NOTÍCIAS

Multas de trânsito denunciam individualismo do motorista

Especialistas também associam infrações ao mau planejamento urbano das cidades

Publicado em
o16smfw1zbzitbypbbl1

Velocidade excessiva, desobediência ao sinal vermelho e desleixo no uso do cinto de segurança. Embora bastante debatidos, os riscos por trás dessas condutas não foram suficientes para retirá-las do ranking das dez infrações de trânsito mais comuns no estado do Rio de Janeiro no primeiro trimestre de 2017. O cenário plural e de excessos não se restringe à capital carioca. Na cidade de São Paulo, entre janeiro e dezembro de 2016, foram registradas 15.455.669 infrações de trânsito, 78% delas captadas eletronicamente. Dessas, as mais frequentes foram, respectivamente: transitar em velocidade superior à máxima em até 20%; circular em local ou horário não permitido pelo rodízio; e transitar em faixa ou via exclusiva de transporte público.

Conforme o especialista em trânsito e diretor da Perkons, empresa especializada em gestão de trânsito, Luiz Gustavo Campos, um dos caminhos para mudar esse panorama é desconstruir a cultura da individualidade, infeliz e erroneamente vinculada ao trânsito. “É necessário ter a consciência de que fazemos parte de um todo, maior e mais complexo, e que o trânsito é o conjunto de todas as ações desse sistema. O que é melhor para todos deve ser mais importante do que o objetivo perseguido por apenas um indivíduo”, salienta.

Olhar global é caminho para um trânsito mais seguro

Para a conselheira do Conselho Estadual de Trânsito do Paraná (Cetran), professoraIara Thielen, a falta desse senso de coletividade no trânsito dá os primeiros indícios no desrespeito e na pouca cordialidade das relações firmadas nele. “No trânsito, cada um se acha no direito de cometer pequenos deslizes, enquanto o outro é sempre visto como inimigo. As pessoas não se dão conta que estão inseridas em um espaço democrático e que nele não existe ação individual sem repercussão coletiva”, sintetiza.

Uma das ocasiões que mais evoca a percepção de si mesmo como sendo superior dentro do contexto é a autuação. “É comum vermos nas análises de recursos de multas um conjunto de argumentos inconsistentes, como ‘só bebi um pouquinho’. A minimização dos atos mostra que as pessoas não acreditam que as posturas tomadas no trânsito são danosas”, esclarece Iara. O resultado disso são condutores que não apenas questionam, mas depositam a culpa da infração no outro, na legislação e na fiscalização. “São mecanismos recorrentes de um infrator para não se perceber como ator – uma vez que não é apensas um coadjuvante – no trânsito”, lembra a conselheira.

Planejamento urbano tem impacto nas condutas do motorista

Segundo o mestre em antropologia social, Marcelo Camargo, além do individualismo, uma série de outras variáveis precisam ser consideradas na relação entre motoristas e infrações cometidas. “Alguém que desrespeita regras de trânsito pode fazê-lo porque se sente mais ‘dono da rua’ do que os outros, e aí precisaríamos pensar de que maneira e o que, no Brasil, forma a ideia sobre quem é ou não mais importante, inclusive em espaços públicos. Ideias que passam por classe social, gênero, raça, origem regional, e outros eixos”, acrescenta.

Por um olhar mais amplo, Camargo entrelaça as infrações de trânsito a uma desconexão entre as demandas reais da vida na cidade e o planejamento urbano atual no país. “Casos recorrentes de desrespeito ao espaço do pedestre, por exemplo, resultam com frequência de uma relação má construída entre o ambiente destinado a ele e ao motorista, com calçadas inadequadas, zonas de engarrafamento que estimulam a pressa e o estresse e ruas esburacadas, que impossibilitam a circulação organizada tanto de automóveis como de pedestres”, exemplifica.

É justamente sobre a administração da cidade que recai, do ponto de vista de Camargo, uma das possibilidades de desmistificar a visão negativa que se tem das infrações. “Se o objetivo é uma melhor relação entre o cidadão e as leis de trânsito, o primeiro passo é reconhecer plenamente o cidadão enquanto tal. Isto significa repensar as malhas de transportes públicos abrir os mecanismos do planejamento público para a participação popular efetiva; garantir mais segurança no trânsito e nas ruas através da atenção efetiva às causas da insegurança e por aí vai”, conclui.

Shutterstock
Para o mestre em antropologia social, Marcelo Camargo, os gestores urbanos também são responsáveis por desmistificar a visão negativa que se tem das multas de trânsito

 

COMPARTILHAR

Veja

também

Perkons é uma das melhores empresas para trabalhar

Cidades apostam na Muralha Digital para gestão de trânsito e repressão a crimes

Perkons apresenta primeiro carro 100% elétrico da frota para manutenção dos equipamentos de Curitiba

Perkons e Prefeitura de Curitiba iniciam teste de equipamento que promete identificar condutores barulhentos no trânsito

Juntos salvamos vidas é o tema da Semana Nacional de Trânsito

Lombada eletrônica completa 30 anos e já ajudou a salvar mais de 80 mil vidas

Homens continuam a ser mais imprudentes no trânsito

Perkons, uma das empresas mais inovadoras do país, completa 31 anos

Chuva e neblina podem comprometer a segurança no trânsito

Aumento nos combustíveis pode diminuir número de veículos circulando

Nacimos del ideal de un tránsito seguro y desde hace tres décadas nuestros valores y espíritu pionero nos han permitido operar en el mercado ITS, atendiendo demandas relacionadas con la seguridad vial, el control electrónico de tránsito, la movilidad urbana y la gestión de tránsito.

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.