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Melhor pedagogia para formação e educação continuada de condutores de veículos

Por Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior*

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93% dos acidentes são causados pelo motorista. Algo de incorreto está acontecendo e providência drástica deveria estar sendo tomada. A inércia das autoridades não implanta mudança radical na formação dos condutores. Com ensinamento básico, poucas horas, sem o pleno conhecimento do homem, da máquina, do meio ambiente, dos riscos e adversidades, de atos e condições inseguras concede-se a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), tudo vindo a constituir o principal fator desencadeante da grande sinistralidade no nosso país.

Sabendo dos riscos que uma máquina sobre rodas pode causar, e as estatísticas de sinistralidade comprovando isso, não podemos entender como o estado faz a concessão de uma Carteira Nacional de Habilitação da maneira que o faz. O candidato sabe apenas conduzir o veículo no trânsito a 30 ou 40 Km/h, subir um aclive e não deixar o veículo retroceder e fazer uma baliza (estacionar). Na realidade aprendeu apenas a fazer o veículo andar. As coisas mais simples são passadas; esse é o mínimo fornecido nas aulas práticas como ensinamento na formação daquele que, ao receber a CNH, comemora como se tivesse conquistado um diploma universitário.

Falando em curso de qualquer formação, quando o concluímos somos levados a um estágio com monitores, instrutores ou coisa parecida, como uma complementação e para o desenvolvimento de habilidades.

Dirigir é coisa muito séria

No Curso de Formação de Condutores, após término vamos para o estágio sem monitor ou instrutor, colocamos em prática o pouco que aprendemos em vinte dias (20 h). Quase sempre com manias, vícios que adotaremos para o resto da vida já que nem educação continuada (reciclagem) está programada como manutenção da qualidade da atividade desenvolvida na direção veicular. As leis, resoluções, sinalizações surgem a todo o momento e não é oferecido conhecimento obrigatório ao motorista. Não se conhece os fatores de risco envolvendo o homem, a máquina e o meio ambiente. Acelera-se, freia-se, buzina-se sem o pleno conhecimento da repercussão sobre a saúde. Muda-se de veículo, de direção mecânica para hidráulica, de câmbio comum para o semiautomático ou automático, do freio mecânico para o ABS, com informações rápidas fornecidas por um “vendedor”. Vamos para as ruas sem nenhuma experiência, conhecer a real manipulação dos novos acessórios.

O condutor passa a ser um autodidata

Nenhum piloto de aeronave muda o tipo da máquina que está voando para outra sem passar horas no simulador da nova aeronave. É só assim, fornecendo pleno conhecimento da máquina, é que vamos formar de maneira consciente e responsável o piloto, o motorista e o motociclista.

Aliás, vale lembrar que o motociclista chega a possuir a carta com treinamento prático em ambiente confinado, sem nenhum conhecimento prático no trânsito. Examinado também em ambiente confinado, recebe a CNH e vai praticar o aprendizado individualmente, no trânsito louco dos grandes centros.

Parece haver um total abandono a preservação da vida. A máquina é extremamente perigosa, transita entre outras máquinas e pedestres. Vidas estão no caminho.

O tempo é curto, somente ensinamento básico são fornecidos para o aluno transitar. Nada é ensinado com relação aos riscos, adversidades, perigos que serão enfrentados em determinadas situações, de dia, à noite, na cidade e na rodovia. Atividade na chuva, piso escorregadio, neblina, névoa, saber se conduzir diante do ofuscamento, frear o veículo com freio comum e ABS, desviar de obstáculos em situação de emergência e muitos outros. A educação preventiva, defensiva, evasiva aplicada na prática, hoje, não é considerada importante. Ter conhecimentos mínimos de física para entender o ponto de equilíbrio de forças atuantes que levam o veículo à capotagem, a derrapagem e outras situações. Como tangenciar uma curva; a cinemática do trauma, isto é, quando essas forças atuantes sobre o veículo são capazes de causar lesões ao pedestre, ao passageiro e ao próprio motorista. Tudo compõe uma quantidade e qualidade de ensinamentos necessários a real formação de um condutor.

Hoje, é fornecida a CNH e o motorista recém-formado, acreditando ser portador de todos os conhecimentos necessários, parte para o aprendizado dos riscos e adversidades isoladamente e caminha celeremente para o acidente.

Estou convicto de que é hora das autoridades atuarem de maneira veemente na formação de nossos motoristas. Ampliar horas de treinamento, fazer uso obrigatório de simuladores onde todos os atos e condições inseguras, adversidades, riscos, emergências seriam treinados (20h), para daí, conhecendo os riscos, partir para a atividade prática de rua na área urbana, na rodovia, de dia, à noite, no piso molhado, com visibilidade prejudicada, na chuva e por aí a fora.

O investimento para ampliação de conhecimentos será o principal elemento na boa formação de nossos motoristas, bem como o maior redutor da sinistralidade. Teremos, sem dúvida, uma redução acentuada da triste estatística de óbitos, vítimas com sequelas temporárias e definitivas no nosso trânsito.

Com a limitação do conteúdo programático dado pela legislação, o artigo 153 do Código de Trânsito Brasileiro ainda impõe punição para os instrutores e examinadores conforme regulamentação estabelecida pelo CONTRAN.

Só existe boa formação quando há investimento e o desenvolvimento tecnológico, hoje, permite irmos muito além de tudo que vemos na formação de nossos condutores. Só com excelente formação chegaremos ao acidente zero.

 

*Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e Chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional
ABRAMET
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
www.abramet.com.br
dirceurodrigues@abramet.com.br
dirceu.rodrigues5@terra.com.br

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