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Acreditar, Ousar e Agir

por Cristina Baddini*

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Há um carro para cada seis habitantes no Brasil, índice  que vem diminuindo a cada ano. O fenômeno do crescimento econômico, do crédito farto e da ascensão da classe média levou a frota brasileira a registrar aumento de 61,3% em uma década, atingindo 32,4 milhões de veículos em 2010. No mesmo período, a população brasileira aumentou 12,3%, estando em 190,7 milhões de pessoas.
As cidades do Século 20 foram projetadas para o automóvel e a grande quantidade de veículos em circulação mostra que essa é uma realidade que deve permanecer por muitos anos ainda. Por conta disso, na formulação de políticas públicas de mobilidade urbana, é preciso que se tenha em conta formas de tornar o automóvel menos agressivo. Uma tentativa ainda que tímida, mas que está sendo proposta nos projetos de moderação de tráfego, que propõem intervenções físicas no sistema viário de modo a modificar o comportamento do motorista, induzindo-o a reduzir a velocidade e agir com segurança ao volante.
Sedimentado culturalmente por anos e anos de intensos esforços de marketing das grandes montadoras, o carro individual já está arraigado culturalmente no indivíduo e representa há muito tempo, o objeto de desejo e ao mesmo tempo instrumento real de reprodução econômica e social para vastos segmentos dos estratos médios da sociedade – uma enorme parcela da população que desaprendeu a viver sem ser sobre quatro rodas. Mesmo sabendo disso, é preciso restabelecer o controle do uso do veiculo individual e a segurança na mobilidade urbana.

Paz no trânsito
Para cada morte no trânsito, 11 pessoas ficam com sequelas, 38 são internadas e 380 precisam ser atendidas em Pronto Socorros. O levantamento estatístico é da Organização Mundial da Saúde, que alerta igualmente para a causa da maioria das mortes no trânsito, motoristas alcoolizados ou drogados, seguida por ordem de importância pela falta do cinto de segurança e em seguida temos o excesso de velocidade que aparece como terceira causa maior das mortes no trânsito.
É por isso que precisamos trabalhar intensamente com a prevenção, pois as mortes no trânsito podem ser evitáveis. Precisamos assumir a responsabilidade social e endossar a ambiciosa proposta de reduzir pela metade o número de acidentes com mortes até 2020, por meio de reforma da legislação e fiscalização dos investimentos públicos no setor.
No ano passado, a Polícia Rodoviária Federal computou 40 mil mortes no trânsito brasileiro. Somente este dado já é suficiente para que a sociedade se empenhe e exija do o efetivo investimento dos R$ 500 milhões previstos no orçamento federal em prol da redução dos acidentes de trânsito.
A verba, se aplicada integralmente, provocará uma redução dos gastos da União, que hoje despende 60 vezes mais, ou seja, R$ 30 bilhões no tratamento dos feridos no trânsito, segundo estimativas da Associação Nacional dos Transportes Públicos – ANTP e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA.

Década de Ação pela Segurança no Trânsito
A preocupação com o número de mortes no trânsito é tanta que a OMS – Organização Mundial de Saúde lançará, em 11 de maio próximo, uma campanha para reduzir as mortes no trânsito que hoje atingem 1.260.000 por ano, o que representa uma morte a cada 30 segundos no mundo.
O lema da Campanha é: “Acreditar, Ousar e Agir”, numa adaptação feita para o português pelo Gabinete do Deputado Federal Hugo Leal, Presidente da Frente Parlamentar pelo Trânsito Seguro. O slogan original em inglês é Wear, Believe and Act que, em tradução livre, significa: use, acredite e faça.

*Cristina Baddini
Consultora do Diário do Grande ABC, Diretora da ONG Rua Viva, Assessora do MDT. Contato: cristinabaddini@dgabc.com.br; blog: http://olhonotransito.blogspot.com/

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