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O Império do Automóvel

por Cristina Baddini Lucas*

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5% do o PIB brasileiro vêm da indústria automotiva. Nunca se vendeu tanto carro no Brasil. Mais de 3,5 milhões de veículos novos no ano passado. Todos sabem que o automóvel, desde o século passado, tornou-se objeto de desejo, passando a concentrar os grandes investimentos públicos, alterando os deslocamentos, deixando as cidades mais espraiadas e caras. Com uma cadeia produtiva complexa, a produção de automóveis é responsável por 22,5% de toda a riqueza gerada pela indústria nacional. Pelo cenário de hoje, o poder aquisitivo aumenta, vendem-se mais carros, mais riquezas são geradas e começa tudo de novo. Para a ANFAVEA, até 2020 6 milhões de unidades serão vendidas por ano. O cenário que se desenha é caótico para qualquer parte do Brasil, seja em grandes capitais ou cidades de médio porte, o trânsito vai piorar muito.

Construir mais vias é enxugar gelo

Se o trânsito de carros aumenta, muitos pensam que a solução é construir mais ruas e avenidas mais largas. Ora, isso parece óbvio. Mas não é.  Já se provou que não resolve e agrava  o problema. Na verdade, se o trânsito está ruim, é porque a cidade está mal projetada. O transporte não motorizado não tem espaço nas cidades. As pessoas estão morando muito longe de onde trabalham e a ocupação urbana é mal distribuída. Também o transporte coletivo não é de qualidade entre casa e trabalho.  Se essas questões não são resolvidas e simplesmente se alarga ou constrói mais avenidas, o resultado é que, como o trânsito melhora num primeiro momento, o mercado imobiliário não tarda a agir, e logo mais pessoas estão trabalhando num bairro e morando em outro bem longe, fazendo com que o trânsito piore novamente, agora com volume maior. Na Europa, ao contrário do Brasil, cresce o movimento de tirar o privilégio dos carros.

Luz no fim do túnel

A Lei n. 12.587, que instituiu as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana foi sancionada pela Presidenta Dilma no início do ano e, entre outros dispositivos de grande importância, estabelece a prevalência do transporte coletivo e dos modos de transportes não motorizados sobre o transporte individual nos sistemas viários de nossas cidades. Além disto,  tem como objetivos a redução das desigualdades e promoção da inclusão social, do acesso aos serviços básicos e equipamentos sociais e proporciona melhoria nas condições urbanas da população no que se refere à acessibilidade e à mobilidade, além de promover o desenvolvimento sustentável com a mitigação dos custos ambientais e socioeconômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas nas cidades, o que fará toda a diferença em termos de políticas públicas para a mobilidade urbana.
A Lei disciplina ainda os direitos dos usuários; as atribuições da União, dos estados e dos municípios, além dos instrumentos de apoio à mobilidade urbana, entre outros pontos. O futuro, além de um bom transporte público, é dos carros compartilhados. Ou do transporte individual, mas com bicicletas, por exemplo. Ou com veículos elétricos, que circulem a 25 quilômetros por hora transportando mais que uma pessoa. O futuro é da carona amiga. O futuro é do sistema integrado. O futuro é não precisar mais percorrer longas distâncias e fazer viagens malucas de três horas para chegar ao trabalho. Enfim, o futuro é com espaços urbanos como locais de convivência de toda a população.

*Cristina Baddini Lucas
Assessora do MDT, colunista do Diario do Grande ABC (Coluna De Olho no Trânsito)

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