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Menos de dez mil policiais fiscalizam milhares de quilômetros de rodovias federais

Efetivo é insuficiente, contudo, uso de tecnologia otimiza operações e faz abordagem ser até té 15 minutos mais rápida

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O Brasil apresenta uma malha rodoviária federal de quase duzentos mil quilômetros de rodovias pavimentadas por onde transitam quase 70 milhões de veículos, segundo levantamento do Dnit e do Denatran. As dimensões continentais do país e da frota demandam um enorme contingente de policiais para monitorar as estradas e os motoristas. Uma realidade que ainda está longe de alcançar os 100% de cobertura. Resta agir com mais inteligência e ter a tecnologia como aliada.
Uma experiência realizada com sucesso há pouco mais de um mês pela Polícia Rodoviária Estadual do Paraná levou para as rodovias que cortam o Estado na Operação Verão os touchbooks. Os dispositivos permitem aos oficiais checar todas as informações do veículo e do motorista, antes mesmo da abordagem e da emissão de multas. A organização também implantou um sistema de fiscalização online utilizado pelo FBI e CIA e na Guerra do Golfo.
A melhoria no processo é instantânea: o tempo da abordagem foi reduzido de 20 para cinco minutos, permitindo consulta de informações registradas nos bancos de dados das polícias e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em tempo real. Os policiais em campo podem fazer online levantamentos sobre infrações e furtos de veículos. “Com os dados centralizados e disponibilizados de forma online, temos um perfil atualizado do veículo e do condutor, incluindo as condições da sua CNH”, afirma o comandante do Batalhão da Polícia Rodoviária Estadual, Tenente Coronel João Vieira.
Segundo o especialista em trânsito da Perkons, Luiz Gustavo Campos, o ideal é sempre combinar fiscalização eletrônica com abordagem policial. “Os registros eletrônicos de detecção dos veículos, leitura das placas, infrações de trânsito e as estatísticas geradas permitem planejar operações e reduzir o tempo da abordagem. O uso de um mix de equipamentos fixos, estáticos e portáteis otimiza as etapas da operação, mas, sem dúvida  a presença do efetivo policial sempre será necessária e, com o crescimento da frota, precisa ser ampliado”, completa.

À moda antiga
A abordagem inteligente, como vem sendo chamada, ainda não substitui o antigo método, feito aleatoriamente e por amostragem, que predomina nas operações em rodovias. A abordagem mais comum é aquela em que o policial fica ao longo da rodovia e pede que o veículo pare para verificação de documentos e do veículo.
Em casos de suspeita fundamentada, os policiais realizam a abordagem de forma mais estruturada. “A ação conta com um planejamento estratégico e utiliza um banco de dados que permite rastrear trechos críticos, elencar fatores de risco para acidentes, além de traçar o perfil dos condutores”, explica o inspetor Fabiano Moreno, da Comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os resultados dessas abordagens permitem que os órgãos responsáveis pela fiscalização desenvolvam campanhas educativas e tracem planos de ação para redução de mortes e acidentes.
A PRF atribui ao planejamento e treinamento dos policiais o resultado da operação de final de ano que apresentou uma redução de 18% no número de mortes, em comparação ao mesmo período do ano anterior. “Existe a preocupação em formar e qualificar um profissional polivalente, com base nos conceitos primordiais de cidadania, para que ele esteja preparado para identificar o cenário tão logo faça a abordagem, de forma a conduzi-lo na sequência da maneira mais correta e assertiva”, ressalta Moreno.
Atualmente, a abordagem policial está concentrada nos estados que tem maior fluxo viário por um contingente que deve ser ampliado nos próximos anos. Hoje, a PRF conta com 9.200 policiais. Para este ano de 2012, a instituição deve contar com 2.250 novos profissionais, uma vez que será realizado concurso. Para os próximos dois anos serão abertas mais 3.000 vagas, principalmente em função de um trabalho mais rigoroso na fronteira e nos dois grandes eventos – a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Até lá, a abordagem é ampliada por meio de integração com os órgãos estaduais, de acordo com a necessidade de cada região.

Estatísticas
Para o doutor em Engenharia de Transportes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) Archimedes Raia Junior, a redução de mortes vai além das abordagens e fiscalização e passa necessariamente pela organização das estatísticas: “Apesar dos avanços na organização dos dados, a comparação de informações sobre acidentes e vítimas de trânsito no Brasil é frágil porque não há base de dados confiáveis”, adverte. Segundo ele, falta ao Denatran assumir o planejamento e controle dessas ações e campanhas. “Hoje temos o Denatran com papel secundário. Ele precisa assumir o protagonismo das ações pela segurança na mobilidade, coletando e divulgando os dados para conhecimento de todos em um mesmo formato. O órgão precisa ser mais proativo em relação a isso, atualmente é ainda muito reativo”, diz.

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