NOTÍCIAS

O mundo sobre duas rodas cresce, por Cristina Baddini Lucas

NULL
Publicado em

    Com estímulos fiscais aliados a um mercado potencial bastante promissor, não foi difícil a tomada de decisão de algumas multinacionais para a se estabelecerem aqui no Brasil. A legendária Harley-Davidson, que une fãs em todo o mundo, instalou sua única fábrica fora dos Estados Unidos em Manaus. Outras, como as japonesas Honda e Yamaha, já produzem e vendem aqui há mais de trinta anos. No início era difícil montar uma motocicleta no Brasil. A necessidade de importar componentes e formar mão de obra para dar assistência técnica foi um complicador de primeira grandeza. Com o passar do tempo, as empresas se adequaram às exigências do consumidor brasileiro e aumentaram o índice de nacionalização das peças.
    Mas,a proliferação das motos tem muitas causas. Uma é o custo menor que o de um carro. Há que se considerar também a incrível valorização do real observada nos últimos anos que colaborou diretamente na redução dos custos de importação.   Há consórcios em que se pode comprar uma moto por 90 reais ao mês, mas o financiamento a médio e longo prazos com taxas reduzidas e subsidiadas pelas próprias marcas é hoje o carro chefe das vendas. Motos menos equipadas podem ser adquiridas em prestações de 70 reais por mês, em 36 parcelas ou mais.  A maior parte das pessoas que tiram dinheiro do bolso para comprar uma moto de baixa cilindrada não ganha mais que um salário mínimo.
    A segunda razão é o menor custo de operação. Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos- ANTP, uma viagem de sete quilômetros num grande centro urbano custa 60 centavos numa moto; um real e 20 em ônibus; e um real e 80 centavos de carro.
    A terceira razão é o tempo menor gasto nas viagens de moto. Nesse mesmo percurso de sete quilômetros, enquanto a moto gasta 16 minutos, o carro precisa de pelo menos 20 minutos e o ônibus de 43 minutos. Por isso, parte dos usuários de motos tem carros também, mas usam motocicletas para ganhar tempo. A agilidade de operação e sua relativa facilidade de estacionamento são contadas como grande vantagem deste meio de transporte. 
    A grande desvantagem da motocicleta, no entanto, é a insegurança que ela representa, uma vez que o risco de acidentes com vítimas graves e fatais é cinco vezes superior ao de quem usa automóvel.
    E com certeza a falta de regras – ou a sua não obediência pelos motoqueiros – está agravando os problemas do trânsito nas grandes cidades. As motos em geral não respeitam regras para ultrapassagem e até mesmo sinais fechados e faixas de pedestres.
    A indústria do setor deve ser questionada sobre seu papel na mobilidade sustentável urbana uma vez que ela se beneficia do bônus do aumento de vendas versus o ônus do Poder Público e da sociedade pelas consequências negativas do uso da moto. Ou os fabricantes partem para uma prática sustentável e enxergam o problema ou podem começar a perder terreno pagando um alto preço pelo próprio crescimento. Parece evidente que o Brasil terá que formular com urgência uma política pública específica com normas e regras rigorosas tanto para a fabricação e para o trânsito de motocicletas. Por que não vender os acessórios conjuntamente com as motos? Por que não impedir que pessoas sem a habilitação adequada continuem comprando motos? Por que não incluir o treinamento na venda da moto?


Cristina Baddini Lucas –  Consultora do Diário do Grande ABC, Diretora da ONG Rua Viva, Assessora do MDT
Visite os blogs:  http://olhonotransito.blogspot.com&nbsp

COMPARTILHAR

Veja

também

Perkons é uma das melhores empresas para trabalhar

Cidades apostam na Muralha Digital para gestão de trânsito e repressão a crimes

Perkons apresenta primeiro carro 100% elétrico da frota para manutenção dos equipamentos de Curitiba

Perkons e Prefeitura de Curitiba iniciam teste de equipamento que promete identificar condutores barulhentos no trânsito

Juntos salvamos vidas é o tema da Semana Nacional de Trânsito

Lombada eletrônica completa 30 anos e já ajudou a salvar mais de 80 mil vidas

Homens continuam a ser mais imprudentes no trânsito

Perkons, uma das empresas mais inovadoras do país, completa 31 anos

Chuva e neblina podem comprometer a segurança no trânsito

Aumento nos combustíveis pode diminuir número de veículos circulando

Nacimos del ideal de un tránsito seguro y desde hace tres décadas nuestros valores y espíritu pionero nos han permitido operar en el mercado ITS, atendiendo demandas relacionadas con la seguridad vial, el control electrónico de tránsito, la movilidad urbana y la gestión de tránsito.

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.