. A preferência é sempre do pedestre”, esclarece Vanderlei Santos da Silva Jr.

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