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Cidades mais humanas

por Cristina Baddini Lucas*

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Segundo o último levantamento do Departamento Nacional de Trânsito, realizado em setembro, a região do Grande ABC possui 1.413.085 veículos, sendo 1.065.983 veículos leves e 71.951 veículos pesados. Se todos esses carros, ônibus, motos e caminhões circularem ao mesmo tempo na região, não haverá espaço suficiente para que todos fiquem parados um atrás do outro nas vias disponíveis.
Muitas pessoas logo pensam que a solução é abrir mais vias e viadutos. Só que, abrir mais vias significa estimular o uso do automóvel.  A frota de veículos da cidade de São Paulo já ultrapassou os 7 milhões em 2011. Desse total, mais de 5 milhões são automóveis, o que só contribui para aumentar o problema dos constantes congestionamentos.

Restrições
As recentes restrições impostas à circulação de caminhões em São Paulo e no ABC vêm provocando bastante impacto na sociedade. Alguns especialistas criticaram as medidas adotadas.  Primeiramente elas não podem ser analisadas isoladamente e, em segundo lugar, não se compara diretamente número de automóveis com caminhões. O número de caminhões é menor que o número de automóveis, no entanto, os caminhões são maiores e ocupam mais espaço que os automóveis, além de serem mais lentos . O espaço que um caminhão ocupa na via de circulação é, em média, três vezes maior que o de um automóvel.
Além do mais, a região do Grande ABC é industrial e a circulação de caminhões se dá muito além da logística de distribuição de cargas para o comércio, mas também pela entrega e saída dos componentes e mercadorias além dos automóveis produzidos pelas indústrias do ABC.
Um caminhão que se acidenta, quebra ou uma carreta que se enrosca em uma via pública já é o suficiente para paralisar em uma ou mais cidades da região. Saliento que uma medida que otimize esta distribuição e uma melhoria no trânsito venha a beneficiar o comércio e a indústria local. É fácil concordar que de nada adianta um caminhão carregado ficar parado no congestionamento. Acredito que a infraestrutura urbana que fica ociosa no entrepico e principalmente durante a noite pode atender com bastante eficiência a fluidez das cargas que se deslocam nas cidades.
Foi um passo importante para a solução de problemas de circulação enfrentados pelas cidades. Finalmente, seria muito bom se as restrições a caminhões visarem a implantação de faixas de ônibus não abrindo somente mais espaço para os carros.

Humanizar o trânsito
Passado algum tempo desde que foram entregues, as obras do Rodoanel e da Marginal Tietê já se mostram saturadas e insuficientes para conter o problema do trânsito. Essas obras viárias na cidade foram inócuas. A Marginal Tietê já voltou a ter congestionamentos. Se tivéssemos dobrado a nossa linha de metrô, em vez de investir no em asfalto, isso certamente representaria uma enorme diferença na qualidade de vida das pessoas.
Concentrar esforços na construção ou ampliação de vias é um “erro estratégico, um viés anti social e antidemocrático. E o problema é que esse modelo observado na capital, que prioriza o transporte individual, está se “replicando“ em todas as cidades do país. As cidades médias brasileiras vão entrar em colapso nos próximos dez anos se mantivermos esse mesmo modelo que beneficia o automóvel.

Transporte bom
Uma das soluções será o Poder Público investir em curto prazo no transporte de ônibus, ampliando os corredores e melhorando o serviço, e, A longo prazo, em metrôs e trens, pois em havendo alternativas, as pessoas deixarão de utilizar o veículo porque o custo é muito grande. Para que as pessoas sejam estimuladas a deixar o carro em casa e optem pela utilização do transporte público, a primeira necessidade é ampliar a oferta, fazendo com que ele atinja todos os pontos da cidade. O transporte também precisa ser frequente, confiável, confortável e estar integrado com as demais redes além de oferecer estacionamentos e bicicletários nas estações.

 

*Cristina Baddini Lucas
Assessora do MDT, colunista do Diario do Grande ABC (Coluna De Olho no Trânsito)

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