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De carona: Condutores de ambulâncias abrem caminho para salvar vidas

Além do atendimento à vítima, trânsito e segurança da equipe médica dividem a atenção desses profissionais

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De carona: Condutores de ambulâncias abrem caminho para salvar vidas

Prestar socorro com brevidade e competência é o principal combustível para que eles se dediquem à tarefa diária e quase impossível de encurtar distâncias. A bordo, muito mais do que instrumentos médicos e especialistas: a esperança de salvar vidas. Encarregados de transportar essa meta para realidade das ruas do país, os condutores de ambulância são os protagonistas da última edição da série “De carona”, produzida pela Perkons para lançar luz sobre a rotina e os desafios de profissionais que têm no trânsito o ambiente de trabalho.

Rodrigo Palombo é um dos 500 condutores de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência da cidade de São Paulo, que opera com 122 ambulâncias credenciadas pelo Ministério da Saúde, além das unidades de reserva técnica. “É gratificante saber que o que eu faço ajuda a salvar vidas de pessoas que nem mesmo conheço”, resume ele, motivado há dez anos pelo desejo de fazer a diferença.

Nas jornadas, sempre noturnas, Rodrigo já chegou a atender dez ocorrências em uma noite com a equipe, entre males súbitos e acidentes de trânsito. “A orientação é sempre conduzir o veículo com segurança, entendendo a urgência do chamado, mas sem colocar a equipe ou terceiros em risco”, completa. Para garantir esse entendimento, os condutores são submetidos a um treinamento especializado, previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e ofertado pelo Detran de cada estado. “Após a aprovação nesse curso, recebemos do Núcleo de Educação em Urgência (NEU) do SAMU-SP o treinamento para ser um condutor-socorrista, aprendendo a conduzir a ambulância na rua”, salienta.

Mesmo habituado ao trânsito paulistano e treinado para encarar adversidades, Rodrigo identifica o descaso dos demais motoristas como um desafio constante. “Muitos acabam se negando a dar espaço para a passagem da ambulância por acreditarem que usamos a sirene para brincadeira. Já os que respeitam o serviço de urgência tornam nosso trabalho muito mais fácil e, indiretamente, estão nos ajudando a salvar uma vida”, pondera.

Condições física e emocional são decisivas Em meio a 36 horas semanais de serviço, com um plantão de 24 horas, Antônio Marques é um dos 246 condutores do SAMU de Salvador, na Bahia – estado que concentra o maior efetivo de profissionais do serviço no país (18,68%) – conforme pesquisa da Revista Emergência. Com atuação prévia de duas décadas como técnico de enfermagem, Antônio integra a equipe desde a implantação do SAMU na cidade, em 2005. O fascínio pela profissão, porém, o acompanha desde a infância. “É uma dinâmica de trabalho que sempre me interessou e que, somada ao gosto por dirigir, me levou a ingressar na área”, conta.

Embora a motivação seja simples, os desdobramentos de sua concretização não são poucos. “Aprendemos como sinalizar e parar a ambulância corretamente, e qual a margem ideal de saída, que é o tempo resposta da ambulância sair para ocorrência, por exemplo”, ressalta Marques. Além do atendimento imediato à vítima, o trânsito e a segurança da equipe médica dividem a atenção dos condutores. Durante o processo decisório entre priorizar uma ou outra ocorrência, auxiliando assim a equipe médica, o motorista combina controle físico e emocional. “O trânsito de Salvador é bem perigoso e precisamos de reflexo para, se preciso, desviar dos carros. O desafio diário é colocar em prática o equilíbrio emocional em um tempo de resposta curto”, afirma.

Contudo, toda essa carga de responsabilidade não é sinônimo de desprazer. “Uma vez atendemos uma criança com convulsão e, depois de todas as manobras possíveis para reverter a parada cardiorrespiratória, ela sobreviveu. Fico muito grato por isso. É o que me faz ficar cada dia mais encantado com a profissão”, completa o condutor.

Após a experiência como médico atendente também do SAMU-Salvador, Antônio de Campos passou a ocupar o posto de coordenador médico. “A sensação de salvar uma vida na rua é a de que a sua presença foi decisiva. Como coordenador, minha ótica foi ainda mais ampliada, pois lido com uma equipe de mais de cem médicos e tenho o desafio de ser dinâmico e criterioso para seguir os protocolos de atendimento e fazer com que todos os envolvidos fiquem bem”, salienta.

Foto: SAMU/Salvador
Há 12 anos no SAMU de Salvador, Antônio Marques se sente agradecido pelo ofício
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