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Opções viáveis incentivam deixar o carro em casa

Sucesso do Dia Mundial sem Carro depende de melhorias no transporte coletivo

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Crédito: Shutterstock
“Em um mundo que sofre a pressão do relógio, as pessoas tendem a escolher o que é mais conveniente”, diz Simões.

No próximo dia 22 de setembro, todo o planeta movimenta-se para refletir a real necessidade dos automóveis em nossa vida. Criada em 1998, na França, a campanha do Dia Mundial sem Carro surgiu com a participação de 35 cidades. Com o passar dos anos, outros países europeus aderiram à data. O movimento chegou ao Brasil em 2001 e boa parte das grandes cidades participa da iniciativa com baixa adesão. A aderência dos motoristas depende de investimentos no transporte coletivo e de uma participação maior do poder público.

O presidente do Instituto Rua Viva, Nazareno Affonso, destaca que o engajamento das pessoas depende das prefeituras. “Na cidade de Palermo, na Itália, a prefeitura fechou todo o centro da cidade durante a data. Em alguns municípios brasileiros já fecharam cruzamentos importantes ou vias em frente à praia. Ainda é pouco se pensarmos que para eventos esportivos ou festas as cidades conseguem fechar uma área muito maior. Ainda existe medo por parte de muitos secretários para as repercussões negativas da jornada. O peso da cultura automobilística ainda é muito forte”, afirma.

Para Ricardo Simões, gerente de produtos da Perkons, a participação depende muito da boa vontade do indivíduo. “Muitas pessoas não aderem, pois não enxergam alternativas viáveis para seu trajeto ao ocupar outros tipos de veículos ou adotar o transporte coletivo de sua cidade, pois tais possibilidades não satisfazem suas necessidades de locomoção de maneira adequada, confortável e, sobretudo, rápida. Em um mundo que sofre a pressão do relógio, as pessoas tendem a escolher o que é mais conveniente”, lembra.

Iniciativas punitivas para tirar os veículos das ruas são adotadas em diversas cidades, porém uma política incentivadora poderia gerar resultados mais tangíveis não só na data, mas durante todo o ano. “Essas ações tendem a ser encaradas mais como um problema do que uma alternativa que vá provocar a aderência. Por isso, creio que há uma necessidade de propor soluções que caminhem na contramão da punição ou restrição. Políticas de incentivo que permitam ao usuário ser beneficiado, um ganho real ao escolher, por exemplo, dar carona poderia gerar descontos no IPVA ou licenciamento. Disponibilizar livros nos ônibus também é uma opção de cultura e lazer para o cidadão  que alcança outros aspectos de sua vida”, explica Simões.

Nazareno defende que os carros sejam mais bem ocupados. “Já existe muita gente que deixou de usar o carro por opção própria. Percebemos o crescimento da carona solidária e a criação de movimentos em prol dos automóveis compartilhados. Mas a verdade é que as pessoas só vão deixar os carros em casa quando o transporte for de qualidade. Temos que tirar os ônibus dos congestionamentos. Quando o motorista se deparar com estacionamentos caros e com um transporte coletivo que faz a mesma viagem na metade do tempo, vai aderir”, explica.

Deixar o automóvel faz bem

Além de colaborar com o trânsito e a mobilidade urbana de sua cidade, ao escolher formas alternativas de transporte, as pessoas também investem no bem-estar. De acordo com um estudo britânico, desenvolvido pelas universidades de East Anglia (UEA) e York, deixar o carro na garagem pode ter um impacto enorme na qualidade de vida. Além dos óbvios efeitos na saúde, o estudo destaca os efeitos psicológicos da troca de meio de transporte.

Os cientistas observaram 18 mil pessoas por 10 anos e monitoraram níveis de inutilidade, infelicidade, insônia e incapacidade de resolver problemas dos participantes. No grupo de 18 mil, 73% usava carros para ir ao trabalho, 13% caminhava e 3% pedalava. Cerca de 11% adotava o transporte público. Aqueles que tinham viagens mais ativas apresentaram níveis de bem-estar maiores do que os que dirigiam ou iam de ônibus.

A pesquisa mostrou que quanto mais tempo as pessoas passavam dentro dos carros, pior se sentiam. Já nos ônibus e trens, apesar dos problemas típicos como multidões e atrasos, as pessoas tinham oportunidade de conversar e ler. Além disso, normalmente elas caminham até o ponto de ônibus ou estação de trem.

Para Roberto Douglas Moreira, médico e presidente da Associação Brasileira de Medicina e Tráfego (Abramet), ampliar a divulgação do evento e falar dos seus benefícios é essencial para que as pessoas participem do Dia Mundial sem Carro. “As pessoas precisam saber o que é este dia e o porquê. A Abramet vem lutando para mudar essa cultura no trânsito e a saúde vem junto com as mudanças. Se elas têm conhecimento sobre as outras formas de transporte e, mesmo assim, optarem pelo carro, que adotem a carona”, afirma.

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