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Estacionamento como fim ou como meio?

O modelo Park & Ride pode ser uma solução para diminuir a circulação de veículos e integrar modos de transporte

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Estacionamento como fim ou como meio?

Com o crescimento das frotas urbanas, as populares vagas nas ruas já não são capazes de satisfazer a demanda, o que gera um enorme déficit. Isto nem sempre se traduz, como se poderia pensar, em uma maior utilização do transporte coletivo, mas – em diversos casos – na migração destes usuários para os estacionamentos particulares, não contribuindo para uma melhora em relação aos congestionamentos observados com frequência nos grandes e médios centros urbanos. Entre algumas soluções que podem ser implantadas e gerenciadas pelo Estado, destacam-se o estacionamento rotativo e o Park & Ride, vagas como meios de integração de modos de transportes de baixa para alta capacidade.

Rotatividade

A utilização de estacionamentos rotativos, com ou sem parquímetro, racionalizam o uso do solo para estacionar em áreas de grande adensamento. Um exemplo é Belo Horizonte, que conta com 20.722 vagas neste regime, sendo que – respeitado o tempo máximo de permanência em cada uma – transformam-se em 92.622 oportunidades de estacionamento em 789 quarteirões do município. No caso da capital mineira, não é utilizado parquímetro, mas sim folha única raspável, que é vendida em 671 pontos a R$ 3,10.


Belo Horizonte tem quase 21 mil vagas de estacionamento rotativo.
Crédito: Arquivo BHTrans.

“Trata-se de um instrumento de política urbana adequado à melhoria da circulação na via e à democratização do uso de espaços públicos. Ele permite que a população usuária do serviço tenha melhor acessibilidade a áreas de comércio, serviços e lazer, como é o desejo e a necessidade da cidade”, manifesta em nota a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), que administra o trânsito na cidade, inclusive – desde 1991 – o sistema de estacionamento rotativo, implantado em 1976. De acordo com a entidade, a receita líquida é utilizada em melhorias do sistema viário, como manutenção e implantação de sinalização, operação de tráfego, programas de segurança, educação e fiscalização do trânsito (sem autuação, o que é – desde 2009 – competência exclusiva da Guarda Municipal e da Polícia Militar de Minas Gerais).

Apesar do que há em Belo Horizonte, a tendência é que – cada vez mais – os talões em papel sejam substituídos por parquímetros, equipamentos eletrônicos, modernos, mais precisos e sem a dependência de ir em busca de um ponto de venda da folha do rotativo para que se possa estacionar. Tais máquinas já são utilizadas no modelo multivagas, ou seja, um parquímetro serve várias vagas, de modo que ocupa menos espaço da calçada e ainda oferece a vantagem de ter diversas formas de pagamento e comunicação on-line para gerenciamento.


O parquímetro cumpre o mesmo efeito que o papel: controlar o uso de vias públicas para estacionamento rotativo.
Crédito: Divulgação

 

Segundo estudo realizado por Julyver Modesto de Araújo, especialista em direito de trânsito e comentarista do site CTB Digital, o rotativo é um modelo de estacionamento não apenas com o objetivo de democratizar o espaço público, mas também para inibir a circulação de veículos em regiões de maior adensamento, aspecto que justifica a cobrança pela utilização de um bem público, que é a rua. “A tarifa tem a função complementar de restringir a ocupação do espaço público por veículos”, explica, ressaltando que o valor cobrado não se trata de mera remuneração ou custeamento do sistema.

A integração é necessária

Com o objetivo de diminuir a circulação de veículos motorizados nas zonas mais adensadas das cidades, o modelo Park & Ride tem sido cada vez mais difundido e já entra no planejamento urbano de algumas prefeituras, como é o caso de Belo Horizonte. “A política de mobilidade da Prefeitura de Belo Horizonte prevê e incentiva o Park & Ride. As novas estações de BRT e de metrô terão esse modelo de estacionamento”, informa a BHTrans, em nota.

A ideia do sistema é explicada na dissertação “Procedimento para implantação de estacionamento integrado com o transporte público para automóveis e bicicletas”, das pesquisadoras Mariana de Paiva e Vânia Barcellos Gouvêa Campos, do Mestrado em Engenharia de Transportes do Instituto Militar de Engenharia (IME). Elas explicam que são instalações intermodais onde o motorista deixa seu carro para usar o transporte coletivo, seja ele ônibus, metrô, trem, barca, VLT ou outros. “Normalmente, esses estacionamentos são utilizados por usuários que permanecerão um tempo relativamente longo nessa área. Por isso, para ser atraente, deve ser cobrada uma tarifa inferior à praticada no centro da cidade ou, até mesmo, ser gratuito”, colocam as pesquisadoras no trabalho.


Imagem mostra ônibus do regime Park & Ride na cidade irlandesa de Galway.
Crédito: Divulgação.

As autoras explicam que o acelerado crescimento populacional e a popularização dos automóveis contribuíram para uma série de problemas urbanos, o que gerou a necessidade de reduzir o número de veículos que circulam nas áreas centrais.

Para elas, integrar o transporte privado com o público/coletivo é mais que uma tendência mundial, é uma necessidade. “Isto traz benefícios para os usuários, os operadores, a sociedade e o poder público. Para os usuários ocorre um incremento da mobilidade pela redução do tempo de viagem e das tarifas e melhora o conforto e a segurança. As vantagens para os operadores estão na otimização da forma de utilizar a frota e na melhoria da velocidade operacional e consequentemente tem-se: redução de gastos e possibilidade de acréscimo da demanda”, defendem na tese.

 

 



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