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Mobilidade segura para os grupos mais vulneráveis

por Archimedes A. Raia Jr.*

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As vias são, em geral, e acima de tudo, locais de convivência e contato entre as pessoas, onde diferentes redes de mobilidade, tais como pedestres, ciclistas, automóveis, motos, transporte público e transporte de cargas, dividem um espaço limitado, sujeito a determinadas regras de uso.

É preciso ter-se em consideração que cada modo de transporte ou de deslocamento possui suas próprias características e necessidades em termos de espaço, velocidade, ocupação, etc. Eles devem se integrar adequadamente na hierarquia das prioridades, definidas pelos responsáveis pelo espaço público, no que diz respeito à distribuição equitativa de sua área urbana. Neste sentido, os sistemas de transportes mais eficientes e saudáveis devem ser protegidos em relação a outros modos de transporte motorizados, desde que, é claro, o desafio seja avançar para um modelo de mobilidade urbana mais segura e sustentável.

Apesar de o Brasil registrar uma gradativa e substancial redução na mortalidade de pedestres, entre 1996 a 2010, de cerca de 51%, a quantidade de pedestres mortos em 2010 (quase 12 mil) é inaceitável. De outro lado, a morte de ciclistas cresceu quase 208%, neste mesmo período. Em 2010, quase 2 mil ciclistas perderam a vida no trânsito.

O Plano Nacional de Redução de Acidentes e Segurança Viária para a Década 2011 -2020, desenvolvido pelo governo brasileiro, parece estar longe de conduzir a resultados marcantes na redução da morbimortalidade nestes grupos mais vulneráveis.
Por este motivo, o planejamento e a gestão do espaço público devem ter como um dos seus principais objetivos reduzir o risco de grupos mais vulneráveis, impulsionando ações que resultem em convivência cidadã e no respeito aos pedestres e ciclistas, por parte dos condutores de veículos motorizados. Há que se lembrar que todos os cidadãos são, em dado momento, pedestres.
De certa forma, há uma pressão pela conquista de espaço na matriz de deslocamentos, principalmente, em grandes cidades, pelo modo cicloviário. E isto é totalmente positivo. No entanto, é preciso ter muita maturidade, tanto por parte de gestores públicos, quanto pelos próprios ciclistas, para se evitar uma mortandade deste grupo bastante vulnerável.

Há vários fatores que influenciam a vulnerabilidade de pedestres e ciclistas nas vias públicas e, portanto, sobre o nível de risco de acidentes a que cada um é submetido. Ao estudá-los possibilita-se conhecer os riscos e agir em conformidade para mitigar suas causas, implementando medidas adequadas em função do grupo ou faixa etária considerada.

Fatores de vulnerabilidade estão relacionados com três áreas principais de atuação em termos de segurança e mobilidade urbana: i) configuração do espaço público urbano, ii) gestão e planejamento do tráfego de veículos motorizados e iii) hábitos e atitudes das pessoas. Deve-se ter em mente que as três áreas estão intimamente relacionadas e devem ser analisadas sempre de modo transversal.

Neste sentido, a necessidade imperiosa de implantação de políticas arrojadas de educação de trânsito no país deve estar na pauta de políticos em todos os níveis de governo. Adicionalmente, espera-se que os órgãos gestores de trânsito possam investir em equipes de colaboradores compostas de especialistas em trânsito, evitando-se o uso de cargos para preenchimento simplesmente político. Trânsito é coisa séria e precisa ser conduzida por quem realmente entende do assunto. O mesmo pode-se ser dito das equipes de planejamento urbano.

Enfim, espera-se uma guinada certeira por parte das autoridades brasileiras. Não é aceitável que um país com a importância do Brasil no cenário mundial, esteja ainda tão atrasado em termos de segurança viária, principalmente, considerando aquela relacionada com os grupos mais vulneráveis nas redes de mobilidade.

Prof. Dr. Archimedes A. Raia Jr.
Engenheiro, mestre e doutor em Engenharia de Transportes, professor da UFSCar e Diretor de Engenharia da Assenag. Coautor dos livros Segurança no Trânsito (Ed. São Francisco, 2008), Segurança Viária (Ed. Suprema, 2012) e Polos geradores de viagens orientados à qualidade de vida e ambiental (Interciência, 2012). E-mail: raiajr@ufscar.br.

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