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Dez anos significam uma geração inteira

por Walter Alberto Schause*

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Durante este tempo, uma criança com oito anos se tornará um motorista; no passar desses anos é que formará seus valores.
Agora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) nos deu uma nova oportunidade de tomar atitudes efetivas: a Década de Ações para a Segurança no Trânsito – uma campanha que conclama todos os países a criar um plano para, em dez anos, reduzir significativamente o número de acidentes e de mortes.
Mas o Brasil já começa mal. Não sabemos quantos morrem no trânsito. As estatísticas desencontradas dos órgãos dão conta de milhares, de milhões. Mas a verdade é que só quem já passou por esse trauma sabe sua dimensão. Psicológico, de saúde, econômico ou mesmo social, o drama da insegurança no trânsito segue sem receber a atenção necessária de quem pode tomar decisões.
Embora a instituição da Década tenha sido anunciada em novembro de 2009, o Governo prevê apresentação de seu projeto apenas em setembro, durante a Semana Nacional de Trânsito. Ou seja, as ações da Década iniciam-se com quase um ano de atraso.
Nos próximos dez anos – 2011 a 2020, precisamos investir em ações de gestão, fiscalização, educação, saúde, infraestrutura e segurança veicular. Como contribuição, entidades e empresas do setor privado apresentaram uma proposta para o Plano Nacional de Ações de Redução de Acidentes. No documento, a visão de quem atua no cotidiano do trânsito. São as verdadeiras demandas, como política de segurança da frota;  lançamento de campanhas entre os empregados, promovendo o uso do cinto de segurança e capacete e para evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e posterior condução de veículos, excesso de velocidade e condução de veículos sem a atenção necessária.
Especialistas acreditam que, com a ação correta, até cinco milhões de vidas podem ser salvas e evitar 50 milhões de feridos nos próximos 10 anos. Ou seja, uma redução de cerca de 50% sobre o previsto global de número de mortes até 2020.
A iniciativa dos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito (SNT) é positiva e muitas metas e ações já foram anunciadas por órgãos municipais e estaduais no último dia 11, mas não estão alinhadas a uma meta nacional ou a investimentos integrados entre o Governo Federal e essas instituições.
O que se propõe nas diretrizes da OMS não é novidade. Os especialistas vêm alertando para essas questões e buscando atrair o olhar dos governantes e de toda a sociedade para a questão da segurança viária, e de que é preciso pensar prioritariamente na segurança coletiva – de uma maioria, e cuidar para não se deixar influenciar pela opinião de uma minoria, que pensa a segurança de forma individualizada, no espaço de domínio do veículo particular. 
A Perkons luta por uma fiscalização justa. Há 20 anos, quando começou a trabalhar na área de tecnologia do trânsito, políticos e celebridades não eram parados em blitze ou tinham a carteira apreendida. Hoje, isso já é uma realidade, o que comprova a evolução do trânsito. Exemplos disso são o aumento da fiscalização, uso do cinto de segurança e a lei seca. A Década de Trânsito não pode ser somente um selo.
O Brasil precisa entender que está pagando caro por isso, que o trânsito é um problema cultural: o motorista que dirige em alta velocidade não sabe que, na prática, está agindo como um criminoso. Essa campanha pode ser comparada a uma dieta de uma semana: não adianta emagrecer e depois voltar a comer normalmente. O que realmente vai fazer a diferença no peso é a reeducação alimentar.
A impressão que se tem é que o trânsito só vai melhorar depois quando chegar no limite do caos e a sociedade inteira perceber que não tem outra saída a não ser agir para mudar. O problema é quão ruim pode ficar. Você já parou para pensar em quanto tempo passa no trânsito por dia?

 

*Walter Alberto Schause
Graduado em Publicidade e Propaganda, pela PUC/PR; especialista em Gestão Empresarial, pela FGV; MBA em marketing Business to Business, pela Thunderbird School of Global Management – EUA; participante do programa Owner/President Management, pela Harvard Business School – Boston/EUA. Foi presidente da Abetrans – Associação Brasileira de Empresas do Setor de Trânsito – para o biênio 2008-2010. Atua na Perkons desde 1997, sendo diretor comercial desde 2004.

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